7 de jul de 2015

Dúvidas não faltam...

Em atenção a um leitor anônimo, que disse que eu devia ter postado o texto anterior ['O sete-lagoano não merecia coisa melhor?!'] há três anos e não agora, publico artigo da coluna Cidade Aberta, publicado originalmente no SETE DIAS, em 23/06/2011, portanto, quatro anos atrás, sobre o mesmo tema: a tal estação de transbordo.

Dúvidas não faltam...

Eu tenho certeza que todos os leitores desta coluna não teriam nenhuma dificuldade em listar os problemas com os quais são obrigados a conviver, diariamente, relativos ao trânsito e ao transporte coletivo em nossa cidade. Pergunto, então: vocês sabem quais deles a estação de transbordo que foi licitada pela administração por R$ 594 mil vai solucionar? Conhecem algum plano abrangente para gestão do nosso sistema de transporte público no qual essa estação se insere? Conhecem o projeto dessa estação? Eu fiz essas perguntas a políticos e a cidadãos comuns e recebi respostas idênticas: não e não!

É curioso que um assunto tão complexo seja conduzido sem um prévio acordo social. Por isso mesmo, em meio a um cipoal de dúvidas, é difícil saber se será um dinheiro jogado fora ou se será um bom investimento. A primeira dúvida é crucial: uma estação de transbordo é mesmo necessária? Há quem afirme, taxativamente, que, para cidades como a nossa, ela é dispensável. Que estações virtuais, com o uso inteligente da bilhetagem eletrônica que já temos, são mais flexíveis e efetivas. Uma segunda: o que, de fato, essa estação mudará no complicado trânsito da área central? Isso foi estudado? Outra: a se ter uma estação, não seria mais vantajoso adaptar a atual rodoviária para esse fim e construir uma nova rodoviária mais próxima à 040? Mais uma: observando-se o ponto de parada de coletivos em frente à Prefeitura, do outro lado da praça, como tantos outros, sem cobertura e com dezenas de pessoas em pé, o que seria prioritário: a estação pretendida ou a construção de vários pontos padronizados com conforto para o cidadão? E uma mais: estações ou obras similares não deveriam ser precedidas de correções gerenciais no nosso inexplicável sistema de transporte público em que um serviço autorizado por permissão, dito alternativo, não é alternativo, mas é indevidamente concorrente de outro autorizado por concessão? Para maior sustentabilidade, essas duas modalidades não deveriam ser diferenciadas?

Dúvidas não faltam... Mas entre elas, uma última me chama a atenção. Eu vi o projeto e me surpreendi: se aquilo é uma estação de transbordo, então, eu não sei o que é uma estação de transbordo. Mais: é um projeto muito simplório para ocupar uma área tão nobre, bem ali ao lado do nosso Museu Ferroviário. Ora, como construções no entorno do Museu, por se tratar de um bem tombado, estão subordinadas, por lei, a prévia anuência do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, o COMPAC, para garantia de harmonia com a paisagem urbana, eu consultei alguns membros desse Conselho e voltei a me surpreender. Pois não é que a Prefeitura licitou um projeto irregular, não aprovado pelo COMPAC e, portanto e muito menos, pelo DLO? A quem interessam a falta de legalidade, de planejamento acurado e de transparência?

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