13 de nov de 2013

Piauí 86

Acabei de receber o meu exemplar da Piauí de novembro [86]. Todos os assuntos do momento estão lá: Eduardo & Marina, o primeiro e badaladíssimo romance de Fernanda Torres ['Fim'], Michel Laub [de quem falei na postagem anterior], o affair Grazi & Cauã [no Diário da Dilma] e, naturalmente, a polêmica das biografias autorizadas ou não [no debochado The Lavigne Herald]. 

De cara, li o artigo de Marcos Nobre, na capa, com o título 'Lula enfrenta a nova oposição' e, no artigo propriamente, com outro, 'A volta da polarização' [pág.28]. Para quem acompanha Marcos Nobre, a base do seu texto continua sendo a ideia que ele desenvolveu da pemedebização da política brasileira. É sobre ela que ele tem assentado o papel do PT e do telecatch entre o PT e o PSDB. Nesse novo artigo, ele insere, nesse seu contexto conceitual, a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos. Antes, ele fala  da falência desse telecatch petista-tucano na sociedade, da sua visão das ruas, do malabarismo entre ora ser e ora não ser governo, entre a política como mobilização social versus a política como institucionalidade, de Lula e da mudança estratégica que ele [Nobre e não Lula] enxerga no PT para 2014 e por aí afora. Dá pra concordar com tudo nessa sua particular narrativa?! Não necessariamente; de toda forma, eu gosto do seu olhar, ainda que concorde ou não, que concorde mais ou menos, com as apostas que sua narrativa incorpora. Por exemplo: tenho dúvida da força que ele atribui à essa aliança entre a Rede e o PSB como uma oposição viável. Será?! A mais, uma observação óbvia e mais óbvia ainda para quem já leu outros artigos de Marcos Nobre: nenhuma palavra sobre Aécio Neves! Vale a leitura.


"[...]
O que Marina acrescenta à candidatura de Eduardo Campos não tem preço: uma aura de não contaminação pela baixaria da política oficial, uma atitude de oposição firme, mas que não aparece como agressiva ou destrutiva. O que Eduardo Campos acrescenta a Marina é vital em termos da institucionalização de seu projeto: a credibilidade própria da operação por dentro do sistema. E, se o clima latente de contestação geral se mantiver em 2014, mesmo o até agora exíguo tempo de tevê pode acabar se mostrando uma vantagem, e não uma desvantagem para a nova aliança oposicionista. 
Ao mesmo tempo, a complementaridade é também a maior fragilidade da dupla, que se mistura como água e óleo. Nem Marina pode produzir sua pretendida nova política nos termos estritos em que funciona hoje o sistema, nem Eduardo Campos pode arriscar acordos políticos costurados a duras penas simplesmente para preservar a aura de sua nova aliada.
Mas, para que uma frente de oposição se apresente como candidata a substituir a “metamorfose ambulante” que é Lula, só mesmo misturando água e óleo. Talvez apenas uma aliança como essa seja capaz de aglutinar de modo eleitoralmente viável as forças de oposição de todos os matizes, que se encontram hoje dispersas e fragmentadas. Só uma ampla frente como essa pode atacar ao mesmo tempo todos os possíveis pontos fracos (do ponto de vista de uma oposição de fato) do governo Dilma. Mais que isso, só uma aliança como a de Marina e Campos pode ter credibilidade para realizar esse ataque.
[...]"

Um comentário:

Flávia disse...

Aproveitando o posts para comentar os elogios de Patrus a sua pessoa. Adorei!
Saudades.
Abraçaço.

Flávia