20 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Remando contra a maré

Toda vez que se fala em revitalização da área central de Sete Lagoas, especialmente das ruas Monsenhor Messias e Emílio de Vasconcelos, depara-se com, pelo menos, dois problemas aparentemente intransponíveis: a falta de um lugar na Prefeitura que, efetivamente, planeje e coordene projetos de política urbana e a presumida resistência ou falta de consenso dos comerciantes da região. Nesse caso, talvez valha a pena tomarmos conhecimento do que disse a secretária municipal de Transporte de NY, Janette Sadi-Khan, no Seminário ‘A bicicleta em SP: políticas públicas para transformar a cidade’, no final de setembro.

Segundo Sadi-Khan, o projeto ‘Ruas Sustentáveis’ – que fechou a Times Square e criou 50 novas praças, em apenas 5 anos, alguns “bulevares apenas passando tinta no chão” – aumentou em 50% o lucro comercial das áreas de intervenção. Ou seja, contrariando o senso comum sete-lagoano, requalificar espaços públicos, privilegiando o pedestre, não apenas revitaliza o ambiente urbano como, em particular, não apenas não prejudica como revitaliza também a atividade comercial. Nada mal, não?

Ainda de acordo com a secretaria, esse projeto foi articulado com dois outros para mitigação do trânsito intenso na cidade com a maior frota americana: o ‘Programa 20 milhas por hora’, para redução de velocidade, e o projeto ‘Citi Bike’, em parceria com um banco, assim com se tem feito em algumas cidades no Brasil, para locação de bicicletas. Enfim, três projetos de sucesso, lá, que se propostos, aqui, seriam vistos como verdadeiros atentados à ordem pública. Imagine: fechar ruas, andar de carro a 32 Km/h e incentivar o uso de mais bicicletas, em Sete Lagoas? Que ideias absurdas!

Indo ao ponto, o que importa é que várias cidades do mundo andam fazendo esforços tremendos para humanização da vida urbana, enfrentando problemas relativamente comuns: a violência crescente, o trânsito caótico, o barulho desmedido e a aridez do espaço público. Remando contra a maré, por inabilidade para articular, negociar e criar, adotamos aqui a pior solução possível: não fazer nada e deixar como está pra ver como é que fica!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 16/10/2015]

Nenhum comentário: