21 de ago de 2015

'Cidade Aberta'

Profundo silêncio

Depois de ter se transformado num escândalo nacional, a suspeita de desvios de recursos na Câmara Municipal de Sete Lagoas foi guardada no mais profundo silêncio. Na própria Câmara parece ter se tornado um assunto proibido. Ou perigoso. E, naturalmente, onde impera o silêncio, falta transparência e sobram especulações.

Em algumas rodas, ignora-se a materialidade do fato e alega-se que todo o procedimento investigativo está incorreto, do que devem se valer os acusados. Ou seja, uma hipotética incompetência legal da Corregedoria do Executivo para investigar outro poder e um eventual descumprimento de formalidades jurídicas na garantia do direito ao contraditório, nesse caso, estariam fornecendo a lenha necessária para se assar a pizza.

Em outras conversas, o tema ganha uma conotação meramente política. Aí também se ignora a gravidade da denúncia para colocá-la a reboque de interesses políticos que antecipam as eleições do ano que vem. Então, os valores estimados e os nomes envolvidos estariam sendo vazados, propositalmente, não pelo absurdo que expressam, mas pelo poder que têm de prejudicar alguns em benefício de outros.

Não fosse a política, tal qual é praticada, um mundo desgarrado da ética do homem comum, nem formalidades nem politicagens deveriam sombrear a realidade. Afinal: houve ou não corrupção na Câmara?

As manchetes dos jornais mencionaram dezenas de servidores e assessores da Casa; um deles, nominalmente. Acusaram ex-presidentes: quatro, de forma genérica; o último, diretamente. Aventaram a participação de vereadores, no plural, o que acaba gerando suspeição não sobre esse ou aquele, mas sobre todos. Estranhamente, com a honra de tantos posta em dúvida, ainda assim, o silêncio parece ser mais conveniente do que a verdade.

A sociedade sete-lagoana, de sua parte, também tem dado pouquíssima atenção ao caso. Esse desinteresse acaba dando razão à tese de que, nos dias de hoje, não é a corrupção coisa nenhuma que leva as pessoas às ruas. Infelizmente, ela é apenas, e apenas quando interessa, um pretexto para a defesa, isso sim, de convicções ideológicas – de grupos, de classes ou de partidos. E nada mais!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 21/08/2015]

2 comentários:

Márcia disse...

Não há incompetência. Há conluios políticos para se interromper a investigação. Parabéns pelo artigo.

FERNANDES disse...

CONGRATULAÇÕES NOBRE CIDADÃO! O ÚLTIMO GRANDE MESTRE QUE AQUI ESTEVE DISSE: CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ. OCORRE QUE ELA CUSTA MUITO CARO. E COMO NA MÚSICA DO CAPITAL INICIAL: VCS SE PERDEM NO MEIO DE TANTO MEDO DE NÃO TER DINHEIRO PARA COMPRAR SEM SE VENDER. SERÁ QUE NO ANO QUE VEM O POVO TERÁ VERGONHA NA CARA? OXALÁ!