7 de dez de 2013

Decisão impensada direciona transporte de cargas para área ambiental

Há mais de uma década, quando se definiu o novo distrito industrial de Sete Lagoas para instalação da IVECO, um dos requisitos observados, até onde se sabe, foi a boa condição logística que sua localização oferecia. Tinha-se ali, de pronto, rota para transporte de carga utilizando a Avenida Perimetral, transpondo a cidade, tanto com saída pela BR-040 quanto pela MG-424, como, ainda, alternativa de fuga pela MG-238/MG-010. Sobretudo, havia possibilidade de abertura de novo anel viário, fora da malha urbana, com conexão, também, com a 424 e a 040, o que seria a solução definitiva.

Mais de uma década depois, nenhum investimento foi feito, o NOVO ANEL inexiste e a ROTA DE CARGA ATUAL segue utilizando as alças leste e sul da Perimetral, cortando o tecido urbano, em área progressivamente mais adensada, especialmente nas imediações do bairro Montreal. Uma opção cada dia mais imprópria!

Não bastasse essa inadequação, a atual administração, ao invés de concentrar esforços, inclusive com pressão política sobre o Governo do Estado para liberação de recursos pactuados, na direção da única solução satisfatória, a da construção do prometido NOVO ANEL, optou por liberar uma nova rota de carga, de novo, atravessando a cidade, desta feita, margeando a Serra de Santa Helena, numa das regiões de maior fragilidade ambiental no contexto urbano. A ROTA DE CARGA PROPOSTA está sendo viabilizada com a ligação da Avenida Norte-Sul à MG-238 [já em obra], o que permitirá o acesso à alça sul da Perimetral, no limite da APA Serra de Santa Helena. 

Rota de carga é rota de carga: não há fluxo de caminhões pesados que não gere degradação urbano-ambiental. E a decisão impensada é de se fazer isso interrompendo, exatamente, a ligação da cidade com o seu principal patrimônio natural; é de se fazer isso, exatamente, numa área de recarga de aquíferos. Inadmissível!

Sete Lagoas ficou no meio do caminho entre o Distrito Norte, a IVECO, a AMBEV e outras empresas e a BR-040. E isso lhe custará caro! Ou se adota uma solução definitiva que desvie o crescente trânsito de caminhões de carga para fora da malha urbana ou teremos uma cidade cercada por caminhões - com a consequente degradação que isso gera - por todos os lados. Literalmente!

O curioso é um assunto dessa relevância não ser levado ao debate público e ser objeto de uma decisão de gabinete. Mais uma prova de que essa história de gestão democrática e participativa das cidades, determinada pela legislação urbanística federal, está se tornando, dia-a-dia, apenas coisa pra inglês ver.

3 comentários:

LEANDRO VIANA disse...

Flavio, muito pertinente. A Av Prefeito Alberto Moura nas imediaçoes do Montreal traz riscos a pedestres e moradores locais tamanha circulaçao de caminhoes pesados em via má sinalizada, estreita e sem acostamento. Agora, a perimetral com suas rotatorias gordas e mal feitas vao servir de rota até a 040. O governo de MG teria anunciado a duplicaçao da 424 essa semana. Tenho minhas duvidas se realmente sai. As eleiçoes já tao a

LEANDRO VIANA disse...

*tao ai junto com o faz de conta. Depois que li no "Hoje em dia" essa semana que o tal "Caminhos de MG" só teve 40 km de asfalto até hj estou descrente. Onde está a via 238 ligando até o Aeroporto Confins? E o asfalto da Estiva até Araçaì? Esses nossos deputado's' Estadual da cidade sao fracos demais!

Blog do Flávio de Castro disse...

Leandro,

Tudo leva a crer que o Governo de Minas não tem grana para cumprir o que promete.

Não estou certo de que haverá duplicação, de fato, da 424. Os anúncios são contraditórios. A informação mais detalhada dava conta de execução de desvios em Matozinhos e Prudente de Morais e terceira faixa em alguns pontos. Nada além disso!

Estiva - Araçaí?! Duvido!

Nem mesmo o rodoanel, passando pelas Areias, contornando a Embrapa, cruzando a 424 e daí indo em direção a 040, promessa assumida quando da vinda da IVECO, tem chance de sair do campo dos discursos...

É nesse contexto que surgem ideias 'criativas', tanto quanto irresponsáveis, como essa aí. Pirotecnia pura!

Abs, Flávio