3 de jun de 2015

'Cidade Aberta'

O momento é crítico!

Tive oportunidade de assistir, no UNIFEMM, a uma apresentação sobre o Vetor Norte, em frente à IVECO, feita pelo representante do fundo FINVEST. Na Câmara, esse empreendimento foi tratado simploriamente como um projeto de aumento de perímetro urbano para uso misto. Na mesa do prefeito, apenas como um porto seco. No entanto, é muito mais do que isso: articula um porto seco, uma ZPE – zona de processamento de exportação, um distrito industrial, um condomínio plug & play, um condomínio residencial unifamiliar e outro, multifamiliar, de rendas média e alta, um parque e uma área institucional. Os números são impressionantes. Sob a ótica do empreendedor, por óbvio, é algo extraordinário. A pergunta inevitável é de outra ordem: qual o impacto de um empreendimento dessa magnitude sobre Sete Lagoas? Ninguém sabe porque, simplesmente, isso não foi estudado! Dá pra crer?

É verdade. Os empreendedores são capazes de apresentar uma infinidade de estudos. Mas todos eles destinam-se, exclusivamente, a dar segurança ao seu plano de negócios e referem-se, restritamente, à sua área de interesse. Eles não estão brincando. Quem está brincando é a Prefeitura!

Nenhuma cidade viraria as costas a um projeto como esse, mas nenhuma o aprovaria com a irresponsabilidade com que Sete Lagoas o fez.

Há dois cenários à frente: empreendimentos dessa monta, pela força política e econômica que reúnem, podem determinar processos de crescimento urbano fora de controle, como podem impulsionar processos estruturadores, com potencial de sustentabilidade. Há casos conhecidos nas duas direções. Muito mais na primeira do que na segunda.

Tudo depende da qualidade da negociação que se desenvolve. O empreendedor gastou um milhão de reais em planejamento e sentou-se à mesa sabendo como colocar a cidade a favor de seu negócio. Levou! Do outro lado, encontrou uma Prefeitura desestruturada, perdida em intrigas internas e incapaz de converter o processo numa oportunidade de reestruturação urbana.

O momento é crítico! É urgente que Sete Lagoas se reposicione e reúna, ao preço que for, estudos estratégicos e maturidade política para reequilibrar o jogo, com altivez, em defesa da cidade e do interesse público!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 29/05/2015]

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