30 de mar de 2015

'Cidade Aberta'

Impressionante, não?

Em meio à crise hídrica que vivemos, o Dia Mundial da Água, comemorado no último domingo, ganhou destaque especial. Em Sete Lagoas, evento promovido pela Câmara, no dia seguinte, por iniciativa dos vereadores Dalton e Caramelo, foi marcado não apenas pela qualidade dos painéis apresentados, mas, sobretudo, pelo público que lotou a casa.

Em meio ao debate sobre o tema, um aspecto tem me chamado atenção: o do extraordinário índice de desperdício, comum a todos os sistemas de abastecimento, públicos e privados. Ainda que essencial, creio que se torna mais difícil convencer o cidadão comum a economizar a água de seu banho quando ele se defronta com os números absurdos de água jogada fora.

Estudo do Instituto Trata Brasil, que circulou na imprensa nesta semana, deu conta de que, em 2013, no país, mais de 6,5 bilhões de metros cúbicos de água tratada foram perdidos, o que equivale a sete sistemas Cantareira - quando a falta de um só já anda alarmando todo mundo - ou, em dinheiro, a um esbanjamento de R$ 8 bilhões. Em média, as companhias de saneamento, país afora, deixaram ir para o ralo 40% da água que produziram.

Segundo o mesmo estudo, tão ruim quanto a realidade são os cenários que se apresentam. Na última década, a redução de perda não foi além de 3%; e a projeção mais otimista – se houver um esforço hercúleo – é de que o Brasil só chegará a patamares de países desenvolvidos, na casa de 15%, em 20 anos! Isso é, se o colapso hídrico nos permitir chegar até lá.

Trazendo o assunto para Sete Lagoas, cuja taxa de desperdício não difere da média nacional, para se ter uma ordem de grandeza, significa dizer que toda água que estamos buscando no Rio das Velhas destina-se, não mais, a repor a que jogamos fora. Impressionante, não?

Pra mim, é tão impressionante que a redução dessa perda deveria ser posta pelo SAAE como objetivo número um. Ele deveria divulgar o índice atual, o seu programa de trabalho e, ano a ano, a meta projetada e alcançada. Não tenho dúvida de que, diante desse exemplo, o cidadão sete-lagoano se sentiria não apenas por constrangimento, mas por solidariedade, muito mais motivado a fechar a sua torneira.

[Artigo publicado na coluna Cidade Aberta no jornal SETE DIAS em 27/03/2015]

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