12 de jan de 2015

'Cidade Aberta'

Estaca zero

O último Diário Oficial do município, no último dia do ano passado, trouxe a mudança de alguns secretários – o que é normal – e a exoneração de mais de três dezenas de ocupantes de cargos diretivos e de assessoramento, de livre nomeação, o que gera constatações curiosas. Ora, se 30 cargos mantidos vazios não fazem falta, então, são cargos descartáveis e estiveram ocupados desnecessariamente. E mais: se uma grande parte deles foi criada, há apenas dois anos, sob pretexto de que se destinava à melhoria da ação pública, fica a evidência de que não cumpriu os objetivos pretendidos e de que aquela reforma administrativa foi mesmo um engodo.

Em geral, tendemos a dar pouca importância a essa questão da estrutura da Prefeitura. Temos o péssimo hábito de exigir bons serviços, esquecendo-nos do óbvio: organizações, públicas ou privadas, desestruturadas não geram bons resultados. Quem conhece minimamente o organograma da Prefeitura sabe que ele não é apenas confuso; ele é incompreensível e fora do tempo.

O que a atual administração vem fazendo não é novidade: cria penduricalhos nessa colcha já remendada, incha a máquina pública, “passa o facão”, como agora, quando as contas, previsivelmente, não fecham, vai, volta e chega à estaca zero! Com tanto amadorismo, faz política, mas não governa uma cidade.

Modernizar a organização pública não é tarefa para se subestimar. Não é fácil fazê-la sem o risco de paralisar a gestão. Como se diz: é como trocar os pneus com o carro andando. Mas, em Sete Lagoas, depois de anos e anos, chegamos a tal ponto de inoperância e dispêndio inútil que não nos sobrou alternativa. E não me refiro apenas à arrumação de quadradinhos num organograma, mas ao redesenho de processos gerenciais de forma a otimizar o trabalho do servidor, agregar o máximo de tecnologia disponível e incorporar soluções inovadoras que garantam a produção de serviços mais qualificados.

Se o atual ou algum prefeito vai abandonar atalhos e vai ter coragem de trilhar esse caminho, eu não sei; mas, se não o fizer, que pode fazer muito barulho, pode, mas que não governará – na melhor acepção da palavra – e não entregará o que a população reclama, disso eu tenho certeza!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 09/01/2015]

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