5 de mar de 2015

Por uma agenda progressista para Sete Lagoas

Sete Lagoas é conhecida como uma cidade politicamente conservadora. Mais do que conservadora, como uma cidade politicamente atrasada.

Não há paralelo entre a situação da administração pública local e a de cidades de mesmo porte no estado. Em mais de duas décadas, uma sucessão de governos anacrônicos deixou a cidade parada no tempo. Nessa série administrativa de anos e anos, mesmo experiências potencialmente renovadoras foram mau sucedidas e incapazes de mudar o status quo.

Temas já envelhecidos em diversas gestões municipais permanecem desconhecidos aqui.

O cenário à frente não é promissor. Ainda que muitos vejam, no insucesso da atual administração, sinal de esgotamento desse modelo, ou desse anti-modelo, as alternativas que se apresentam são variações do mesmo estilo patrimonialista, clientelista e personalista.

Isso reforça  a necessidade de se construir uma agenda progressista de contraste, de contraponto.

Uma agenda progressista significa também, mas não exatamente uma agenda de esquerda. Mesmo dentro de uma visão de cidade mercantilista, há estágios que, localmente, ainda não foram alcançados. A chamada agenda modernizante - de modernização de estrutura e de processos públicos - é um exemplo de projeto já implantado em várias cidades, muitas sob governos ideologicamente conservadores, que passou longe daqui.

Uma agenda progressista, a meu ver, deve incorporar esse viés modernizante e avançar, com um debate de conteúdo ideológico, na direção do enfrentamento dos grandes desafios postos para as cidades contemporâneas, muitos deles determinados pela fragilização da autoridade pública e pela falta de uma delimitação mínima do que é o interesse público, coisa e outra sobrestadas pela excessiva influência do poder econômico na política, na gestão pública e na determinação do crescimento urbano.

Um comentário:

Frederico Drummond disse...

Um bom começo seria a criação de um Centro de Tecnologia Social, que permitisse replicar em Sete Lagoas experiências que frutificaram em muitos cantos do Brasil, além de sistematizar nossas próprias experiências. Um primeiro passo para isto poderia ser a organização de seminários pautando temas como da captação de água de chuva, sistemas tradicionais de saúde (acupuntura, ervas medicinais, yoga e outros), hortas comunitárias, sistemas de produção, comercialização e de finanças solidárias/cooperativas solidárias autênticas).