26 de nov de 2013

'Fim', o romance da Fernandinha

Fernanda Torres é uma artista extraordinária. Eu acho isso, como todo mundo acha, mas, ainda assim, não chego a ser um apaixonado pela Fernanda Torres. Aquela história do 'gosto, mas não gosto'. Tirando alguns papéis excepcionais, a minha impressão é de que Fernanda é tão Fernanda, tão marcante, tão ela mesma, que, em todo papel, ela parece estar representando ela mesma. Sobretudo, depois da série 'Os Normais', o estilo cult, moderno, cômico, antenado virou o estilo Fernanda Torres. É um estilo bacana? Muito! Eu gosto? Gosto! Mas não gosto tanto assim, se é que vocês me entendem.

Quando a Fernandinha se meteu a colunista, na Folha, eu li e, de novo, gostei. Li uma, duas colunas e gostei e não gostei. Era, de novo, Fernanda Torres com o indefectível estilo Fernanda Torres. Genial demais! Fernanda demais!

Fernandinha, agora, estreou, com pompa e circunstância, no romance. Eu li resenhas de 'Fim' [Companhia das Letras, 208 págs.], em todos os jornais, e só li elogios. Muitos elogios. Tantos que eu corri pra ler o livro, propriamente. De novo, um trabalho muito bacana. Mas, de novo, um trabalho com a marca registrada da Fernanda Torres.


'Fim' narra o ocaso de cinco amigos cariocas, pra lá de cariocas: Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro. A primeira e mais importante parte de 'Álvaro' está publicada na Piauí 86. O estilo está ali: não parece nada experimental; ao contrário, o seu texto tem uma fluidez muito madura. A ambientação é precisa: uma coisa meio Copacabana decadente que mescla dramas, tristezas, poucas alegrias, muita putaria, muita sacanagem e um sentido onipresente de fim-de-linha. Mas, especialmente, mescla tudo isso com humor, um humor construído sobre tragédias, um humor refinado típico de comédias de costume.

Para aqueles que se interessarem, vai aí um aviso e um conselho. O aviso: não procurem em 'Fim' um romance sobre a velhice com a profundidade e a densidade, por exemplo, de um 'A máquina de fazer espanhóis', de Valter Hugo Mãe, sobre tema similar, mas com outro olhar. Nada disso. 'Fim' é outra coisa, mais ágil, mais leve, mais cômico, mais romance urbano mesmo. O conselho: prestem atenção na capacidade estonteante de Fernanda Torres [uma mulher, por óbvio] para falar de coisas absolutamente masculinas, sobretudo, de sacanagens masculinas, as mais bizarras, as mais grosseiras, as mais anti-feministas. Incrível! Só isso vale a leitura.

4 comentários:

Flávia disse...

Eu sou muito fã da Fernanda, adoro o estilo bagaceira que ela tem e que nem todo mundo pode ter sob o risco de parecer vulgar.
Ela é minha louca predileta!
E Fim é o próximo livro que vou ler, depois que terminar A casa dos budas ditosos. Você leu este livro? Ubaldo heim?! Quem diria que todas aquelas coisas passariam pela cabeça dele?! Olho a fotinha dele na capa do livro e não acredito! Se não leu, leia.

Abraço
Flávia

Blog do Flávio de Castro disse...

Bons ventos a trazem, dona Flávia!

Bom vê-la e revê-la, aqui no blog, depois de longo e tenebroso inverno.

Abs, Flávio

Blog do Flávio de Castro disse...

Ah, não, não li A casa dos budas ditosos.

Vou por na fila...

juliano cesar de oliveira disse...

Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?
busca.livrariasaraiva.com.br/saraiva/Reverso
www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html