20 de nov de 2015

'Cidade Aberta'

Terrível, não?!

O site do SETE DIAS repercutiu, nesta semana, matéria do jornal Hoje em Dia sobre o aumento de crimes violentos em MG, de janeiro a setembro de 2015 face ao mesmo período de 2014. A notícia não é boa: entre as maiores cidades mineiras, as com população acima de 200 mil habitantes, Sete Lagoas figura num preocupante 4º lugar, depois apenas de Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Montes Claros.

Considerando os números divulgados com relação à população de cada cidade, a notícia é ainda pior: proporcionalmente, Sete Lagoas continua na 4ª posição, mas atrás de cidades muito maiores e metropolitanizadas: Contagem, BH e Betim.

Obviamente, a comparação dos números absolutos de Sete Lagoas com qualquer uma dessas três cidades – 2, 3, 10 vezes maiores – não é apropriada. Para melhor entendimento da situação, a comparação mais justa seria com Divinópolis que tem o mesmo porte nosso e desempenha o mesmo papel regional. Pois bem: lá, a taxa de crescimento de crimes violentos foi menos da metade da nossa [15,8 versus 37,4%] e o número deles foi 60% do daqui [6,5 versus 10,4 por mil habitantes]. Terrível, não?!

Essa comparação relativa de números de crimes frente ao porte populacional, que me parece a mais correta, leva a constatações assustadoras. Um exemplo: em Sete Lagoas, proporcionalmente, conta-se o dobro de crimes violentos do que em Ribeirão das Neves, que o senso comum aponta como o lugar mais violento da região e  onde, estatisticamente, esses crimes mais crescem. Outro exemplo: nesse contexto, aqui acontecem quatro vezes mais crimes do que em Juiz de Fora, três vezes mais do que em Valadares e duas vezes e meia mais do que em Ipatinga e Uberlândia. Terrível, não?!

Frente a essa realidade, eu tenho uma suspeita e uma convicção. Primeiro, suspeito que as nossas lideranças políticas não têm interesse real em resolver essa questão, mas, muito mais, em tirarem dividendos pessoais da tragédia. Promovem audiências, fazem muito ôba-ôba, mas não constroem soluções concretas. É o que os números atestam. Segundo, tenho a convicção de que essa situação só se reverterá quando o poder municipal assumir o seu protagonismo nesse assunto e deixar de apenas terceirizar a responsabilidade para o governo estadual. O governo mineiro tem que cuidar de 853 problemas; nós, apenas do nosso!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 20/11/2015]

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