4 de set de 2015

'Cidade Aberta'

#CentrodeCulturaCompartilhadoEuApoio

Uma moçada ligada à arte está propondo a conversão do antigo Zoológico da Boa Vista, fechado há alguns anos, em um Centro de Cultura Compartilhado. É uma ideia que, a meu ver, tem duas grandes virtudes: a boa ocupação e a ressignificação de um espaço público abandonado e o reconhecimento de uma forma inovadora de organização política, em torno da cultura.

Circula uma conversa que o destino do velho Zoo já estaria definido e seria a sede da Guarda Municipal. Não há dúvida de que entre um uso meramente administrativo, nesse caso, e outro cultural, no caso do Centro, esse último apresenta uma aderência muito maior ao espírito esportivo e socializante do Parque Náutico. Não que a Guarda não mereça uma boa sede, mas  não precisa ser ali, numa área de interesse turístico e ambiental. Mesmo porque ela estaria muito mais bem instalada num espaço mais amplo, num modelo de Centro de Segurança Integrado, junto com outras forças policiais, como já testado, com sucesso, em várias cidades.

Essa vitalidade que o Centro pode atribuir ao lugar é a sua primeira virtude; a segunda está na natureza do movimento, em si, marcada no próprio nome pela palavra ‘compartilhado’. Isso remete a uma nova safra de organizações políticas cuja potência vem, além do princípio do compartilhamento, de sua horizontalidade e da heterogeneidade da rede de relacionamento que criam. Uma forma dificilmente compreendida pela política tradicional – opostamente, vertical, hierárquica e de relações sectárias – como se viu nas jornadas de junho de 2013. Então, a reação institucional ou inexistiu ou foi tardia, movida pela perplexidade ou pela covardia.

Pode ser que a Prefeitura não veja diferença entre uma destinação burocrática e outra de articulação social e de estímulo ao empreendedorismo cultural. Seria lastimável! No fundo, trata-se aí de uma questão geracional: de um lado, a velha guarda da política, com seus métodos apodrecidos postos à expiação pública; de outro, essa moçada com novos conceitos, práticas e dialetos. Ou se abre passagem ou se corre o risco de ser atropelado pelos novos tempos. Ou vai ou racha!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 04/09/2015]

Nenhum comentário: