14 de fev de 2016

'Cidade Aberta'

Não termina nunca!

Há dois, três anos, quem imaginaria que estaríamos vivendo essa bagunça que o país virou? O ano de 2014 nos armou e nos pôs todos contra todos. Quem pensou que as eleições aplacariam os ânimos errou. 2014 não acabou e, em estado de ódio, invadiu 2015. Seguimos nós nessa guerra fria, o palco perfeito para todo tipo de dissenso e oportunismo. E o que é pior: uma pane de lideranças promete empurrar esse clima para 2016. A crise econômica virou fichinha perto da crise política. Enquanto as famílias brasileiras sofrem com uma insegurança crescente, a política se diverte.

Está tudo estranho. No nosso mundinho sete-lagoano também. Tudo em estado permanente de esquizofrenia. Veja: somos capazes de nos transtornar quando ouvimos mais um caso de corrupção nacional; a cada enxadada, uma minhoca e uma raiva coletiva; mas a corrupção local parece bobagem. Estourou um escândalo de um rombo de R$ 4,5 milhões na Câmara, a imprensa de fora alardeou, mas aqui ninguém deu fé. Os vereadores colocaram panos quentes e encontraram uma sociedade bastante disposta a ter uma amnésia coletiva. Não estamos precisando de terapia?

Quer mais um caso de bipolaridade? No país, quando se fala em coligação entre partidos, hoje, ontem e sempre, achamos tudo uma promiscuidade só e, irritados, repudiamos esse toma-lá-dá-cá. Não aqui! Veja: o nosso deputado estadual foi eleito criticando o petismo, mas, uma vez eleito, tornou-se aliado desde criancinha do governo petista também eleito. Mesmo estando num partido, apropriou-se de outro, da base governista, claro!, para onde levou alguns nomes que, publicamente, odeiam o PT. E o PT local? O PT aliou-se ao prefeito que, há 3 anos, foi lançado como nome de sustentação do projeto tucano à presidência. Alguém consegue me explicar essa confusão? Bem, como disse um bom amigo: isso só surpreende quem não sabe como a política funciona. Ou seja, esquece a terapia!

Muito bem, como disse outro bom amigo: 2015 passou rápido, mas não termina nunca! É isso mesmo: não termina nunca! 2014 não terminou; 2015 não vai terminar e 2016 promete repetir a dose. Estamos dando voltas. Perdoe-me, caro leitor, a fraqueza e a sinceridade: que desânimo!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS  em 18/12/2015]

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