9 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Esse calor infernal

Esse calor infernal de primavera tem evidenciado o quanto Sete Lagoas, se já era uma cidade quente, tornou-se mais quente ainda. Em dias de baixa umidade do ar, então, a sensação térmica anda insuportável. Isso atesta que a forma como temos pensado a cidade, especialmente os espaços públicos, ignora solenemente a região em que estamos.

O uso ostensivo de asfalto e de acabamentos em edificações que propagam as ondas de calor não é uma característica nossa, mas a completa falta de arborização tornou-se, sim, uma marca registrada sete-lagoana.

É comum em outras cidades que, como aqui, os bairros mais recentes, no processo de crescimento urbano acelerado, careçam de árvores bem formadas; mas, diferentemente daqui, as áreas centrais mais antigas tenham uma massa verde significativa. Um exemplo disso está em Belo Horizonte que, no mês passado, deu um show de beleza com a floração de ipês rosas que sombreiam diversas avenidas da capital.

Um giro pela nossa cidade mostra que precisamos rever conceitos. Curiosamente, as intervenções urbanas mais recentes e de maior porte são as que mais desprezam o maior sonho de consumo de todos, atualmente: uma boa sombra!

O boulevard da rodoviária, por exemplo, é de uma aridez tremenda. Ora, se não se pode plantar árvores sobre concreto, o que impede que o desenho urbano lance mão de marquises, pergolados ou caramanchões? O mesmo vale para a Praça da Bíblia que parece ter sido inspirada no deserto para onde Jesus se dirigiu para jejuar e meditar. Até as árvores crescerem, não se poderia ter utilizado algum elemento sombreador? E tem-se ainda o novo Terminal de Ônibus que dispensa comentários.

Há tempos, é conhecido o esforço pessoal de alguns servidores da área ambiental da Prefeitura em cuidar da arborização urbana. Mais do que nunca, o calor abrasivo desses dias anda recomendando que esse esforço pessoal deve ser convertido numa ação institucional, forte e ampla, de planejamento da cidade para as pessoas. Antes que andar a pé pelas nossas ruas, sob esse sol inclemente, vire um problema de saúde pública!

[Artigo da coluna Cidade Aberta do jornal SETE DIAS publicado no dia 09/10/2015]

Um comentário:

ENIO EDUARDO disse...

Flávio estive em Sete Lagoas neste Domingo (11/10). Após 3 meses de "exílio" da terra lacustre. O que mais observei foi este clima árido e a cada dia mais desarborizado. Qual pensamento famigerado permeia a Prefeitura sobre o futuro da cidade?