31 de jan de 2014

'Cidade Aberta'

Ou tanto faz?

As decisões mais relevantes para o futuro de Sete Lagoas têm sido tomadas, pelo governo municipal, de forma casuística e personalista. Já não é hora de discutirmos, publica e democraticamente, rumos mais estratégicos para a cidade? Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, que está nas bancas. Sua versão digital pode ser lida AQUI.

30 de jan de 2014

Notícias de Granada

Eu não conheço a Bárbara. Mas é como se a conhecesse. É inevitável reconhecê-la, com a cara de Rosa, entre "los alumnos más brillantes de Granada", aí nessa foto do jornal espanhol Ideal, bem ao centro, de blusa preta. Se não me bastassem as várias surpresas que esse blog já me trouxe, o convívio nessa 'praça' [como diria Amaro], as boas festas que fizemos na casa do Pablo, a 'aula do céu', as relaxadas e as tensas conversas, os indefectíveis comentários dos anônimos, se já não me bastasse tudo isso, ele ainda me reconectou a velhos amigos, amigos muito queridos da juventude, como os pais de Bárbara, Antônio Claret e Rosana Silveira. Bem aqui no blog, assim como se eu voltasse, inadvertido, a subir a Benedito Valadares e os reencontrasse, perdidos, ali na esquina da Quintino Bocaiúva, não aqui, em Sete Lagoas, mas em pleno centro de Granada. Bem aqui no blog, assim uma esquina imaginária. Bem aqui no blog, assim como mais um daqueles encontros arrebatadores de amigos que não se vêem há trinta anos, talvez, mas que voltam a conversar e seguem, imediatamente, com a mesmíssima afinidade de sempre. E que, mesmo à distância, no espaço e no tempo, falam com uma velha intimidade, trocam cínicas opiniões, riem e voltam a torcer uns pelos outros. E eu torço pela Bárbara, assim desavisado, mas assim também com toda afinidade e natural intimidade. E não é a primeira vez, agora, na Universidade, que a discreta Bárbara é reconhecida por seu talento: há menos de um ano, ela recebeu um diploma de "sobresaliente matrícula de honor", na conclusão do ensino médio, e o prêmio extraordinário de bacharelato de toda a província de Granada. Sei lá se isso é bairrismo meu; se é porque a espanhola Bárbara é também sete-lagoana. Sei lá se é; se for que seja: viva Bárbara!

23 de jan de 2014

'Cidade Aberta'

Entre a baderna e o direito

Entre os rolezinhos paulistanos e a reação de jovens sete-lagoanos a um acidente de trânsito, no bairro Orozimbo Macedo, que acabou com um ônibus incendiado, a coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS desta sexta-feira, faz uma reflexão sobre o direito a cidade, especialmente, sobre o direito dos jovens a uma cidade menos desigual. O SETE DIAS está nas bancas; a coluna pode ser lida AQUI.

20 de jan de 2014

Superando polaridades

Este artigo foi originalmente publicado no caderno de aniversário da cidade, editado pelo jornal SETE DIAS em 29/11/2013. Como ele aborda temas que eu quero debater aqui, neste ano de 2014, especialmente o tema do 'desenvolvimento regional' e o do 'perfil da liderança contemporânea', eu tomo a liberdade de postá-lo aqui, como registro. Sobre esse artigo, comentando-o junto com outros artigos e entrevistas, publicados no mesmo caderno, eu escrevi, para a edição de 06/12/2013, do mesmo SETE DIAS, na coluna Cidade Aberta, o texto intitulado Prosperidade.


Por Antônio Bahia e Flávio de Castro [*]

O Centro Universitário de Sete Lagoas – UNIFEMM tem se dedicado, há alguns anos, à consolidação do Centro de Desenvolvimento Regional como plataforma de convergência das ações de pesquisa, extensão e prestação de serviços do próprio UNIFEMM, de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do setor empresarial e de iniciativas de governos e instituições públicas nos campos econômico, urbano-ambiental e social. A intenção é constituir um lócus de inteligência capaz de orientar estrategicamente o desenvolvimento da região de Sete Lagoas, compreendida como o longo e heterogêneo território intermunicipal que interage, numa ponta, com a região metropolitana de Belo Horizonte e, em outra, com o sertão mineiro.

A hipótese considerada é que o momento atual contém especificidades que favorecem a adoção de um novo modelo de desenvolvimento baseado intensivamente em conhecimento.

Na compreensão do CDR-UNIFEMM, o grande aporte de investimentos por empresas transnacionais, na última década, com introdução de um padrão tecnológico bastante superior ao apresentado pelo parque industrial precedente e com estabelecimento de demandas de mercado muito mais modernas, abre cenários inusitados e vantajosos para o desenvolvimento local de tecnologia, de forma compartilhada por uma ampla e confiável rede de relacionamentos, comprometida com a inovação e o empreendedorismo.

Concretamente, acredita-se que essa é uma condição necessária para que se consiga, por um lado, ampliar e reter, internamente, os ganhos sociais do processo econômico corrente; e, por outro, se alcance, regionalmente, um modelo de desenvolvimento mais descentralizado e equilibrado.

A visão, nesse caso, é de que, nos últimos cinquenta anos, a economia industrial regional desenvolveu-se fortemente concentrada na cidade de Sete Lagoas, o que teve um impacto positivo na elevação do seu patamar de urbanização e no consequente aumento de sua competitividade nos âmbitos estadual e nacional. Entende-se, todavia, que, doravante, os efeitos colaterais desse modelo concentrador serão sempre mais onerosos, apontando, por exemplo, para um colapso urbano e da rede de prestação de serviços públicos e privados.

Essa moldura conceitual parece útil para a abordagem do tema que, em muito boa hora, o jornal SETE DIAS traz ao debate, no aniversário de 146 anos de Sete Lagoas: o das perspectivas do desenvolvimento local, em especial, com relação ao Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

No entendimento do CDR-UNIFEMM, ao canalizar a energia desenvolvimentista irradiada a partir dos empreendimentos de alta tecnologia que estão sendo atraídos para o entorno do Aeroporto de Confins, Sete Lagoas deve superar uma visão polarizada – de ganhos concentrados apenas nas cidades polo – em benefício de um tipo de desenvolvimento regionalizado. Significa dizer, mais objetivamente, que toda a região, ao longo da MG-424, entre BH e Sete Lagoas, deve participar do processo econômico que se vislumbra, não de forma meramente coadjuvante, por força de um transbordamento natural da economia metropolitana, mas de maneira estruturada, com distribuição equilibrada de oportunidades e responsabilidades, como resultado de um esforço conjunto de planejamento.

Embora essa visão pareça óbvia e facilmente executável, é importante lembrar que ela, na prática, não representa a tradição dos planejamentos municipais que se limitam a contornos exclusivamente intraterritoriais. Exatamente por isso, o ordenamento regional exige um número maior de atores, originários seja dos centros de conhecimento, seja do setor público, seja do privado, como defende o CDR-UNIFEMM.

Seguramente, a divisão atual de atividades econômicas – que reserva para Sete Lagoas a hegemonia nos setores secundário e terciário, que concentram cerca de 75% do PIB regional, e para as cidades do entorno, exclusivamente atividades primárias e apenas um quarto da produção total de riquezas – não representa o melhor modelo. Provavelmente, um novo e mais virtuoso modelo que vier a atribuir novas vocações às cidades da região haverá de melhorar não apenas o desempenho econômico de cada uma delas, como, também, permitir uma melhor integração de todas, com menor grau de dependência, na rede de serviços urbanos, especialmente os de saúde e educação, e, ademais, uma melhor distribuição territorial da população.

Sete Lagoas pode ter um papel particularíssimo nessa nova dinâmica regional: não o de concentrar-se, exclusivamente, em seu próprio desenvolvimento, mas, estrategicamente, o de alavancar, como cidade polo, o desenvolvimento de todas as cidades à sua volta. Em outras palavras, desempenhar um papel de liderança regional, de fato.

A propósito, se a origem do corpo discente do UNIFEMM for representativa não apenas da influência dessa instituição, em particular, mas se ela espelhar, no geral, a influência regional de Sete Lagoas, como parece verdadeiro, estima-se que esse novo papel de liderança poderá ser bastante mais ampliado. Nesse caso, tudo leva a crer que caberá a Sete Lagoas não apenas a articulação do desenvolvimento intermunicipal descentralizado até o Vetor Norte, mas, a partir dele, irradiá-lo na direção dos municípios que sobem a BR-040 e a BR-135, até Três Marias e Curvelo.

É precisamente na consolidação desse novo e extraordinário papel de liderança de Sete Lagoas, disseminadora de um projeto de desenvolvimento mais racional e sustentável, que o Centro de Desenvolvimento Regional do UNIFEMM pretende contribuir, nos próximos anos.

[Antônio Fernandino de Castro Bahia Filho é reitor do UNIFEMM; Flávio José Rodrigues de Castro é Assessor de Planejamento do UNIFEMM]

'Cidade Aberta'

As cidades de janeiro

O trânsito de janeiro bem que podia durar o ano inteiro. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS desta semana, cuja versão digital pode ser lida AQUI.

10 de jan de 2014

'Cidade Aberta'

O que me assombra?

Eu inauguro a agenda de debates de 2014 pagando uma dívida que deixei pendurada em 2013: uma dívida de solidariedade com a arquiteta Maria Eunice Avelar Marques, que foi destituída injustificadamente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, o COMPAC de Sete Lagoas. Maria Eunice sai do Conselho deixando um exemplo de coerência e dignidade. Mas, para além desse caso particular, o que me assombra é o cenário que ele aponta de intolerância na política sete-lagoana. Mau sinal! Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, que volta às bancas, nesta sexta-feira, depois de brevíssimas férias. A versão digital do artigo de hoje pode ser lida AQUI.

Aí está 2014!

Amigos e amigas, pois então: eu tinha lá alguns temas em mente para discutir, ainda em 2013. A desastrada condução, pelo Executivo e pelo Legislativo, do importante projeto de aumento do IPTU e o impróprio argumento utilizado pela Prefeitura para a não menos desastrada proposta de direcionar o trânsito de cargas industriais para o pé da serra eram dois deles. O despreparo sistêmico das cidades para lidar com as águas, mais um. Mas o fato é que, no dia 18 de dezembro, quando enviei o último artigo do ano para o SETE DIAS, achei que era hora de desligar os motores e desliguei. Mesmo porque 18 de dezembro é data de morte de meu bom e velho pai João Luiz que Deus o tenha e isso sempre mexe com a gente, não é mesmo? Não há nada que não se possa deixar para o ano que vem e suas esperanças. Eu cuidei, então, apenas e tão somente, de dar curso ao trabalho e de reunir forças para lidar com as festas melancólicas de fim de ano. Sobrevivi! Confesso que uma coisa facilitou muito: como nessa época do ano, lá em casa, a turma não gosta muito de lidar com as panelas, eu pude montar meu bunker na cozinha. E, pode acreditar, isso ajuda muito a tapear a realidade. Entre erros e acertos, um bacalhau no forno enganou bastante bem a turma. Mas tudo é firula. Fiquei na muda até a primeira semana de janeiro. Dia 07 é data de morte de Juninho, João Luiz, meu irmão que Deus o tenha e isso também sempre mexe com a gente, não é mesmo? Na verdade, entre essas duas datas de joões, tão especiais pra mim, minha vontade mesmo é sempre de arrumar as malas e viajar com a família para alguma ilha perdida, para vinte dias sabáticos. Acho que não há nada mais sensato a fazer do que isso. Infelizmente, dessa vez não deu. Mas aí está 2014! E eu sou de opinião que janeiro é um ótimo mês para todo mundo viajar, menos eu. Depois dos tumultuados dias de fim de ano, janeiro, com a cidade mais vazia, as pessoas aparentemente mais tranquilas, é sempre uma bela surpresa. De volta à rotina, faço, então, o que devia ter feito antes: desejo aos eventuais leitores e leitoras deste blog um ano novo melhor do que a encomenda. Boa saúde, bons projetos, bons livros, boas surpresas!