18 de fev de 2015

'Cidade Aberta'

Jogo de empurra

Entre governos, tornou-se usual o jogo de empurra sobre as responsabilidades de cada um como se não existissem leis que definissem as respectivas competências. Os casos de desabastecimento de água em SP e BH são exemplos disso. Em especial, na atual crise política, tudo virou culpa do governo federal. Essa diluição de responsabilidades, a meu ver, não contribui em nada para termos governos melhores.

Em Sete Lagoas, assuntos, mesmo os mais provincianos, como a péssima situação da pavimentação das ruas ou o lamentável estado de degradação do Parque da Cascata, não podem ser debatidos sem que se caia nesse vício: tudo se deve à crise financeira causada pela Dilma. Será?

Quem conhece orçamento público sabe que, em destaque, há sim um histórico subfinanciamento federal e estadual da saúde que onera abusivamente os municípios. No nosso caso, investimos o dobro do exigido por lei, o que não resolve o problema e ainda drena recursos das outras áreas. Mas eu pergunto: esse fato deveria ser razão de vitimização – como tem sido – ou deveria motivar um gerenciamento mais audacioso das receitas e do custeio da Prefeitura?

A administração municipal apostou numa reforma administrativa capaz de ampliar a sua capacidade operativa com uma estrutura mais moderna, mais enxuta e menos onerosa? Não!, ao contrário, inchou a máquina com quadros de gabinete ao custo adicional de R$ 3 mi por ano.  Apostou na geração de novos recursos, através de uma revisão inteligente da legislação e do uso de tecnologia para combate a evasão? Não!, ateve-se a um aumento atabalhoado de IPTU com resultados pífios. Sofisticou e deu mais transparência aos mecanismos de licitação e compras para redução de perdas de dinheiro público? Não!, não produziu uma só inovação nessa área. Ou seja, em agendas que estão sendo priorizadas em várias cidades, aqui, não se deu um passo.

Nesse inútil jogo de empurra, creio que resta a nós cidadãos sermos menos ingênuos e mais astutos. Se todos os governos fossem indefesos reféns de Brasília, não haveria cidades mais avançadas, não é mesmo? Se há, por certo, é porque souberam fazer a sua parte e se organizar de forma mais profissional. Com mais competência e com menos lamúria!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 13/02/2015]

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