3 de dez de 2013

Pampulha: 1h43m57s depois...

Correr é, pra mim, de fato, um ato solitário. E a solidão é sempre uma oportunidade de reflexão. Ainda que nem sempre seja uma reflexão inteiramente programada, consciente, verbal. É muitas vezes, uma reflexão do corpo. Aquela coisa de que 'o corpo fala', como no velho livro de Pierre Weil e Roland Tompakow. Tem dias que, ao correr, o corpo lhe diz que você não anda nada bem; em outros, você sabe que não está nada bem, mas surge uma energia, ao correr, não se sabe de onde, que lhe mostra que sua capacidade de superação de problemas é muito maior do que você imagina. Há, sempre, uma nova e necessária lição em cada corrida!

Por esse caminho, a Volta da Pampulha foi completamente diferente, pra mim, nesse ano. Como, nos outros anos, ela também havia sido diferente. Há sempre pequenos detalhes que são muito reveladores. Desta vez, por exemplo, eu senti que mantive um ritmo muito mais uniforme. Talvez isso tenha a ver com um ano de academia, coisa que não havia antes. Ou seja, estupidamente, eu não vinha fazendo reforço muscular para melhorar o desempenho e a segurança nas corridas. Mas, inevitavelmente, eu acabo associando essa cadência mais uniforme também a outras questões psicológicas, de momento, de vida. Por outro lado, desta vez, nos quilômetros finais, eu não encontrei em mim aquela tradicional reserva de gás para um último tiro de chegada. Pode não ser nada, pode ser coisa da noite mal dormida, mas, intimamente, eu acabo extraindo disso alguns significados pessoais mais complexos, mais profundos. O curioso é que, uma coisa pela outra, mais pique aqui menos ali, meu tempo acabou sendo melhor do que os tempos cronometrados nas outras voltas da Pampulha. Em todas elas, meu objetivo tem sido o mesmo: ficar abaixo de 1:45, o que significa alguma coisa perto de 10,5km/h. Nem mais nem menos. Esse é o meu melhor, mas também o meu limite. Esse é o lado legal da história: cada um tem seu objetivo, seu tempo, seu limite. Ninguém corre com o relógio do outro. Neste domingo, meu tempo oficial bateu em 1:43:57; um minuto a menos do que o previsto. Mas, afinal, o que é um minuto?! Obviamente, pra todo mundo não vale rigorosamente nada. Mas pra mim, naquele momento, é quase uma eternidade. Uma eternidade que comporta mil significados, duas mil reflexões...

Até o ano que vem!

[Largada...]

[... e chegada!]

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