25 de mar de 2014

Por que a dengue caiu 99,7% em 2014?

Boa notícia: foi divulgado, hoje, que a notificação de casos de dengue, em Sete Lagoas, caiu 99,7% neste primeiro semestre de 2014 com relação ao mesmo período do ano passado [AQUI]. Os números são, de fato, convincentes: 16 casos, agora, contra 7.547, em 2013. O que não me parece convincente é a explicação para esse feito dada pelas autoridades públicas locais. Em suma, elas atribuíram esse milagre "às ações contínuas de combate que envolveram mobilização e conscientização durante todo o ano". Impossível! Por melhor que tenha sido o desempenho da Prefeitura - e não estou dizendo que ele não foi bom -, sabe-se que campanhas que se destinam a provocar mudanças de comportamento social custam muito a dar resultado. Jamais dariam um resultado tão expressivo em tão pouco tempo, como nunca deram. Não resta dúvida que as verdadeiras razões são outras. Tanto que os casos de dengue não despencaram só em Sete Lagoas, mas em todo o estado de Minas. A principal delas já era anunciada: o boom do ano passado deveu-se à entrada de um novo tipo de vírus de dengue, o sorotipo 4. Tem-se então um ciclo epidemiológico: como ninguém está imunizado contra um vírus novo, num primeiro momento, há uma explosão de casos; quanto mais casos, maior o percentual da população que fica, automaticamente, imunizado; na temporada seguinte, a queda é natural. É o que estamos vendo. Mas isso não explica tudo. Aí vem uma segunda razão que eu cheguei a comentar num artigo no SETE DIAS: a falta de chuvas. A falta de chuvas é uma tragédia em quase todos os sentidos, mas não nesse. A propagação da dengue pressupõe calor, água acumulada e mosquito; a falta de qualquer um desses fatores tem resultado positivo. Simples assim. E sendo assim, eu acho que beira a irresponsabilidade usar esses fatos alvissareiros para propagar inverdades e tirar ganhos políticos. O risco é se ter um efeito inverso: o de desmobilizar a população e comprometer o processo de sensibilização para o próximo verão. Nesse assunto, todo cuidado é pouco. Mesmo porque há ameaça de uma nova doença - uma dengue mais severa - transmitida pelo mesmo aedes aegypti, a tal febre chikungunya, que era comum na Ásia e na África, mas que resolveu correr o mundo e já chegou ao Caribe.

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Em tempo: em entrevista ao SETE DIAS, na edição de 04/04/2014, o secretário de Saúde, Breno Simões, assumiu uma postura que me parece muito mais responsável do que a expressa nesse auto-elogio milagroso. Indagado pelo jornal se os números baixos da dengue apontavam para uma situação tranquila, ele respondeu: "Pelo histórico da cidade temos que manter a situação de alerta. Sete Lagoas sempre teve um grande número de casos de dengue. O ano passado foi atípico porque tudo favoreceu o mosquito transmissor, mas não podemos falar agora que a situação está tranquila e não precisamos trabalhar. Pelo contrário, temos que enfatizar ainda mais nossas ações".

22 de mar de 2014

'Cidade Aberta'

Retalhos do Passado

O grupo Retalhos do Passado, no Facebook, tem publicado fotos extraordinárias de Sete Lagoas, mas de uma Sete Lagoas antiga. Ou de várias Sete Lagoas antigas, no plural. Olhando cada uma, é inevitável a comparação entre passado e presente. Esse é o assunto da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS,  desta semana, que pode ser lida AQUI.

16 de mar de 2014

F1 roda o ano

Não, o ano novo não começa depois do Carnaval. Na verdade, meus amigos, o ano novo começa depois das férias, do veranico de janeiro, da volta do futebol, do Carnaval e, enfim, do demorado retorno da F1. Só aí retoma-se a normalidade plena. Portanto, 2014 deu largada nesta madrugada, às 3:00 de Brasília, a partir de Melbourne, na Austrália. E, naquele momento exato, eu estava dormindo. Depois de muitos anos acordando fosse que hora fosse para ver as luzes vermelhas se apagarem pela primeira vez, neste ano, não fui à pista. Depois da decepcionante temporada de 2013, acho que desanimei. Mas não totalmente: não me contive e, às 11:00 deste domingo, vi o replay da corrida inteira pelo SPORTV, assim como a gente assiste à reprise dos fogos de Copacabana no almoço do dia 1º. E gostei do que vi!

[O novo bico de 'bagre' da Ferrari: o mais feio de todos! Foto: f14t.ferrari.com]

14 de mar de 2014

'Cidade Aberta'

Feiura

O tema de hoje da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, é a feiura urbana. Tudo por provocação de uma frase, dentre outras, no livro 'Memórias dos Abitantes de Paris', do publicitário mineiro - ou ex-publicitário e agora escritor - David Paiva, referindo-se a sua cidade natal: "[Araxá] Não é exatamente feia porque afinal é difícil sobressair pela feiura entre as cidades brasileiras". A coluna da semana, em sua versão digital, pode ser lida AQUI.

A propósito, recomendo aos que estiverem em Sete Lagoas, ao invés da leitura do artigo pelo site do jornal, que deem um pulo na banca e comprem a edição em papel. A surpresa é boa: o SETE DIAS está em novo formato e com novas editorias. Eu achei o resultado final muito bom, com um excelente uso de cores, um padrão tipográfico muito legível e uma diagramação primorosa. Aí não se tem feiura, mas beleza! Nota 10 para toda a equipe do jornal!

Para os meus raros leitores vai aí um comentário a mais: meu desafio aumentou! Explico. Eu continuo ali na página 2, agora mais embaixo, em um belíssimo canto, bem iluminado e com boa vizinhança. Mas, pela nova configuração, com uma coluna mais enxuta. O limite de toques que era de 3.000 caracteres caiu pra 2.200. Nesse caso, eu acho que menos é mais. O esforço de síntese deve ser maior, mas artigos de opinião menores podem ser bem mais atrativos. Prometo fazer de tudo para dar conta do recado.

13 de mar de 2014

'Memórias dos Abitantes de Paris'

Eu aproveitei a folga de Carnaval para leitura do livro 'Memórias dos Abitantes de Paris', do publicitário mineiro David Paiva [Editora Quixote/Moinhos, 312 páginas, R$42]. Achei sensacional! Trata-se das memórias do autor, nos tempos de infância e juventude, ali pelos anos 1950 e 1960. A razão do título curioso é uma das buscas a se fazer durante a leitura. O texto de David, além de agradabilíssimo, tem três coisas que eu acho essenciais para esse tipo de literatura: primeiro, o resgate de detalhes muito peculiares que permitem ao leitor ambientar-se bem na história; segundo, a visão personalíssima e sem receios de atrever-se pela acidez de opinião; e, por último, o tom aí entre bem humorado e muito irônico. Mas, como arquiteto, eu não pude deixar de me apegar e dar boas risadas com as provocadoras descrições dos ambientes urbanos de Araxá e Belo Horizonte, daquele tempo. Nesses momentos, o David é absolutamente cruel - no que eu concordo cem porcento - com a feiura das nossas cidades e o habitual desrespeito pelo espaço público. Recomendo enfaticamente a leitura!


"A vida urbana de Belo Horizonte era um sistema irrigado pelo centro. O corte das árvores foi uma demonstração truculenta, inconsequente, da tendência muito brasileira de menosprezar o conforto público e o patrimônio comum da beleza urbana. foi como se o prefeito de Roma resolvesse asfaltar a Villa Borghese. Nossas árvores não tinham tanta história, nunca haviam pertencido a um poderoso cardeal sobrinho do papa, mas tinham sua própria e curta história, a melhor possível até ali. Talvez um dia chegassem a nobreza secular da Villa Borghese; mas seria esperar por um senso de respeito por nós mesmos muito além dos costumes brasileiros, não porque aqui faltem papas e famílias papais, mas porque os renques da Afonso Pena destinavam-se a sombrear apenas as pessoas comuns (até banqueiros e políticos, quando passavam por ali, o faziam num gesto de condescendência à rua). As árvores da Afonso Pena impediam que o sol agredisse vendedores de loterias, pequenos trabalhadores que ali esperavam ônibus e bondes, gente de todo nível social que ia ao trabalho, à escola, aos cafés e às livrarias. Era uma sombra democrática, sob folhas verdes para todos, que já custara investimento público, trabalho e tempo, e que até desaparecer, sob a ruidosa jecura de um deslumbrado pela 'fábrica de tráfego', nos deu também muito orgulho". [pág.244]

12 de mar de 2014

Cidade aprisionada

Eu não quero discutir aqui dimensões ideológicas desse ou daquele governo. Eu não quero discutir aqui as vinculações desse ou daquele governo ao grande capital que domina as cidades ou não. Eu quero falar de uma coisa mais comezinha, mais doméstica: o profundo desapreço pela vida urbana cotidiana que parece marcar os atuais prefeitos ou a maioria deles, seja de que partido for. Governar cidades parece ter se tornado uma 'coisa maior' que só é possível com grandes obras, com grandes transformações. Não há mais uma compreensão, digamos, vivencial da cidade. Não há mais uma busca pelo conforto do cidadão, na sua rotina. Não interessa mais a cidade real que se vive, quando se põe o pé na rua, na porta de sua casa, no seu bairro; interessa apenas a cidade imaginária que se vê, em tomadas cinematográficas, na tela da TV. Um dos mais dolorosos exemplos desse comportamento insano está no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte. Sob o falso pretexto da preservação cultural, a Prefeitura está obrigando todos os cidadãos do bairro, de forma humilhante, a conviver, na sua rotina, com um bairro aprisionado, com uma cidade aprisionada, entre cercas metálicas encimadas por essa coisa terrível chamada concertina.


7 de mar de 2014

'Cidade Aberta'

Perímetro urbano

"Tem-se comentado por aí que a Prefeitura vai alterar o nosso perímetro urbano. Esse é um assunto a que pouca gente dá importância embora seja decisivo para o futuro da cidade." Assim começa o artigo desta sexta-feira pós-Carnaval da coluna Cidade Aberta no SETE DIAS. A propósito, se deseja mesmo mexer no perímetro urbano de Sete Lagoas, acho que o governo municipal precisa esforçar-se para não se contradizer. Há um ano, quando suspendeu toda e qualquer aprovação de novos loteamentos, o prefeito, nos tais 'considerandos' do Decreto 4643/2013, utilizou como primeiro argumento o dispositivo legal que diz que "o Poder Público Municipal poderá recusar a aprovação de novos loteamentos em função de situações circunstanciais relacionadas à excessiva oferta de lotes e o consequente aumento de investimentos em obras de infraestrutura e custeio de serviços". Curioso: em apenas um ano, ou menos do que isso já que o decreto foi reeditado, seis meses depois, essas 'situações circunstanciais' já se inverteram? Ou seja, até pouco tempo, sobravam lotes e faltavam recursos de custeio e investimento; agora, faltam lotes e sobram recursos, a ponto de ser necessário alterar o perímetro urbano? O SETE DIAS está nas bancas; o artigo, em sua versão digital, pode ser lido AQUI.