14 de fev de 2016

'Cidade Aberta'

Muitxs

Há tempos, eu venho acompanhando, ainda que à distância, as discussões do Muitxs, um coletivo de BH que reúne pessoas, grupos e movimentos sociais, sempre em espaços públicos e abertos, em torno de soluções novas para ‘a cidade que queremos’. Nesta semana, um conjunto de 10 propostas formulado pelo coletivo foi parar nas páginas do jornal O Tempo. Ainda que digam respeito à nossa capital, essas propostas, no espírito de cidade que elas traduzem, são muito inspiradoras para nós, sete-lagoanos.

As ’10 propostas para a cidade que queremos’ podem ser conhecidas no blog Olho da Rua [olhorua.wordpress.com]. Elas vão desde um olhar mais urgente para o resgate do direito à cidade – quando se referem, por exemplo, à ‘livre ocupação dos espaços públicos’ ou à ‘moradia é direito’ - até um gesto mais conceitual, como quando pregam ‘transporte público, gratuito e de qualidade’ ou ‘cidade pedestre, ciclável e de baixo carbono’ ou, ainda, ‘menos viadutos, mais metrôs’. Mas, para além das propostas em si, em suas particularidades, há questões subliminares que me parecem muito instigantes.

Uma, a própria forma com que o grupo se organiza e estrutura suas proposições. Inspirado no ‘Ahora Madrid’, no ‘Barcelona en Comú’, e no ‘Podemos’, da Espanha, ele surge numa relação horizontal colaborativa, sem messianismos, comprometida com causas sociais insurgentes, que, à esquerda, contrapõe-se ao esgotamento da socialdemocracia e do esquerdismo clássico. Sobretudo, contrapõe-se à prática política atual, que pouco representa o país, apostando, então, na cidadania e na radicalização da democracia.

Outra questão está na sua compreensão transformadora de cidade. Ao aliar-se às lutas populares cidadãs, o Muitxs constrói uma proposta que tem lado e que se opõe, explicitamente, ao privilégio a interesses privados que têm marcado as administrações municipais. Isso está explícito quando eles defendem ‘não às privatizações, mais parques’ ou ‘recursos públicos para o bem público’. Nesse caso, é um grito contra aquilo que, um dia, já foi velado, mas que, hoje, é assustadoramente sem pudor: a subjugação das cidades, aqui e acolá, ao interesse do capital. Sem mediações!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 08/01/2016]

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