14 de fev de 2016

'Cidade Aberta'

Essa nossa coleção de crateras

Em todo lugar, chuvas constantes são desastrosas para a pavimentação asfáltica das ruas. Numa cidade como Sete Lagoas, com severos problemas de drenagem urbana, seja pela topografia muito plana, seja em função do pouco prestígio que esse tema sempre gozou, nas várias administrações, a situação se agrava. De qualquer forma, as águas torrenciais dos últimos dias explicam, mas apenas em parte, o estado deplorável de nossas ruas, não aqui e ali, mas em toda a cidade.

Gostaria de conhecer a opinião de um especialista sobre essa nossa coleção de crateras. Desde que me entendo por gente, ouço explicações para elas. Antigamente, por exemplo, o responsável era o SAAE, que abria buracos e os tampava mal e porcamente. No governo passado, como o nosso asfalto, ao longo do tempo, foi aplicado sobre pé de moleque e paralelepípedo, a culpa passou a ser da base e sub-base antigas, inapropriadas para o tráfego de veículos de hoje. Não sei o que diz a atual administração, mas, antecipadamente, estou disposto a crer que ela tem razão. O problema, entretanto, não está nessa razão, mas no fato da Prefeitura usá-la para se fazer de vítima e não para se colocar como responsável pela solução.

Aí o problema esbarra nos limites da política. Digamos que a origem desse nosso solo lunar seja mesmo a má qualidade da compactação da base; então pergunto: sabendo-se que isso demanda uma solução cara e de longo prazo, qual prefeito seria capaz de abrir mão de um asfaltamento compulsivo, ainda que efêmero, mas que, sabidamente, lhe garante votos aos borbotões, em favor de um programa responsável, que teria que se suceder em outras administrações e que poderia lhe roubar sinceras manifestações de apreço nas urnas?

Ao fim e ao cabo, aos sete-lagoanos resta pouco. Além de se desvencilharem de desculpas esfarrapadas, de fugirem de um buraco e outro e de pagarem o borracheiro pelo pneu rasgado, na falta de melhor sorte, só lhes resta ironizar. No melhor estilo rir para não chorar. Anos atrás, as redes sociais se esbaldaram fazendo pilhéria com os famosos buracos do Maroca; agora, se divertem com as fantásticas crateras de Márcio Reinaldo. Fazer o quê?!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 22/01/2016]

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