14 de mar de 2015

'Cidade Aberta'

Sala de Situação

O aumento da violência na cidade tem atemorizado os sete-lagoanos. A saída tradicional tem sido pedir ao governador o aumento do efetivo policial, o que é, de fato, importante. Mas, sabendo-se que o estado está quebrado, se esse pedido não puder ser atendido, assistiremos à escalada da criminalidade de braços cruzados? Não há nada a ser feito no nível municipal? Acho que há, sim; e muito!

As cidades que alcançaram bons resultados no combate à violência foram, exatamente, as que conseguiram associar um conjunto de ações locais com as ações policiais. Nesse sentido, creio que, como primeiro passo, em parceria com a PM, a Prefeitura deveria montar uma pequena estrutura nos moldes de uma Sala de Situação ou de uma Sala de Inteligência. Nada semelhante a uma burocrática e cara Secretaria de Segurança Pública; mas a uma célula enxuta, especializada e ágil, ligada diretamente ao prefeito. E barata! Há talentos desperdiçados entre servidores municipais e há cargos livres na Prefeitura que, bem aproveitados, reduziriam seu custo a quase zero.

Uma Sala de Situação – insisto: em parceria com a PM – teria funções muito claras: centralizar, processar e georreferenciar todos os dados relativos a ocorrências de criminalidade; coordenar o monitoramento do olho-vivo; definir uma estratégia integrada e sistêmica de ação; subsidiar o prefeito na tomada de decisões; orientar a inserção das secretarias municipais, sobretudo as da área social; orientar a população, regularmente, com boletins sobre ocorrências mais frequentes e condutas mais adequadas; e, por fim, articular-se com os conselhos municipais e as entidades privadas para atuação consorciada.

Esses dois últimos pontos merecem destaque: não se vence a violência sem uma consistente e ampla mobilização social. É preciso criar um ‘senso de comunidade’ contra o medo. A propósito, é de se aplaudir a iniciativa da ACISEL de incentivar e coordenar um processo mobilizador, envolvendo entidades representativas, Prefeitura e Câmara. Esse processo pode, seguramente, dar sustentação, política e financeira, à Sala de Situação. E mais: pode até mesmo reforçar o poder de negociação da cidade para garantir o aumento de efetivo da PM.

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 13/03/2015]

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