8 de nov de 2014

Uma viagem à India

Gonçalo M. Tavares é o terceiro escritor português angolano que me cruza o caminho de leituras. Eu já havia lido José Eduardo Agualusa [O vendedor de Passados] que esteve em Sete Lagoas, na Literata, e o Valter Hugo Mãe [A máquina de fazer espanhóis] que esteve na FLIP. Tavares me foi indicado por Bernardo, meu filho. Ele já havia lido 'Uma viagem à Índia' e o encontrou na banca de promoções da Livraria Ouvidor da Savassi por R$10. Isso mesmo: um tesouro, seguramente, o melhor livro que li esse ano, disfarçado de um livro qualquer. Aliás, acho que não minto se disser que muitos dos melhores livros que li na vida, achei-os, inadvertidamente, num sebo, numa resenha perdida num rodapé de jornal. E nada melhor do que o sentimento de que a leitura de um livro foi mais do que uma escolha, foi quase um desígnio. Foi o caso!

[Sobre Gonçalo M. Tavares, leia mais AQUI]


A história é simplérrima: um cara chamado Bloom que parte de Lisboa para uma viagem à Índia, onde pensa poder expurgar as suas dores e os seus conflitos, e, da Índia, retorna à origem. Ponto; é isso. No entanto, é impressionante a complexidade e a preciosidade das divagações de Bloom, ao longo do caminho, enquanto vai narrando os seus tropeços.

Tavares transforma essa viagem melancólica, anti-épica, anti-heróica, numa epopéia, com extremo requinte, ao construir um paralelismo estrutural com 'Os Lusíadas', de Camões, com o mesmo número de cantos e de estrofes. E ao fazer também uma referência a 'Ulisses', de James Joyce, de onde ele rouba o nome do personagem principal.

Imperdível!


[Uma viagem à Índia. Gonçalo M. Tavares. Editora Leya Brasil. 473 págs. R$44,90]

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