20 de dez de 2014

'Cidade Aberta'

Escolhas erradas

Ao longo do ano, não ocorreu qualquer fato novo com as receitas municipais capaz de justificar atrasos de salários e adiamento de 13º de servidores. Mesmo a redução de transferências federais e estaduais era prevista. A alegação de queda inesperada de arrecadação não se sustenta. A verdade é que a situação financeira da Prefeitura, hoje, decorre de escolhas erradas feitas nesses últimos dois anos.

A desorganização da nossa estrutura pública tem muito mais tempo do que isso. No limite, em janeiro de 2013, havia uma clara compreensão de que medidas saneadoras eram impostergáveis. Não apenas foram postergadas como, ao contrário, tudo o que se fez foi agravar o quadro já caótico.

De largada, no lugar de uma exigida modernização administrativa, o prefeito criou uma centena de cargos de livre nomeação, inchando uma estrutura já inchada. O pretexto era a urgência em se fazer a máquina funcionar. As evidências, agora, sugerem outra coisa: os cargos não eram para aumento de eficiência, mas para composições políticas.

Para desoneração da folha, o prefeito optou por uma política de terceirização de mão-de-obra que faria todo sentido se repercutisse em redução de custeio direto. Não repercutiu. Tudo indica que a recuperação da CODESEL não gerou economia no contrato de limpeza urbana nem, tampouco, o contrato milionário no SAAE se pagou. Gastos em dobro!

Para complicar, forçou-se um aumento de IPTU sem prévia negociação com a sociedade que acabou em um ‘ganhou, mas não levou’. Com a complacência da Câmara e da Justiça, o aumento foi dado, mas a inadimplência foi alta, com resultado aquém do esperado.

Ainda assim, implementou-se uma política de obras insustentável, com o carreamento de recursos próprios acima da capacidade de investimento da Prefeitura, aliado a um endividamento crescente. Ações temerárias com efeitos óbvios.

E por falar em complacência da Câmara, vale lembrar que os vereadores, que agora criticam o prefeito, são os mesmos que, lá atrás, com raras exceções, chancelaram todas essas escolhas, embora tivessem sido alertados de seus riscos, especialmente, de que a corda arrebentaria no lado mais fraco, o do desprestigiado servidor municipal. Não deu outra!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicada no jornal SETE DIAS em 19/12/2014]

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