7 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

Nos primórdios da civilização

A Prefeitura está concluindo a chamada estação de transbordo, na esplanada da Estação Ferroviária, e já se pode, agora, observar o resultado daquela obra interminável. É lamentável! Não me refiro a uma observação estética porque isso é subjetivo e secundário. Refiro-me ao porte, à tipologia e à adequação da construção frente à natureza e ao tamanho do problema que ela se propõe a resolver e ao conforto que oferece à população usuária. É simplória demais!

O despropósito da solução adotada ali contraria o que se vê, Brasil afora. Não é necessário ir a cidades grandes e ricas; em viagens ao interior do país, frequentemente, pode-se deparar com estações de transbordo ou terminais de transporte coletivo primorosos. Como a mobilidade urbana tomou, justificadamente, uma dimensão muito grande, a ação de várias administrações municipais têm se dado à altura, com respostas invejáveis. Não aqui!

Não faz muito tempo, participei em Brasília de um seminário sobre cidades sustentáveis. Um dos bons painéis a que assisti apresentou um conjunto de boas práticas municipais sobre o tema ‘cidades para pessoas’. Sem ignorar a importância de obras de infraestrutura, o entendimento é que as cidades se tornaram muito hostis e precisam ser humanizadas. Eu pude ver um show de calçadas bem feitas, sistemas de circulação de pedestres e ciclistas muito bem pensados, redes de pontos de ônibus geniais, áreas urbanas revitalizadas; ou seja, tudo o que desprezamos.

Usualmente, o tratamento dado ao espaço público é um bom indicador tanto da qualidade das gestões municipais quanto, mais amplamente, da cultura urbana daquela sociedade. Quando visitamos uma cidade muito limpa, com praças bem cuidadas, equipamentos urbanos bem feitos, áreas centrais revitalizadas saímos, sempre, com a impressão de que são mais civilizadas. Comparativamente, com olhos de turistas, se tomamos a nova estação de transbordo e juntamos a ela as calçadas, os pontos de ônibus, as praças, a bagunça da área central, sem dúvida, vamos concluir que Sete Lagoas está nos primórdios da civilização. E cá entre nós: bem que podíamos acelerar esse nosso processo evolutivo; é ou não é?!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 03/07/2015]

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