8 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Revoada

O término do prazo de filiação para as eleições de 2016 está obrigando os políticos a uma apressada acomodação e abrindo uma animada temporada de especulações. Quem vai, afinal, desafiar o prefeito para tomar-lhe a cadeira do terceiro andar da Barão do Rio Branco?

O estilo nada amistoso de Márcio Reinaldo parece ter atiçado os ânimos e empurrado meia Sete Lagoas para a oposição, liderada pelo deputado Douglas Melo. Fotos publicadas na imprensa, nos últimos dias, colocaram, lado a lado, apenas entre concorrentes ao cinturão, o próprio Douglas, Leone, Emílio, Duílio, Juninho Sinonô e Antônio Pontes. A tese é que, desse grupo, deve sair um só candidato para o duelo. As especulações, no entanto, dizem que cada qual concorda com essa tese desde que ele próprio seja o escolhido. É muito cacique pra se duvidar que todos são, sim, candidatíssimos.

A esse quadro, soma-se o PT, ainda indeciso entre as candidaturas próprias de Busu, Sílvio de Sá e Hugo Lyra, o que revela que o pleito não deixará de ser animado por falta de nomes.

Essa revoada permite constatações intrigantes; nenhuma delas exatamente nova. A primeira é sobre o valor dos mandatos na vida política. Só os que detêm mandatos, no caso o prefeito Márcio Reinaldo e o deputado Douglas Melo, movem as peças no tabuleiro; todos os demais subordinam-se a eles. A segunda é decorrência da primeira:  infelizmente, os partidos, a quem caberia esse papel, com rara exceção, ficam reduzidos a meras legendas de acomodação de nomes, inteiramente destituídos de ideários que deveriam diferenciá-los. Tudo se atém a um jogo de oportunidades pessoais.

Com ideários em baixa, quando se olha acima das disputas provincianas, corre-se o risco de se ter situações inusitadas. Nesse contexto, por exemplo, não é improvável que o governador Pimentel, do PT, empreste o seu apoio a quem fez campanha contra ele, há apenas um ano, e deixe no sereno quem levantou bandeiras vermelhas. Bobagem? Talvez sim, talvez não. Como Sete Lagoas não está fora do Brasil, pode ser que a polarização nacional entre petistas e antipetistas acabe gerando aqui os mais divertidos constrangimentos.

[Artigo publicado na coluna Cidade Aberta no jornal SETE DIAS em 25/09/2015]

Nenhum comentário: