25 de abr de 2014

'Cidade Aberta'

Virá que eu vi

Com o artigo desta semana, a coluna Cidade Aberta completa 3 anos de vida na página 2 do SETE DIAS. Nessa 155ª edição [que pode ser lida AQUI], desta sexta, eu - que sou um arquiteto, não um jornalista e muito menos um escritor - apenas confesso o quanto essa arte de escrever uma coluna em um jornal semanal tem sido divertida e desafiadora pra mim.

21 de abr de 2014

Vai ser azarado assim lá na China

Nada de novo no GP da China. A não ser as lambanças. Cruz credo! Num negócio milionário daquele, como pode um fiscal errar a hora da bandeirada? E como pode uma equipe como a Williams errar tão feio assim num pit stop? Se é verdade que para ser campeão você precisa ter competência e sorte, Massa não vai ser campeão nunca! A sua fama de azarado já foi mais do que comprovada em 2008, quando perdeu o título por um mísero ponto, na última curva, na última corrida. Mas sua persistente e malfadada sina segue. Neste ano, em quatro provas, teve a corrida jogada fora em duas, sem culpa nenhuma. Na primeira, foi acertado na largada como um pino de boliche; de vários, foi o único a ser acertado bem em cheio. Um primor! Ontem, foi a própria equipe que fez o serviço com um pit stop de um minuto que o tirou da pista em sexto lugar e o devolveu em último. De novo, um primor!

Foto extraída da internet do primoroso pit stop da Williams

17 de abr de 2014

'Cidade Aberta'

'Sete Lagoas contra o medo'

As estatísticas da PM dizem que a criminalidade, em Sete Lagoas, não está crescendo. Nas ruas, ao contrário, a percepção é de uma insegurança tremenda. Qual a sua opinião sobre isso? Esse é o assunto da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana [AQUI].

11 de abr de 2014

'Cidade Aberta'

Radicalismo

O artigo de hoje, no SETE DIAS, começa com a Valesca Popozuda e o professor Antônio Kubitschek, passa por um comentário do professor Renato Janine Ribeiro, relembra um artigo de Patrick Kingsley para, enfim, desaguar numa breve reflexão pessoal. O jornal, em seu novo formato, está nas bancas. A versão digital da coluna Cidade Aberta pode ser lida AQUI.

[Reprodução da internet]

Para quem não acompanhou a polêmica em torno da prova formulada pelo professor Kubitschek sobre a 'grande pensadora contemporânea' Valesca Popozuda, a sua cobertura pelo Correio Braziliense pode ser lida AQUI. O artigo do Kingsley, no The Guardian, traduzido no Estadão, está AQUI. E o comentário do Janine segue reproduzido abaixo:

[Reprodução do Facebook]

10 de abr de 2014

Sempre um Papo está de volta

O projeto Sempre um Papo estará de volta na terça-feira, dia 22 de abril, às 19:30, no UNIFEMM. Havia uma dúvida no ar sobre essa nova edição. Ainda que seja um projeto financiado pela Lei Rouanet [ou seja, que quem indiretamente põe dinheiro é o governo federal], em Sete Lagoas, ele depende do apoio da IVECO. E exatamente esse apoio da IVECO é que anda virando uma grande interrogação. No ano passado, a empresa descontinuou a Literata e as evidências são de que não será de forma 'excepcional', como ela informou, mas definitiva. O temor era de que isso se aplicasse também ao Sempre um Papo. Lamentavelmente, as ações de responsabilidade social das grandes corporações que aportaram em nossa cidade não estão postas em termos de compromisso com o desenvolvimento regional, compulsório, mas, ainda, como ação meramente voluntária e facultativa. Nesse contexto, eu acho que nós sete-lagoanos devemos apoiar explicitamente essa nova edição de Sempre um Papo para termos o direito moral de exigir da empresa a manutenção de seu apoio a esse projeto e, especialmente, ao retorno da Literata. Olhando outras experiências, Brasil afora, eu acredito, firmemente, que projetos literários têm um poder de transformação muito grande. No nosso caso, especificamente, como uma cidade crescentemente universitária, acho que esses projetos podem contribuir para reforçar, localmente, o papel da chamada economia criativa. Essa é uma boa aposta. Há motivos para não ir? Sempre há vários: o dia e o horário podem não ser os mais apropriados; você pode preferir escritores efetivamente mais 'literários' e pode não gostar - como eu - dessa turma de comentaristas globais, como a Mara Luquet, e por aí afora. Mas, numa perspectiva estratégica, a razão para ir se sobrepõe a tudo isso. Vamos lá?!

8 de abr de 2014

Psoríase

Eu já falei, aqui, duas vezes, pelo menos - AQUI e AQUI -, sobre psoríase. Falei por um motivo simples: eu sofro com essa história há mais de quarenta anos. A intenção não foi uma tola exposição pessoal, mas um esforço em ajudar a desmistificar essa doença. Ela tem um lado social constrangedor: apresenta uma inflação na pele com aspecto nada agradável. Mesmo, no meu caso, em que não é uma psoríase severa, em que a maior parte da doença fica encoberta pela roupa, o pouco que é habitualmente visível [de novo, no meu caso, nos cotovelos, nas unhas e no rosto] já é suficiente para gerar mal estar. E para além desse lado social, mais do que constrangimentos, sabe-se hoje que a psoríase gera riscos importantes à saúde: artrite psoriática nas juntas [que eu já tive nas mãos] e, o que é pior, evidências de alterações metabólicas e problemas cardiovasculares.

Na primeira vez que falei sobre esse assunto, há dois anos, eu estava iniciando um tratamento a base de metotrexato, um imunossupressor usado, em doses maiores, em tratamentos quimioterápicos. O efeito imediato foi fantástico: meu corpo ficou totalmente limpo e as dores decorrentes da artrite sumiram. Mas, ainda durante o tratamento, depois de um ano, ele foi perdendo a eficácia, a psoríase voltou, como antes, apenas sem dores nos dedos. O caminho foi a retirada lenta do medicamento e a retomada do duro hábito de convivência com a doença. Essa parece ser a cruz de todos nós psoriáticos: animar, desanimar e voltar a animar. É como estou hoje, como sempre: tentando administrar a velha companheira com algum humor. Às vezes deixando a barba crescer para dar um descanso para o rosto; outras vezes, buscando alternativas naturais para aliviar os sintomas; outras, ainda, quando o incômodo vence a paciência, apelando para soluções convencionais mais agressivas.

Eu sei que esse é um assunto que interessa a poucas pessoas. Mas é curioso que, ainda hoje, vira e mexe, algum interessado ainda lê as velhas postagens e deixa lá um comentário [como a 'rita', dez dias atrás, com a dica abaixo], o que acaba formando uma rede de solidariedade entre psoriáticos. E, exatamente por valorizar essa rede, é que eu quero parabenizar a vereadora Marli de Luquinha pelo Anteprojeto de Lei 22/2014 que cria a Semana Municipal de Conscientização e Apoio às Pessoas com Psoríase. Isso não é bobagem: há psoriáticos que se negam a conversar sobre o assunto; há uma grande parcela da população que não sabe o que é psoríase e receia, para mal dos nossos pecados, que seja contagiosa. Nesse sentido, a 'Semana de Conscientização' parece ser uma forma oportuna para acabar com esse estigma.

7 de abr de 2014

Bahrein

Na postagem anterior eu disse que "o Bahrein, sim, sinalizará o futuro". E, então, dada a bandeirada final, qual futuro Bahrein sinalizou? Senão o futuro distante, pelo menos o futuro próximo, no horizonte dessa primeira parte da temporada.

Sobre Massa, Bahrein sinalizou que ele [ainda] não é um ex-piloto. Sua largada foi magistral e o manteve vivo. Pulou de sétimo para terceiro lugar de forma limpíssima. Mas terá vida difícil: cá entre nós, seu companheiro Bottas é muito bom!

Aliás, aí está o segundo e mais enfático sinal do deserto barenita: os ditos pilotos número 1 caíram do galho. Pelo visto, ninguém terá moleza, nesse começo de ano! Mais à frente pode até ser que sim, quando as equipes começarem a fazer as suas contas e a se meter, lamentavelmente, na pista. Hoje, a dez voltas do final, quando o safety car saiu, isso ficou claro. Foram cinco duelos acirrados entre cinco equipes, internamente. Na ponta, as duas Mercedes, com Hamilton e Rosberg; Hamilton ganhando. Em seguida, as  duas Force India, muito competitivas em Bahrein, com Pérez levando a melhor. Depois as duas RBRs e, aí, a novidade: Ricciardo desbancando Vettel, sem dó nem piedade. Colado bem atrás, as duas Williams com Massa se sobrepondo. E, ainda, as duas Ferrari, Alonso à frente. O que comprova que interferências dos boxes são sim nefastas para a F1: não fossem esses duelos, francos e livres [que o G1 chamou de épicos], a corrida teria perdido sua parte mais emocionante.

Aí vem o terceiro e melhor sinal: não sei não, mas se Bahrein for um padrão, vamos ter que concordar que as novas regras da F1 - apesar do barulho dos motores e dos bicos horrorosos - restabeleceram a competitividade na categoria. Eu assisti à corrida do começo ao fim e tendo a concordar com a avaliação de jornalistas [que costumam ser fantasiosos demais] de que foi uma das melhores provas dos últimos anos.

6 de abr de 2014

Massa e Bahrein

Um piloto que começa a ficar conhecido por receber ordens do box para abrir passagem para companheiros de equipe não tem muitas opções: ou reage e mostra que é piloto ou aceita e vira ex-piloto. Ainda que seja um ex-piloto em atividade. Essa é a situação de Massa. A primeira ordem foi na Ferrari onde se sabe que ser piloto número 2 é um castigo, com um papel meramente coadjuvante. A segunda, na última corrida, veio de uma Williams em recuperação, onde, em tese, Massa tem um papel protagonista. Esse protagonismo está em cheque. A ameaça atende pelo nome de Valtteri Bottas. Em três provas, Massa largou duas na frente de Bottas, mas larga atrás, daqui a pouco, no Bahrein. Bottas tem mais pontos no campeonato, mas, por enquanto, isso não diz nada porque a saída precoce de Massa no primeiro GP em nada se deveu a ele próprio. O Bahrein, sim, sinalizará o futuro. No mais, a corrida será mais uma prova de fogo para os nossos ouvidos com o estranhíssimo som dos novos motores. Vettel, inclusive, já tomou um puxão de orelhas por falar que ele "é uma m...". Para além da trilha sonora, as Mercedes prometem. As RBRs andam latindo, mas é preciso ver se vão morder. As McLaren dão pista de que farão bom papel. Em certa medida, as Williams também. E as Ferrari? Por ora, um enigma com resultados mais negativos que positivos. E as Lotus? Terão caído de vez, contrariando as expectativas do ano passado. A corrida noturna no deserto, em Bahrein, começa em minutos...

4 de abr de 2014

Alegria, alegria, alegria!

[Recorte de foto extraída do Facebook]

Sei bem que muitos sete-lagoanos podem prestar maior e mais justo tributo a D. Dochinha. Mas eu gostaria de fazer aqui uma pequena homenagem, inteiramente pessoal. Dochinha foi uma pessoa onipresente em minha vida. Ela foi amiga de meus avós, ela e seu Geraldo foram amigos de meus pais, suas filhas mais velhas foram amigas de minha mãe e de minhas tias e, por obra de Deus, seus filhos mais novos foram e são meus amigos. Com eles, eu fui acolhido no aconchego da casa de Dochinha, então, na Rua Quintino Bocaiúva e, depois, na Floriano Peixoto. Por anos, vivi ali. E sei bem: isso mudou a minha vida!

A casa de Dochinha era uma casa cheia. Desde então, eu tenho admiração por pessoas de casa cheia. As pessoas de casa cheia têm algo incomum. Algo que transgride a melancolia do individualismo que está por aí. Algo que incita, que provoca, que questiona. Que inquieta. Conheço pouquíssimas pessoas no mundo assim tão inquietas – tão eternamente inquietas – quanto Dochinha. Assim de uma inquietude transformadora.

Mas é mais do que isso. Talvez eu deva dizer que Dochinha enchia sua casa com um espírito de vanguarda. Essa me parece a palavra certa. E isso sim era terrivelmente sedutor e tomou a mim e aos meus amigos de assalto. Ali, havia desafio. Ímpeto. Rebeldia. Coragem. E, junto aos seus filhos, como isso foi essencial naqueles tempos de juventude! Como essa energia vital foi decisiva, quando nossos limites ainda eram imprecisos e precisavam ser confrontados!

Mas também é mais do que isso! A casa cheia de Dochinha era uma casa cheia de criatividade. Uma casa em que, não por acaso, todos tinham os apelidos mais engraçados do mundo. Era uma casa cheia de música. Uma casa cheia de alegria. Sabe Deus as batalhas que ela travou; mas que a sua casa era cheia de alegria, isso era. E, por isso mesmo, não era de se estranhar que Dochinha, ultimamente, com sua experiência de luta já quase centenária, ainda que não mais nos reconhecesse, nos breves encontros no seu restaurante, ainda mantivesse intacta sua santa rebeldia e, como sempre, insistisse em nos encorajar: “alegria, alegria, alegria!”

[Texto publicado no jornal SETE DIAS, edição do dia 04/04/2014, em homenagem a D. Dochinha]

'Cidade Aberta'

Diálogo

Dias atrás, eu escrevi um artigo na coluna Cidade Aberta sobre a revisão do perímetro urbano de Sete Lagoas. Em resposta, a Secretaria Municipal de Obras, Infraestrutura e Política Urbana enviou carta ao jornal SETE DIAS com as suas ponderações. No artigo de hoje, eu volto, então, a esse tema, enfatizando a necessidade de aprofundarmos o debate público em torno dele. A versão digital do artigo pode ser lida AQUI.

'Cidade Aberta'

O marechal e a avenida

Eu ia me esquecendo de comentar aqui a minha coluna, no SETE DIAS, na última sexta-feira de março. O mote original foi os novos radares da cidade; dos radares, eu passei para a Castelo Branco, a avenida; e dela, para o Castelo Branco, o marechal. Quem ainda não leu, pode acessá-la AQUI.

Gonçalo e o dominó

Quando me deu o livro 'Uma viagem à Índia', Bernardo, meu filho, tinha no rosto um sorriso irônico. A sua ironia dizia respeito à forma como se valoram os livros. Tudo porque 'Uma viagem', um livro épico de quatrocentas e tantas páginas em caprichada edição da Leya, um livro que ele, leitor exigente que é, julgara excepcional, havia lhe custado a bagatela de R$10, numa banca de promoções na livraria. Ele me deu o exemplar vermelho e, enfaticamente, recomendou-me a sua leitura. Na capa, lia-se o nome do autor: Gonçalo M. Tavares; na contracapa, uma breve resenha: "este livro é a narrativa de Bloom - um homem que tenta aprender e esquecer no mesmo movimento, traçando um itinerário de uma certa melancolia contemporânea". De pronto, pus o livro na fila, na minha cabeceira. Entretanto, antes que começasse a acompanhar a viagem de Bloom de Lisboa à Índia, inadvertidamente, no meu périplo matinal pelas livrarias da Savassi, um sábado desses, deparei-me, com o mesmo nome de Gonçalo M. Tavares em outro livro que, imediatamente, pus na sacola: 'Matteo perdeu o emprego'. Segundo Le Figaro, tratava-se de um kafka português. Nesta semana, designado para uma viagem a Brasília, contando as poucas horas de voo pra lá e pra cá, mais as tantas horas de aeroporto, achei que 'Matteo' deveria furar a fila. E, de fato, 'Matteo' mostrou-se absolutamente adequado. Ao desembarcar, de volta, em Confins, eu estava boquiaberto.