30 de abr de 2016

'Cidade Aberta'

5 anos

Em 2011, o dia 29 de abril caiu numa sexta-feira. Naquela manhã, o SETE DIAS circulou pela primeira vez com esta coluna Cidade Aberta. Hoje, 29 de abril também cai numa sexta. A coluna continua aqui, nesse canto da página 2. E lá se foram 5 anos!

Como arquiteto, aprendiz de colunista, confesso que já tive diferentes humores com relação a essa tarefa semanal. Já tive momentos de ânimo, por crer que o debate de ideias muda o mundo. Já tive outros de mera curiosidade, ao indagar se por trás dos textos havia leitores, quem eram e o que pensavam. E já tive momentos de perplexidade, ao perceber que escrever é mais útil à reflexão de quem escreve do que de quem lê.

Com qualquer humor, todavia, sei que guardei, nesse tempo, três mandamentos que estabeleci para mim mesmo. Um, de que jamais faria ataques pessoais, senão apenas críticas a ideias. Outro, de que não me deixaria levar por oportunismos e que, ainda que remasse contra a maré, manteria fidelidade ao que penso. O último, de que defenderia minhas ideias com muito vigor, mas sem nunca menosprezar a inteligência do leitor, especialmente dos que pensam diferente de mim. Nunca usei esse espaço para agredir alguém, nunca fugi da raia, nunca deixei de ser enfático, mas nunca fui dono da verdade!

Já ouvi dizer que a coluna é vista como crítica a governos municipais. Digo, com sinceridade, que não está nos governos o meu maior interesse, senão numa visão de cidade que prezo: de mais força pública e mais voltada para o bem estar de seus cidadãos e menos refém de interesses privados, como hoje.

Também já ouvi dizer que a coluna é vista como esquerdista. Digo, com a mesma sinceridade, que não está com as ideias de esquerda o meu maior compromisso, senão com uma visão de país menos desigual e mais generoso com a sua enorme diversidade.

Nesses rápidos e, ao mesmo tempo, longos 5 anos, escrevi cada um dos 258 artigos, incluindo este, sempre, como se fosse o último. Dediquei a cada um absoluta seriedade. Talvez porque, tacitamente, tenha considerado um quarto mandamento pessoal: o de que, a cada semana, deveria dar o melhor de mim porque, ainda assim, é preciso lembrar, humildemente, que sempre há quem possa fazer melhor.

[Artigo publicado na coluna Cidade Aberta do jornal SETE DIAS em 29/04/2016]

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