23 de out de 2013

Papo de cruzeirense

O time perdeu na rodada 14. Depois fez um feito extraordinário: em 12 rodadas, da 15 a 26, venceu todos os jogos, à exceção de um, do empate contra o Corinthians, na 23. O embalo era tal que empate virou tropeço. Como prêmio, ganhou 11 pontos de vantagem. Mas se sabia que, mais hora menos hora, a derrota viria. Não é possível ganhar tudo e sempre, sobretudo, num campeonato que não termina nunca, não é mesmo? E veio contra o maldito São Paulo, na rodada 27. Mais duas, na 28 e 30, contra as Panteras e o Coxa, com uma vitória de respiro, na 29, contra o Pó de Arroz. Junto às derrotas, vieram as especulações. A mais perigosa delas é que, enfim, os adversários aprenderam a parar a máquina azul. Na primeira derrota, eu concordo. O Cruzeiro foi surpreendido pela forte marcação do tricolor paulista. Sob pressão, recuou demais sua defesa e deixou isolado o seu ataque. O jeito compacto de jogar se rarefez e a vaca foi pro brejo. Como se disse: levou um nó tático do Muricy. O jogo seguinte seria uma oportunidade de se tirar a prova dos nove: os adversários aprenderam ou não aprenderam? Mas o time jogou tão mal o clássico que ficou difícil concluir se foi mais mérito do lado de lá do que demérito do lado de cá. Certo é que perdeu. Aí, quando ganhou, também não convenceu. E, enfim, contra o Coritiba foi um vai-e-vem com tantas oportunidades para um lado e outro que também ficou difícil apurar a ameaçadora tese de que os adversários encontraram o segredo da mina. Eu, particularmente, suspeito que não. Minha opinião é que o time vive um momento de esgotamento. Natural. Não foram os outros que cresceram, foi ele que diminuiu. Esgotamento, queda de produção, instabilidade psicológica. Era hora do técnico entrar em campo e rodar mais o time. Aí, o Marcelo, que vinha sendo irrepreensível, a meu ver, tem pisado na bola. Ao insistir na mesma formação e nas mesmas e previsíveis substituições, nos quinze minutos finais, nos três últimos jogos, só tem prolongado o mau tempo. Tem banco, tem cartas na manga, era hora de usá-las! Mas prefere não usá-as. Enquanto isso, tudo conspira a favor dessa tese do esgotamento. O time vai perdendo aquele apronto de vencer a qualquer preço. Começa a fazer as contas, a jogar com o regulamento, a administrar a vantagem. Prova disso é que, nas três últimas derrotas, para sua sorte, ao entrar em campo depois do Grêmio, já sabendo que não precisava correr atrás do prejuízo, aparentemente, não correu e afrouxou. Sorte ou azar? Na única rodada em que jogou antes do tricolor gaúcho, na 29, sem saber o que viria pela frente, na dúvida, foi lá e fez o resultado. Melhor assim! Mas há tempo. E essa próxima rodada promete. É uma oportunidade única de se tirar a limpo essa história toda. Primeiro, porque todos os adversários do G4 - Grêmio, Atlético/PR e Botafogo - entram em campo nesse meio de semana e se desgastam pela Copa do Brasil; enquanto isso, a seleção celeste, entre descanso e treino, tem a semana que pediu a Deus. Segundo, porque joga em casa e com casa cheia, em pleno Mineirão, a Toca III. Terceiro, porque joga antes do Grêmio, que só pisa o gramado no dia seguinte; ou seja, na dúvida, está pressionado a jogar bola e jogar bem! E, quarto, porque pega um time que está na zona de rebaixamento. E não tem esse papo de desespero do adversário: para quem quer ser campeão, é ganhar ou ganhar!

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