10 de abr de 2015

'Cidade Aberta'

Bairrista

Nesta semana, ocorreram em Brasília o I Seminário Internacional Cidades Sustentáveis e o III Encontro de Municípios com o Desenvolvimento Sustentável. Foram quatro dias de debates sobre diversos temas de interesse das cidades brasileiras. Foram dias, também, de apresentações sucessivas de boas práticas de gestão urbana desenvolvidas em vários lugares do mundo.

Sobre economia local, por exemplo, foi possível comparar experiências de Piraí, Umuarama e Lyon. Sobre mobilidade, iniciativas de Rio Branco, Maricá, Seul, Lyon e Amsterdã. Sobre desenho urbano, de Palhoça, Londrina e Medelín. E mais sobre governança, segurança, consumo responsável, ações locais para a saúde e por aí afora. Impressionante como há administrações públicas comprometidas com inovações que fazem toda a diferença para as suas cidades!

Por falar em inovação, coincidentemente, aconteceu em Brasília, também nesta semana, a premiação do 19° Concurso de Inovação na Gestão Pública Federal. De novo, uma multiplicidade de boas práticas, nesse caso, de órgãos da administração federal direta e indireta. Como, para minha satisfação, ainda no ano passado, fui convidado pela ENAP, a Escola Nacional de Administração Pública do Ministério de Planejamento, para integrar o Comitê Julgador do concurso, tive a oportunidade de conhecer várias dessas práticas, muitas delas inspiradoras para realidades municipais.

Bairrista que sou, ao me deparar com essa profusão de esforços, no país e no mundo, para tornar a vida urbana melhor, sempre lamento, na longa lista de cidades que andam se revolucionando, de Ibiarema, em São Paulo, a Évora, em Portugal; de Abaetetuba, no Pará, a New York, nos EUA; de Itaúna, em Minas, a Barcelona, na Espanha, a ausência da mais especial delas: Sete Lagoas!

Desculpe-me, caro leitor, em momentos assim, pelo sentimento de absoluta perplexidade de que sou tomado. Desculpe-me pelo lamento. Mas, sinceramente, não consigo entender como uma sociedade com pessoas tão criativas e com um ambiente privado tão dinâmico, como a nossa, é capaz de conviver, anos a fio, silenciosamente, com um poder público tão atrasado e tão desinteressado em se reinventar!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 10/04/2015]

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