13 de jun de 2016

'Cidade Aberta'

Vã ilusão!

Já é por si lamentável que circunstâncias administrativas e pessoais tenham levado o governo municipal a fazer duas trocas de secretários da Saúde, em pouquíssimo tempo. Em áreas de gestão muito complexa, como é o caso, continuidade administrativa é desejável. O pior, no entanto, é que a posse do atual secretário tenha chegado aos jornais não com anúncios sobre novas prioridades da Saúde, mas apenas com a manchete de que sua missão é reduzir os gastos do setor. Aí é inadmissível!

A primeira constatação que se chega é que, dessa forma, o próprio governo reconhece que, transcorrido quase todo o seu mandato, fez uma gestão perdulária na Saúde, o que, ao final, exige correção. Ora, por que não se promoveu esses cortes antes e por que se deixou que o dinheiro fosse pelo ralo?

A segunda constatação é que estamos diante de uma mentira. Todo mundo sabe que a Saúde é subfinanciada. A União e os Estados apenas cumprem suas obrigações constitucionais e lavam as mãos; o drama do atendimento ao cidadão sobra para os municípios que não têm a quem recorrer. Eles investem o dobro do que devem e, ainda assim, é pouco. Como se falar, então, em redução? Se há deseconomias em áreas-meio, seguramente, a melhor eficiência gerencial irá repercutir em mais inversões para melhoria de atendimento nas unidades do sistema, onde a pressão é enorme! Economizar na Saúde em favor do Tesouro municipal, como se deseja, é uma vã ilusão!

A atual administração mostra uma preocupação tardia em enfrentar a crise e comete um erro grosseiro ao responsabilizar a Saúde. A falta de racionalidade administrativa está em toda a Prefeitura! Já se tinha sinais da crise, há três anos, quando o prefeito, ao invés de reestruturar a máquina pública, optou por inchar gabinetes com cargos políticos inúteis, com despesas não recomendáveis. Ou seja, o que se vive, hoje, não é apenas reflexo da crise, mas, também, de uma gestão temerária.

De sua parte, pelo bom nome que goza na sociedade, o novo secretário da Saúde deveria, sim, vir a público desmentir os jornais, garantir que não veio degolar a Saúde e apontar as prioridades concretas que vai enfrentar, no tempo exíguo de que dispõe.

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 10/06/2016]

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