7 de mai de 2015

'Cidade Aberta'

Resignação ou destemor

No seminário sobre Agricultura Urbana, promovido pelo vereador Dalton Andrade, na semana passada, coube a mim falar sobre a Democratização do Espaço Urbano. Abordar esse tema, em última instância, pressupõe responder a uma pergunta fundamental: é possível termos cidades democráticas em uma economia que, estruturalmente, gera desigualdades? A realidade parece nos dizer que não; mas precisamos crer que sim.

Uma segunda pergunta que procurei responder foi a seguinte: como atribuir dimensão pública e democrática ao espaço da cidade? Uma coisa parece ser intrínseca à outra, mas não é. Por razões muito diferentes, nem os mais iguais nem os mais desiguais usufruem, com liberdade plena, do espaço urbano.

Seja como for, a qualidade ambiental do espaço público e o uso que ele permite e potencializa parece ser o ponto central dessa conversa. Em Sete Lagoas, eles vão se degradando dia a dia, impunemente. Com imagens, eu procurei evidenciar esse fato comparando pontos de ônibus, ciclovias e outros espaços cotidianos sete-lagoanos com similares não de uma cidade europeia, mas de Sorocaba, aqui em São Paulo. Um contrate terrível!

A ideia não era sugerir que Sete Lagoas copiasse essa ou aquela cidade exemplar, mas apenas questionar em que patamar, entre nós, esse debate está posto e em qual ele merece estar. Tem-se aí uma questão de paradigma: enfim, qual o modelo de cidade temos em nossas mentes como objeto de nosso desejo e de nosso direito? O que temos corresponde ao que ambicionamos  ou queremos mais e quanto mais?

De certa forma, os paradigmas a que nos apegamos revelam o nosso nível de resignação ou de destemor. Um exemplo: entre nós, pensar numa cidade onde se tem um uso intensivo de bicicletas como meio de transporte é utopia; já em Amsterdam, é coisa do século passado. Estamos resignados a viver com um século de atraso; é isso?!

A mim me parece que a qualidade dos nossos espaços públicos revela a qualidade de nosso ambiente político. Se isso for verdade, significa, então, que não fomos capazes de construir, ainda, uma vida política criativa, inovadora e transformadora. A que temos nos permite, sim, dar passos, um-a-um, mas a dar saltos evolutivos, nunca!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 24/04/2015]

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