11 de nov de 2013

Diário da Queda

Aí à direita tem-se o link da Copa de Literatura Brasileira. Não sei se alguém viu, se alguém se interessou e se alguém acompanhou, mas asseguro-lhes que foi algo divertidíssimo! As regras aplicadas foram simples: jurados [ou árbitros], um de cada vez, arbitraram um 'jogo', ou seja, uma disputa entre dois livros. Dezesseis livros entraram nas oitavas de final e, naturalmente, oito seguiram em frente. Nas quartas, claro!, esses oito foram reduzidos a quatro. Mas aí veio uma rodada de repescagem que escolheu outros quatro. Quatro a quatro fizeram um embate na rodada zumbi. Enfim, quatro foram para as semifinais; e depois, dois para a finalíssima. Então, o grande vitorioso foi anunciado: Diário da Queda, de Michel Laub.

Eu torci pelo 'Diário' não apenas porque era um dos poucos livros concorrentes que eu já havia lido, mas, mais do que isso, porque eu havia lido e gostado muito. Num momento em que se critica tanto os escritores brasileiros mais novos, entre outras razões, por serem, teoricamente, frugais demais, adolescentes demais, Laub dá bons argumentos para não se generalizar essa fama. Em um livro breve, com um tema que eu, particularmente, não gosto nada [o do semitismo, anti-semitismo, Auschwitz e etc], ele oferece um show de maturidade. Ao, aparentemente, indispor-se contra uma corrente de memória familiar judaica, você não sai convencido de que, de fato, há nisso uma contraposição ou se, no fundo, ao contrário, tudo não faz parte de uma rebelde afirmação. Ainda assim, essa complexidade temática, em momento algum, maltrata a linguagem: a escrita de Laub segue fluida, equilibrada, prazerosa, sem excessos nem pra lá nem pra cá. Vale a pena ler. 

E vale a pena ler, também, as narrativas dos 23 embates, ou 'jogos', da Copa de Literatura, clicando o link aí ao lado. Mesmo depois de conhecido o resultado de certame.

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