25 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

O poder terapêutico do asfalto

Por certo, muitas pessoas fazem juízos muito abalizados da administração municipal; a maioria, não! Dessa administração e de todas as outras. Tenho pra mim que a maioria da população, na verdade, muda de humor por razões bem prosaicas. Nesse caso, acho que não há nada mais influente no humor sete-lagoano do que o poder terapêutico do asfalto!

Tome o prefeito passado, por exemplo, caro leitor. Qualquer que seja a opinião que se faça dele, positiva ou negativa, acho que o fator determinante de sua impopularidade, ao final do mandato, foi o estado das ruas da cidade. Virou até motivo de piada, lembra-se? Se ele não tivesse subestimado a extraordinária força da terapia da pavimentação betuminosa talvez estivesse no cargo ainda hoje. Não está!

Tome, agora, o atual prefeito. Eu não sou um instituto de pesquisa para saber se ele é popular ou não. Mas, a levar a sério a alegria dos seus adversários, a popularidade dele deve estar no chão. Tudo parece fácil: basta não dividir a peleja para vencê-lo. Sei não. Não duvido nada que ele seja favorito em 2016, mas não em função de sua principal obra, a Estação de Tratamento de Água. Se ele o for, será pela impressionante capacidade transformadora dessa modalidade terapêutica à base de massa asfáltica, aplicada em dosagem intensiva, nos próximos 18 meses. Ele está com um caminhão de dinheiro pra isso! Quanto mais alisar as ruas da cidade mais esburaca o caminho dos seus oponentes.

É uma terapia duradoura? Não! Em pouco tempo, a doença dos buracos prolifera, novamente, no corpo urbano. É uma terapia sustentável? Não! Não deveria ser usada de forma generalizada; sabidamente, terapias alternativas mais permeáveis respondem melhor, em áreas de menor circulação. É uma terapia que corrige os vícios do crescimento desordenado? Não! É totalmente ineficaz contra esses vícios; até os agrava: se há desordem, ela apenas, pavimenta essa desordem.

Mas, acredite, meu amigo: funciona esplendidamente para mudar o humor e a disposição da maioria dos cidadãos, no momento em que ele deposita o voto nas urnas. Isso está escrito lá na cartilha da gestão municipal conservadora e não criativa: administrar é asfaltar!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 24/07/2015]

2 comentários:

Chico disse...

Enquanto isso, habitando uma São Paulo toda asfaltada, ressinto-me de uma estradinha de terra.

LEANDRO VIANA disse...

Vamos analisar a administraçao MR: terminou obras iniciadas e já orçadas na gestao anterior: reforma lagoa boa vista, estaçao transbordo, UPA 24h, iluminaçao praça do Carmo, canalizaçao grotao, dentre outras. Há excessoes a essa regra.
Diferencial: 1-Nenhuma grande empresa se instalou na cidade, como ocorreu anteriormente (Cartepillar e ampliaçao IVECO). Agora, as noticias sao de uma política local de distanciamento.2-açoes de pavimentaçao e limpeza de ruas bem executadas.3-fornecimento de medicamentos e assistencia medica na rede basica do SUS mais depreciada. Estao faltando medicamentos nas farmacias publicas que antes eram supridos com facilidade pelo municipio.