7 de nov de 2014

'Cidade Aberta'

O nome disso é golpe!

Nas eleições, é razoavelmente natural que haja certa animosidade entre os diferentes grupos políticos; afinal de contas, eleição é, por definição, uma disputa que exige a afirmação de um projeto em contraposição a outros. A questão está em demarcar o limite, um tanto polêmico,  em que esse enfrentamento converte-se em pugilismo.

Após as eleições, também é razoavelmente natural que haja um rescaldo dessa animosidade. É tão legítimo ao vencedor propor o diálogo quanto o é aos derrotados negarem-no e preferirem demarcar o território de oposição. Todavia, agora, há um limite inegociável que, a priori, desfaz qualquer polêmica: o respeito ao resultado! O nome disso é democracia.

Em nome da democracia, o resultado só pode ser questionado quando há fraude. Em não havendo sequer evidência, a afronta a ele tem nome; o nome disso é golpe!

Derrotado nas eleições, o PSDB entrou com pedido de auditoria, entendido como pedido de recontagem de votos. Para perplexidade geral, usou como alegação fofocas infundadas nas redes sociais. Nem o seu vice-presidente Alberto Goldman concordou: “não sustentamos que houve fraude”, disse ele. Se não houve, um pedido dessa gravidade tem nome; o nome disso é golpe!

Militantes foram às ruas, agressivos, com pedido de impeachment da presidente reeleita, democraticamente. Nessa circunstância, pedido de impeachment é uma afronta às urnas. Isso também tem nome; o nome disso é golpe!

Da mesma forma, militantes usaram a democracia e a liberdade para pedir o fim da democracia e o fim da liberdade com intervenção militar. Essa afronta à história tem o mesmo nome; o nome disso é golpe!

“É nas horas mais difíceis da derrota que você descobre quem é democrata de verdade e quem, autoritário, na democracia apenas se disfarça!” Essa frase impecável não é de um petista, mas do tucano paulista, ligado ao ex-presidente FHC e um dos coordenadores da campanha do PSDB, Xico Graziano, no seu Twitter.

Ganhou Dilma Rousseff; tivesse ganhado Aécio Neves, a questão seria a mesmíssima. “Nas horas mais difíceis”, caro leitor, é que se conhece quem é quem, o “democrata de verdade” e o inaceitável golpista. Nenhuma paixão política é desculpa para a menor relativização!

[Artigo da coluna Cidade Aberta publicado no jornal SETE DIAS em 07/11/2014]

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