18 de set de 2015

'Cidade Aberta'

Tanto faz

Uma coisa é, em torno de um projeto de cidade ou um plano de governo identificado com uma liderança política, a convergência de apoios de outras lideranças, ainda que com perfis ideológicos distintos. Outra, muito diferente, é um acordo feito em torno de projeto nenhum como mera estratégia de disputa eleitoral. Se a sociedade brasileira não tem visto com bons olhos uma coisa, imagine a outra!

[Foto publicada na coluna Sem Reserva, no SETE DIAS, em 18/09/2015]

A foto publicada no último SETE DIAS com diversos políticos sete-lagoanos, com trajetórias as mais diferentes, cujo único ponto em comum parece ser a oposição ao atual prefeito, é um exemplo patético desse tipo de união oportunista para disputa do poder pelo poder.

Informa a coluna Sem Reserva que a candidatura a prefeito desse bloco, liderado pelo deputado Douglas Melo, “será definida por pesquisa e três nomes estão na disputa: Leone Maciel, Duílio de Castro e Emílio Vasconcelos”. Ora, a mensagem que eles próprios estão nos passando é que, então, não existem diferenças substantivas entre eles, que biografias pessoais, histórias políticas e convicções ideológicas e partidárias são irrelevantes e que, para a ambição de ser prefeito, basta a maior ou menor popularidade, medida numa pesquisa de opinião. Fora isso, se um ou outro, tanto faz!

Pior do que essa vulgarização de nomes, essa foto revela algo que não é novo, mas que, no caso, está sendo levado ao limite: o fato da política, cada dia mais, reduzir-se a muito personalismo e poucas ideias. Por essa lógica, o que elegerá o próximo prefeito não será a mais apurada compreensão dos dilemas que Sete Lagoas vive e a mais ousada proposta para nos devolver a qualidade de vida perdida, mas a mais esperta arquitetura política, aquela capaz de angariar a maior quantidade de votos. Fora isso, em qual direção a cidade seguirá, tanto faz!

Por fim, a naturalidade com que a sociedade sete-lagoana enxerga fotos como essa também diz alguma coisa. Se a ninguém ela causa surpresa é porque, de alguma forma, infelizmente, não se espera mais nada diferente de políticos e partidos. Há um rebaixamento de expectativas. A vida segue, como a política se move ou não se move, tanto faz!

[Artigo publicado na coluna Cidade Aberta no jornal SETE DIAS no dia 18/09/2015]

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