12 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

Um beco sem saída!

Até os anos 1980, Sete Lagoas cresceu de maneira razoavelmente equilibrada. Os mapas mostram uma malha urbana coesa em torno da área central. Já nos anos 1990, evidencia-se uma característica que ganhou força, adiante: a fragmentação. O tecido urbano passou a se esfarrapar nas bordas, seguindo eixos viários não planejados. Esse modelo de crescimento desordenado e periférico, hoje bastante bem configurado, apresenta impactos muito ruins: oneração das redes de serviços públicos, ampliação das distâncias com agravamento das condições de mobilidade, pressão sobre áreas ambientais frágeis e áreas rurais produtivas e, o que é pior, segregação social. No limite, têm-se guetos ricos e pobres que dão razão a uma frase maldita: “diga-me o seu CEP e eu lhe digo sua classe, sua renda e sua cor”.

A comparação entre os planos diretores elaborados nesses anos e o crescimento urbano verificado assinala um fato lamentável: eles foram ineficazes! No Plano Diretor de 1991, por exemplo, não havia orientação de crescimento na saída para Funilândia; cinco anos depois, a Cidade de Deus criou um novo vetor naquela direção. Agora, o Vetor Norte foi aprovado passando por cima do plano vigente de 2006. O planejamento público inexiste. Quem determina o crescimento da cidade é, exclusivamente, a especulação privada.

Essas foram duas considerações  que expus na palestra ‘Precisamos falar sobre Sete Lagoas’, no projeto Viva Voz do vereador Dalton Andrade, na semana passada. Uma terceira foi sobre o futuro. A nossa lei de uso e ocupação do solo, com 25 anos, precisa, urgentemente, ser atualizada; o Plano Diretor, por força do Estatuto da Cidade, deve ser revisto em 2016; faremos novas leis inúteis ou há na cidade um desejo genuíno de mudança?

Ordenar a cidade pressupõe impor o interesse público ao privado. Isso só é possível num processo participativo intenso, o que requer uma disponibilidade que pouca gente tem. A vida moderna expõe as pessoas comuns aos transtornos da cidade, à violência, ao estresse no trânsito, mas as distancia das soluções. As soluções ficam a cargo de pessoas não comuns mais comprometidas com o interesse privado do que com o público. Um beco sem saída!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 10/07/2015]

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