4 de dez de 2015

'Cidade Aberta'

Nero Tupiniquim

O dia 02 de dezembro entra para a história como o Dia Nacional da Chantagem. Ao deflagrar o processo de impeachment contra a presidente Dilma, usando o cargo, ilegalmente, para vingança pessoal, em razão do partido da presidente ter se posicionado contra ele, horas antes, no Conselho de Ética, Eduardo Cunha ofereceu aos antidemocratas do país o seu mais grotesco espetáculo: enfim, pôs fogo em ‘Roma’.

'Cidade Aberta'

Com brilho nos olhos

Sete Lagoas comemora, nesta semana, seus 148 anos. A data, inevitavelmente, fica um tanto sombreada pela proximidade com os seus 150 anos, logo à frente, tão mais simbólicos. Seja como for, cada um comemora a seu modo, entre a exaltação e a crítica.

20 de nov de 2015

'Cidade Aberta'

Terrível, não?!

O site do SETE DIAS repercutiu, nesta semana, matéria do jornal Hoje em Dia sobre o aumento de crimes violentos em MG, de janeiro a setembro de 2015 face ao mesmo período de 2014. A notícia não é boa: entre as maiores cidades mineiras, as com população acima de 200 mil habitantes, Sete Lagoas figura num preocupante 4º lugar, depois apenas de Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Montes Claros.

14 de nov de 2015

'Cidade Aberta'

Papelaria

Em 2011, quando a região serrana do Rio de Janeiro derreteu-se, a causa apontada não foi apenas a temporada de chuvas intensas, mas a sua associação com a ocupação desordenada das áreas rurais com uso urbano. À época, os urbanistas consultados foram obrigados a reconhecer que os planos diretores das cidades afetadas haviam fracassado no seu objetivo de promover o ordenamento territorial. Eram apenas papéis inócuos na defesa do interesse público frente ao pragmatismo dos interesses privados.

'Cidade Aberta'

Obscurantismo

As câmaras de Sete Lagoas e Campinas viraram motivo de chacota, nas redes sociais, por terem aprovado monções dirigidas ao MEC, repudiando a inserção de uma questão no ENEM sobre igualdade de gênero. Se a questão, baseada na conhecida frase de Simone de Beauvoir de que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, publicada no longínquo pós-guerra, pretendesse suscitar uma reação opinativa do estudante sobre o tema, ainda assim seria pertinente por sua atualidade. Não obstante, ela sequer teve essa intenção, focando, na verdade, na sua dimensão histórica, sobre com qual movimento essa frase havia contribuído na década de 1960. Testar o conhecimento do aluno de ensino médio sobre os movimentos de protesto, no mundo todo, em especial na França, naqueles anos, é algo absolutamente adequado, embora os vereadores não pensem assim.

'Cidade Aberta'

Um sonho intenso

No último sábado, assisti a um documentário fantástico no canal Curta!, debatendo o processo de industrialização e o modelo de desenvolvimento brasileiros, de Vargas a Lula, a cada período político. Dentre outros,  contava com a participação de economistas como Adalberto Cardoso, Belluzzo, Maria da Conceição Tavares, José Murilo de Carvalho, Carlos Lessa, João Manuel Cardoso de Melo e Francisco de Oliveira. A um só tempo, mostrava, de maneira equilibradíssima e compreensível, tanto o lado contraditório quanto o evolutivo da história nacional, nesse quase um século. O nome era, em si, muito sugestivo: ‘Um sonho intenso’.

29 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Trapalhadas

Penso que estamos adquirindo o péssimo hábito de tratar precariamente temas públicos importantes. Levantamos a lebre, mas nunca conseguimos construir soluções seguras por uma indisfarçável incapacidade de negociação.

20 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Remando contra a maré

Toda vez que se fala em revitalização da área central de Sete Lagoas, especialmente das ruas Monsenhor Messias e Emílio de Vasconcelos, depara-se com, pelo menos, dois problemas aparentemente intransponíveis: a falta de um lugar na Prefeitura que, efetivamente, planeje e coordene projetos de política urbana e a presumida resistência ou falta de consenso dos comerciantes da região. Nesse caso, talvez valha a pena tomarmos conhecimento do que disse a secretária municipal de Transporte de NY, Janette Sadi-Khan, no Seminário ‘A bicicleta em SP: políticas públicas para transformar a cidade’, no final de setembro.

9 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Esse calor infernal

Esse calor infernal de primavera tem evidenciado o quanto Sete Lagoas, se já era uma cidade quente, tornou-se mais quente ainda. Em dias de baixa umidade do ar, então, a sensação térmica anda insuportável. Isso atesta que a forma como temos pensado a cidade, especialmente os espaços públicos, ignora solenemente a região em que estamos.

8 de out de 2015

'Cidade Aberta'

Gatos escaldados

Frequentemente, acho que temos um comportamento político meio doentio. Elegemos um assunto como prioridade, mobilizamo-nos em torno dele, fazemos um oba-oba danado e, aí, damo-nos por satisfeitos. A prioridade, propriamente, fica do mesmo tamanho, sem solução alguma.

'Cidade Aberta'

Revoada

O término do prazo de filiação para as eleições de 2016 está obrigando os políticos a uma apressada acomodação e abrindo uma animada temporada de especulações. Quem vai, afinal, desafiar o prefeito para tomar-lhe a cadeira do terceiro andar da Barão do Rio Branco?

18 de set de 2015

'Cidade Aberta'

Tanto faz

Uma coisa é, em torno de um projeto de cidade ou um plano de governo identificado com uma liderança política, a convergência de apoios de outras lideranças, ainda que com perfis ideológicos distintos. Outra, muito diferente, é um acordo feito em torno de projeto nenhum como mera estratégia de disputa eleitoral. Se a sociedade brasileira não tem visto com bons olhos uma coisa, imagine a outra!

[Foto publicada na coluna Sem Reserva, no SETE DIAS, em 18/09/2015]

14 de set de 2015

'Cidade Aberta'

Insegurança

A função social da propriedade é o fundamento constitucional que permite às legislações urbanísticas, nas várias cidades, definir o que pode e o que não pode ser feito nos terrenos urbanos. Isso tem efeitos práticos. Por exemplo, por ser proprietário, você não pode fazer o que bem quiser em seu lote, mas apenas o que a lei permitir. Outro: o direito de construir não é igual para todos, mas varia, sobretudo, segundo a inserção de cada terreno no contexto urbano. Mais: se a lei mudar e você não tiver edificado em seu lote, o seu direito de hoje não prevalece amanhã; a função social acompanha a dinâmica urbana; não há direito adquirido, nesse assunto.

4 de set de 2015

'Cidade Aberta'

#CentrodeCulturaCompartilhadoEuApoio

Uma moçada ligada à arte está propondo a conversão do antigo Zoológico da Boa Vista, fechado há alguns anos, em um Centro de Cultura Compartilhado. É uma ideia que, a meu ver, tem duas grandes virtudes: a boa ocupação e a ressignificação de um espaço público abandonado e o reconhecimento de uma forma inovadora de organização política, em torno da cultura.

27 de ago de 2015

'Cidade Aberta'

Pitanga e jabuticaba

A ampla maioria das administrações municipais segue um modelo que eu chamaria de provedor. A tarefa que lhe é posta resume-se a prover serviços demandados pela população. Serviços de água, esgoto, saúde, pavimentação, educação e por aí afora. Todas as administrações sete-lagoanas, nos últimos anos, com maior ou menor sucesso, trilharam esse caminho.

21 de ago de 2015

'Cidade Aberta'

Profundo silêncio

Depois de ter se transformado num escândalo nacional, a suspeita de desvios de recursos na Câmara Municipal de Sete Lagoas foi guardada no mais profundo silêncio. Na própria Câmara parece ter se tornado um assunto proibido. Ou perigoso. E, naturalmente, onde impera o silêncio, falta transparência e sobram especulações.

19 de ago de 2015

A Marcha do Terror

São duas coisas diferentes.

Uma coisa é indignar-se com escândalos de corrupção. Ou, por razões ideológicas, discordar e opor-se frontalmente aos governos do PT. E, em razão disso, ir às ruas e manifestar-se, energicamente. Isso é legítimo!

Outra, em nome do combate à corrupção, é fechar os olhos para a realidade da política brasileira e demonizar um lado e endeusar o outro. É levantar bandeiras sem questionar suas consequências, nessa lógica de ser oposição por ser oposição. Isso ou é inocência ou é oportunismo.

Mas, sobretudo, em nome da falácia pretensamente inocente das boas causas, é marchar atrás de faixas de ódio como as que foram levantadas no último domingo. Quem admite estar ao lado de cartazes sangrentos como 'por quê não mataram todos em 1964' e 'Dilma, pena q não te enforcaram no DOI-CODI', em alguma medida, compactua-se com eles. Não há desculpas: o nome disso é terrorismo!

15 de ago de 2015

'Cidade Aberta'

Todos os gatos são pardos

A crise é política! Essa afirmação ecoou nesse início ameaçador de agosto. Filha legítima da crise na economia com a crise ética da Lava jato, ela traiu sua origem para se entregar à paixão do poder pelo poder. Inversamente, é ela, agora, que agrava a crise econômica e apropria-se como quer do escândalo de corrupção.

11 de ago de 2015

'Cidade Aberta'

Amadorismo

As revelações desta semana, estampadas em jornais, sobre o desvio de recursos na Câmara Municipal desmontam a impressão inicial de que tudo se resumia a uma ação pontual e pessoal e sinalizam tratar-se de algo amplo, sistemático e institucionalizado. É pouco crível que um esquema assim tenha operado por quinze anos, apropriando valores equivalentes a 20% da receita anual da Casa, sem uma organização própria e sem a cumplicidade de vereadores em cargos de direção. A conferir.


10 de ago de 2015

'Cidade Aberta'

A degradação do espaço público

A gente vai se acostumando tanto com a degradação do espaço público que perde de vista o seu potencial em oferecer aos cidadãos possibilidades de uso mais instigantes e de convívio mais dinâmicas e em criar ambiências mais ricas e de maior qualidade estética pra cidade.


25 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

O poder terapêutico do asfalto

Por certo, muitas pessoas fazem juízos muito abalizados da administração municipal; a maioria, não! Dessa administração e de todas as outras. Tenho pra mim que a maioria da população, na verdade, muda de humor por razões bem prosaicas. Nesse caso, acho que não há nada mais influente no humor sete-lagoano do que o poder terapêutico do asfalto!

23 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

O ovo e a galinha

O uso do carro particular tornou-se um costume tão arraigado, entre nós, que quem o utiliza não vê futuro sem ele. Pode-se viajar ao exterior, apaixonar-se pelos sistemas de transporte de lá, que, quando se retorna, aqui, não se desapega do próprio carro, de jeito nenhum. Como no caso do ovo e da galinha: a adoção espontânea pelo cidadão de novas práticas de locomoção é que pressionará a melhoria do sistema público ou a melhoria do sistema é que estimulará as pessoas a deixarem o carro na garagem?

12 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

Um beco sem saída!

Até os anos 1980, Sete Lagoas cresceu de maneira razoavelmente equilibrada. Os mapas mostram uma malha urbana coesa em torno da área central. Já nos anos 1990, evidencia-se uma característica que ganhou força, adiante: a fragmentação. O tecido urbano passou a se esfarrapar nas bordas, seguindo eixos viários não planejados. Esse modelo de crescimento desordenado e periférico, hoje bastante bem configurado, apresenta impactos muito ruins: oneração das redes de serviços públicos, ampliação das distâncias com agravamento das condições de mobilidade, pressão sobre áreas ambientais frágeis e áreas rurais produtivas e, o que é pior, segregação social. No limite, têm-se guetos ricos e pobres que dão razão a uma frase maldita: “diga-me o seu CEP e eu lhe digo sua classe, sua renda e sua cor”.

7 de jul de 2015

'Cidade Aberta'

Nos primórdios da civilização

A Prefeitura está concluindo a chamada estação de transbordo, na esplanada da Estação Ferroviária, e já se pode, agora, observar o resultado daquela obra interminável. É lamentável! Não me refiro a uma observação estética porque isso é subjetivo e secundário. Refiro-me ao porte, à tipologia e à adequação da construção frente à natureza e ao tamanho do problema que ela se propõe a resolver e ao conforto que oferece à população usuária. É simplória demais!

Dúvidas não faltam...

Em atenção a um leitor anônimo, que disse que eu devia ter postado o texto anterior ['O sete-lagoano não merecia coisa melhor?!'] há três anos e não agora, publico artigo da coluna Cidade Aberta, publicado originalmente no SETE DIAS, em 23/06/2011, portanto, quatro anos atrás, sobre o mesmo tema: a tal estação de transbordo.

27 de jun de 2015

O sete-lagoano não merecia coisa melhor?!

Terminal de Transporte Coletivo made in Sete Lagoas...

Várias cidades têm se esmerado na construção de seus equipamentos públicos. Estações de transbordo, terminais de transporte coletivo, de maneira geral, têm sido objeto de projetos primorosos. Mas não em Sete Lagoas! Aqui, numa esplanada cênica, num ambiente urbano fantástico, a Prefeitura foi capaz de construir uma central de pontos de ônibus indescritível! Não apenas do ponto de vista estético, mas, sobretudo, do ponto de vista do [des]conforto do cidadão. Francamente: o sete-lagoano não merecia coisa melhor?!

Entrevista sobre o Vetor Norte de Sete Lagoas no SETE DIAS

SD: Em suas colunas, no SETE DIAS, você tem questionado o empreendimento Vetor Norte, em frente à IVECO. Por que você se opõe a ele?
FC: Não se trata de oposição. Não resta dúvida de que Sete Lagoas precisa de novos investimentos. Mas é obrigatório que novos negócios estejam subordinados a um plano global de desenvolvimento urbano. E não estão! Estamos errando nesse ponto fundamental! Essa é a minha crítica.

SD: O empreendedor alega que desenvolveu todos os estudos necessários. Isso não é fato?
FC: Os projetos desenvolvidos destinam-se exclusivamente à garantia da viabilidade do negócio. Nenhum estudo foi realizado para avaliar os impactos ambientais, sociais e urbanos de um empreendimento dessa magnitude sobre a cidade e quais as contrapartidas e condicionantes seriam necessárias. O empreendedor cuidou muito bem dos seus interesses privados; faltou quem zelasse pelo interesse público.

SD: Qual o papel do Legislativo e do Executivo nesse processo?
FC: Na Câmara, apenas um vereador questionou o projeto, todos os demais aprovaram-no sem medir as consequências. Duvido que qualquer um deles seja capaz de, ao menos, descrever o empreendimento. Isso vale também para o Executivo. As nossas autoridades agiram com um descaso inaceitável.

SD: Quais os problemas você vê nesse empreendimento?
FC: O Vetor Norte envolve uma área de 800 ha, a geração potencial de 25 mil empregos e uma população residente de 20 mil pessoas, além de um enorme complexo industrial. Ele traz os problemas inerentes a todo mega empreendimento: altera toda a lógica de desenvolvimento da cidade. Não de parte, mas de toda a cidade. Essa nova lógica pode ter efeitos favoráveis ou desastrosos. É uma ilusão acreditarmos que seremos uma Campinas se cometemos os mesmos erros de uma Betim. Um exemplo: os condomínios residenciais do Vetor Norte são exclusivos para renda alta; nada de Minha Casa Minha Vida. O que ocorrerá com os trabalhadores de baixa renda que são a maioria em projetos industriais? Formarão, no entorno, um cinturão de ocupação desordenada? Outro exemplo: ainda que o rodoanel saia do papel, como ficará a conexão dessa nova cidade com o centro urbano; continuará sendo feito pela Santa Juliana?

SD: O que era de se esperar da Prefeitura?
FC: Que se posicionasse na mesa de negociação com altivez e não com submissão. Que recepcionasse bem a proposta do Vetor Norte, mas respondesse com um aparato de planejamento, no mínimo, no mesmo padrão do apresentado pelo empreendedor. Que realizasse todos os estudos necessários para mensuração dos impactos do projeto e estabelecesse, com firmeza, as condições para que esse empreendimento se colocasse a serviço da cidade e não o contrário, como ocorreu. Mais do que facilidade, que oferecesse segurança.

SD: O que ainda é possível fazer nesse sentido?
FC: Esse projeto foi aprovado sem que ocupação e uso similares estivessem previstos no Plano Diretor para aquela região, o que é uma exigência legal. Isso o torna vulnerável a questionamentos pelo MP. Por outro lado, a mesma Prefeitura protocolou na Câmara novos projetos de revisão da legislação urbanística que, estranhamente, invalidam o Vetor Norte. Inacreditável! Quero dizer que temos uma obscuridade de regras que não oferecem garantia à cidade sobre o seu futuro nem um ambiente de negócios seguro para empreendedores. Com urgência, a Prefeitura deveria fortalecer a sua estrutura de planejamento urbano e iniciar um processo sério de revisão do Plano Diretor, não para gerar mais um plano genérico, mas um que, efetivamente, tome as decisões que precisam ser tomadas, com visão estratégica. E, sobretudo, discuta essas decisões publicamente.

SD: A cidade participou pouco dessa decisão do Vetor Norte, não?
FC: Esse assunto foi escamoteada pela Prefeitura; ora tratado como um inofensivo aumento de perímetro, ora como apenas um porto seco; nunca com a sua complexidade real. Eu tenho conversado sobre isso com cidadãos bem informados e o desconhecimento é geral. Essas grandes decisões definem a rotina do sete-lagoano. Se ele está obrigado a se blindar contra a violência, a conviver com serviços públicos ruins, a sofrer com o trânsito, ele tem o direito de opinar sobre o futuro da sua cidade.

'Cidade Aberta'

'Universidades do crime'

O Ministério da Justiça divulgou, nesta terça, 23, o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias. Segundo o INFOPEN, com mais de 600 mil presos, o Brasil tem a 4ª maior população carcerária do mundo. Embora pareça não causar espécie, há aí um dado estarrecedor: a maioria dessa população é composta por jovens, pobres, negros e de baixa escolaridade. Exatamente o mesmo perfil da população que é, também, a maior vítima de assassinatos no país. Isso não é normal! Uma sociedade que estigmatiza seus jovens, pobres, negros e de baixa escolaridade não é normal!

'Cidade Aberta'

Vale tudo

Creio que há um razoável consenso de que o aumento da violência urbana, nas suas formas mais graves, está diretamente ligado a certa licenciosidade no trato com infrações menores, inclusive as de trânsito. Por essa lógica, ambientes onde se difunde uma maior consciência cidadã tendem a ser mais seguros e vice-versa. É esse o argumento que tem justificado políticas de tolerância zero, implantadas mundo afora. Se ele for verdadeiro, a observação do desrespeitoso trânsito nas ruas de Sete Lagoas dá dicas de por que a nossa taxa de criminalidade anda nas alturas.

13 de jun de 2015

'Cidade Aberta'

'Por que cresce a violência no Brasil?'

Li, dias atrás, ‘Por que cresce a violência no Brasil?’, de Luís Flávio Sapori e Gláucio Ary Soares. Acessível a leigos, não é por isso um livro menos consistente. Ele tenta apontar saídas para o problema para além de dogmatismos simplistas, de direita e de esquerda, montando uma equação um pouco mais complexa.

3 de jun de 2015

'Cidade Aberta'

Pífio!

Pois então. Anda sendo lamentável observar o desfecho de toda a indignação que explodiu no país, desde as jornadas de junho de 2013. De qualquer lado que cada um se colocou nesse jogo, o resultado está sendo o mesmo: pífio! Não interessa se você foi para as ruas e chamou o outro de coxinha ou petralha: pífio! Não interessa se você gritou para o seu amigo, agora desafeto político, - vai pra Cuba! ou – vai pra Miami!: pífio! Não interessa a intensidade de ódio, a força do panelaço, o grau de intolerância: pífio! Toda energia foi canalizada para um pragmatismo infinito. A reforma política que poderia ser um canal de escoamento de todas as insatisfações desaguou no mar da mediocridade. Serviu apenas, com manobras bizarras, para legitimar o que era para ser mudado. Dinheiro de empresas continuará irrigando o sistema político e nós continuaremos brigando pra saber que tanto de boa fé soma uma boa corrupção. Ao transformarmos indignação em ódio e não em projetos, em projeto de país, em projeto de cidade, rifamos o futuro. O ódio flertou com o passado. Do fundo do baú, os projetos que emergiram são os piores possíveis. De novo: toda energia foi canalizada para um pragmatismo infinito. As nossas câmaras de vereadores andam aprovando coisas de arrepiar. A de Sete Lagoas, inclusive. Por aqui, ninguém, ou quase ninguém, parece ter a menor ideia da cidade aonde queremos chegar. Essa cidade não importa; importa o jogo de conveniências; o aqui e agora; nem um palmo à frente do nariz. Tudo foi reduzido a banalidades. Projetos urbanos capazes de mudar a cidade da água pro vinho ou do vinho pra água, que antes eram debatidos, remodelados, ajustados ao futuro, agora, indiferentemente, são aprovados assim, sem mais desassossegos. Interessam os anúncios de prosperidade, ainda que fictícios: teremos isso, teremos aquilo, mesmo que isso mais aquilo não conforme uma cidade melhor. O mundo político anda imitando a caricatura mais debochada que fazem dele. Há um esgotamento de ideias. Há um esgotamento de projetos. Como uma epidemia. Tudo isso faz com que uma velha frase soe, então, definitiva, como um apelo: “basta de realidades, queremos promessas!”

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 03/06/2015]

'Cidade Aberta'

O momento é crítico!

Tive oportunidade de assistir, no UNIFEMM, a uma apresentação sobre o Vetor Norte, em frente à IVECO, feita pelo representante do fundo FINVEST. Na Câmara, esse empreendimento foi tratado simploriamente como um projeto de aumento de perímetro urbano para uso misto. Na mesa do prefeito, apenas como um porto seco. No entanto, é muito mais do que isso: articula um porto seco, uma ZPE – zona de processamento de exportação, um distrito industrial, um condomínio plug & play, um condomínio residencial unifamiliar e outro, multifamiliar, de rendas média e alta, um parque e uma área institucional. Os números são impressionantes. Sob a ótica do empreendedor, por óbvio, é algo extraordinário. A pergunta inevitável é de outra ordem: qual o impacto de um empreendimento dessa magnitude sobre Sete Lagoas? Ninguém sabe porque, simplesmente, isso não foi estudado! Dá pra crer?

22 de mai de 2015

'Cidade Aberta'

Calçadas invisíveis

Era começo de noite e eu voltava pra casa, à pé. Afinal, àquela hora, uma pequena caminhada não era mau negócio para aquecer o corpo nesse outono frio. Seguia calado, quando me deparei com um velho amigo, indo na mesma direção. Àquela hora, um bate-papo inesperado e algumas risadas também não eram mau negócio. O centro da cidade estava vazio. Seguimos. Em algum momento, saltamos da calçada para o asfalto. A um quarteirão de minha casa, pela Duque de Caxias, ele, e não eu, foi quem deu pela coisa e comentou: - engraçado, as calçadas sem viv’alma e nós viemos pela rua.

15 de mai de 2015

Não existe educação sem valorização do professor!

Governo de Minas e SIND-UTE assinam acordo sobre piso de professores. A notícia está no G1 [AQUI]. Uma conquista importantíssima! Esse assunto já devia ter sido superado, há anos. Há um consenso nacional sobre isso: não existe educação sem valorização do professor. E o governo estadual, nos anos tucanos, ignorou isso solenemente. Por que, agora, está sendo possível? Questão de prioridade! O país, o estado e o município precisam radicalizar nas prioridades que realmente mudam a vida das pessoas, promovem transformações civilizatórias; educação em primeiro lugar! 

[Foto extraída do G1]

'Cidade Aberta'

Lavoura arcaica

Tudo começou como um despretensioso aumento de perímetro urbano junto à IVECO. Em audiência pública, em dezembro, a Prefeitura sequer sabia explicar por que desejava esse aumento. Mas, na plateia, um representante de um grupo empresarial sabia bem. Em poucos dias, nova audiência e projeto aprovado pelos vereadores. Na semana passada, quando foi sancionado pelo prefeito, já havia se convertido no Porto Seco de Sete Lagoas. Um porto seco, um parque industrial e uma área residencial com capacidade estimada para 20 mil pessoas. Tudo aprovado com mais naturalidade do que se autoriza um botequim, na esquina.

'Cidade Aberta'

Tempos graves

No bar, na mesa ao lado, três casais discutem exaltados. Sobre política, claro! Contra o PT, claro! Sem preconceito, são pessoas da tal elite branca, na expressão do insuspeito Cláudio Lembo. Em resumo a conversa é a seguinte: o PT não fez nada para o país; a ascensão de pobres à classe média foi um blefe movido por meia dúzia de bolsas, sem controle; o PT quebrou os ricos; ao invés de esmolas, o governo devia investir no setor produtivo para acabar com a pobreza. Cá entre nós: o nome disso não é política, mas ignorância!

7 de mai de 2015

'Cidade Aberta'

Isso é blá-blá-blá!

A Câmara Municipal aprovou, nesta terça, projeto de lei do Executivo que ampliou o perímetro urbano da cidade, em área em frente à IVECO, e criou uma zona de expansão urbana mista, associando atividades industriais de grande e médio porte com uso residencial. Ao que se sabe, apenas essa ocupação residencial tem potencial para 20 mil pessoas. Ou seja, a Câmara acabou de aprovar uma nova Sete Lagoas maior, em população, do que as cidades Jequitibá, Pirapama, Araçaí e Cordisburgo somadas. Isso sem maiores desassossegos.

'Cidade Aberta'

Resignação ou destemor

No seminário sobre Agricultura Urbana, promovido pelo vereador Dalton Andrade, na semana passada, coube a mim falar sobre a Democratização do Espaço Urbano. Abordar esse tema, em última instância, pressupõe responder a uma pergunta fundamental: é possível termos cidades democráticas em uma economia que, estruturalmente, gera desigualdades? A realidade parece nos dizer que não; mas precisamos crer que sim.

23 de abr de 2015

'Cidade Aberta'

Transparência

Não uma, mas duas, três, quatro vezes, ouvi a mesma conversa entre conhecidos: certo estranhamento sobre o valor das contas de impostos municipais que andam chegando pelos Correios. Ninguém sabe exatamente a origem, por exemplo, do valor atual do seu IPTU, impresso nos carnês recém-distribuídos. A suspeita, procedente ou não, de que haja erros não é boa coisa. Ela fragiliza um aspecto fundamental da relação entre cidadãos e poder público: o da confiança.

12 de abr de 2015

Eu, ver.55

Na próxima terça, começo a rodar na nova versão 55. E pus o pé nessa semana de lançamento com a tradicional perda de sono: três da madruga desse domingo e eu lá procurando o sol. Ainda bem que tinha F1. Ainda bem, vírgula. Nem para atrair o sono a enfadonha F1 moderna serve. Os pelotões da frente pareciam desfile estudantil:  uma organização desengonçada, mas dentro da melhor ordem colegial. Depois da bandeirada - com safety-car, pra tornar tudo mais nonsense, apelei para House of Cards. Eu jurei que passaria por essa vida seriados-free, mas fraquejei. Noite adentro, capítulos e capítulos, literalmente, em série, ligadíssimo. Enfim, às seis e meia, cochilei. Às dez, tomei um café forte. Às onze, resolvi dar uma caminhada. Caminhar é mais enfadonho que desfile ginasial que é mais enfadonho que F1. Na barragem Santa Lúcia, uma volta andando, uma volta trotando. Eu não gosto de conselhos - nem de dar nem de receber, mas confesso que alguns eu devia ter ouvido. Se bem que ouvi o conselho enfisemático de parar de fumar e até hoje não sei se fiz bem. Eu fumei muito dos 13 aos 26 e parei. Considerando que tudo na vida se resume a ser o menos medíocre possível, tenho dúvida se parar de fumar foi uma boa. Até hoje as melhores fitas de cinema me dizem que não, que quem fuma tem algo mais, um plus-a-mais que eu perdi. Mas outro conselho, esse eu acho que devia ter ouvido: cuide de suas juntas! Eu tomei gosto pelas corridas longas, mas sem cuidados com as juntas. Até que me apareceu um problema de hardware no tornozelo esquerdo. Com isso, a minha versão 54 rodou lenta, sem os terapêuticos 10 km matinais. E com quilos e quilos a mais. Coisa que a versão 55 promete ter corrigido. A propósito, outro conselho que eu me arrependo de ter dado de ombros foi aquele que sugere que, depois de certa idade, você deve precaver-se de refluxos: 15cm de livros debaixo da cabeceira de seu colchão e cuidados extras antes de se empanturrar de beber e comer, tarde da noite. Fico aí, agora, tendo que lidar com os incômodos de todos os exageros. Fazer o quê?! Seja como for, na entrada da semana natalícia, resolvemos comemorar em família os meus 55 com os exageros possíveis: bruschettas tradicionais com um vinho francês e lombo de bacalhau com alho numa cama portuguesa com vinho do Douro. Impossível! Deus me abençoe!

10 de abr de 2015

'Cidade Aberta'

Bairrista

Nesta semana, ocorreram em Brasília o I Seminário Internacional Cidades Sustentáveis e o III Encontro de Municípios com o Desenvolvimento Sustentável. Foram quatro dias de debates sobre diversos temas de interesse das cidades brasileiras. Foram dias, também, de apresentações sucessivas de boas práticas de gestão urbana desenvolvidas em vários lugares do mundo.

4 de abr de 2015

'Cidade Aberta'

Boa Páscoa!

O Natal costuma ser a festa cristã mais pomposa, com seus enfeites, suas ceias e seus presentes excessivos. Ainda assim, leigo que sou, eu prefiro a Páscoa. Acho uma comemoração mais singela e, no entanto, mais cheia de sentidos.

30 de mar de 2015

'Cidade Aberta'

Impressionante, não?

Em meio à crise hídrica que vivemos, o Dia Mundial da Água, comemorado no último domingo, ganhou destaque especial. Em Sete Lagoas, evento promovido pela Câmara, no dia seguinte, por iniciativa dos vereadores Dalton e Caramelo, foi marcado não apenas pela qualidade dos painéis apresentados, mas, sobretudo, pelo público que lotou a casa.

Em meio ao debate sobre o tema, um aspecto tem me chamado atenção: o do extraordinário índice de desperdício, comum a todos os sistemas de abastecimento, públicos e privados. Ainda que essencial, creio que se torna mais difícil convencer o cidadão comum a economizar a água de seu banho quando ele se defronta com os números absurdos de água jogada fora.

22 de mar de 2015

'Cidade Aberta'

E daí?!

Em 2013, por mais que eu tenha tentado entender os novos modos dos protestos de junho - a organização horizontal, a liderança invisível e a pauta difusa, não consegui responder a uma dúvida central: e daí; tanta energia mobilizadora desaguará exatamente em quê? Em menos de dois anos, todos os temas identificáveis daquela pauta difusa – a tarifa zero e a melhoria dos serviços públicos, por exemplo – desapareceram sem que tenham tido qualquer avanço. O saldo contabilizável das manifestações ficou nelas mesmas: o aprendizado de retomar as ruas, a socialização de um sentimento genérico de insatisfação e a constatação de que multidões intimidam governos.

14 de mar de 2015

'Cidade Aberta'

Sala de Situação

O aumento da violência na cidade tem atemorizado os sete-lagoanos. A saída tradicional tem sido pedir ao governador o aumento do efetivo policial, o que é, de fato, importante. Mas, sabendo-se que o estado está quebrado, se esse pedido não puder ser atendido, assistiremos à escalada da criminalidade de braços cruzados? Não há nada a ser feito no nível municipal? Acho que há, sim; e muito!

As cidades que alcançaram bons resultados no combate à violência foram, exatamente, as que conseguiram associar um conjunto de ações locais com as ações policiais. Nesse sentido, creio que, como primeiro passo, em parceria com a PM, a Prefeitura deveria montar uma pequena estrutura nos moldes de uma Sala de Situação ou de uma Sala de Inteligência. Nada semelhante a uma burocrática e cara Secretaria de Segurança Pública; mas a uma célula enxuta, especializada e ágil, ligada diretamente ao prefeito. E barata! Há talentos desperdiçados entre servidores municipais e há cargos livres na Prefeitura que, bem aproveitados, reduziriam seu custo a quase zero.

Uma Sala de Situação – insisto: em parceria com a PM – teria funções muito claras: centralizar, processar e georreferenciar todos os dados relativos a ocorrências de criminalidade; coordenar o monitoramento do olho-vivo; definir uma estratégia integrada e sistêmica de ação; subsidiar o prefeito na tomada de decisões; orientar a inserção das secretarias municipais, sobretudo as da área social; orientar a população, regularmente, com boletins sobre ocorrências mais frequentes e condutas mais adequadas; e, por fim, articular-se com os conselhos municipais e as entidades privadas para atuação consorciada.

Esses dois últimos pontos merecem destaque: não se vence a violência sem uma consistente e ampla mobilização social. É preciso criar um ‘senso de comunidade’ contra o medo. A propósito, é de se aplaudir a iniciativa da ACISEL de incentivar e coordenar um processo mobilizador, envolvendo entidades representativas, Prefeitura e Câmara. Esse processo pode, seguramente, dar sustentação, política e financeira, à Sala de Situação. E mais: pode até mesmo reforçar o poder de negociação da cidade para garantir o aumento de efetivo da PM.

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 13/03/2015]