28 de out de 2013

O homem e a máquina


Num fim de semana esportivo em que tudo deu certo, várias imagens foram fortes candidatas a melhor da rodada. O desabafo de Borges na comemoração do gol que selou a vitória cruzeirense foi uma delas. O gol contra patético de Pará, aos 15 segundos do 1º tempo, que abriu a derrota do Grêmio por goleada, foi outra. Qualquer uma da derrota atleticana, também. Mas a mais emblemática de todas, pra mim, veio da insossa F1. A F1 vem se tornando tão sofisticada, a cada temporada mais, que você se esquece que ainda é um esporte dentro de uma máquina e não um jogo de vídeo game. Os pilotos bad boys do passadoPiquet à frente, eram caras que gostavam e entendiam de máquina, de motor, de óleo; os pilotos de hoje parecem uns mauricinhos que só entendem de tecnologia, de botões. No máximo, você se lembra que é um esporte com pneus porque os pneus mandaram na temporada. Mas aí, no final de mais um GP sem nenhuma graça, na Índia, do nada, Sebastian Vettel criou uma cena absolutamente emocionante. Pra variar, ele correu sozinho e levou a bandeirada com tempo de sobra para o segundo lugar. Ganhou o GP e, de quebra, o seu quarto campeonato mundial, com três rodadas de antecedência. Tudo previsível. Menos o seu gesto final. Ele tomou a bandeirada, fez a volta da vitória e, ao invés de ir para os boxes, como de praxe, ele foi até o grid de largada, bem em frente à arquibancada, girou o carro marcando um zero no asfalto, várias vezes, até desaparecer dentro de uma nuvem de fumaça branca, desceu, ajoelhou-se na frente da impecável máquina da RBR e reverenciou-a, gerando essa imagem belíssima daí de cima. Fantástica! Foi uma reverência a uma máquina e, por certo, a quem sempre esteve por trás dessa máquina: Adrian Newey, o mago dos bólidos da F1, o mago da aerodinâmica, projetista de carros que já ganharam dez campeonatos mundiais. Por seu simbolismo, uma foto histórica!

2 comentários:

Frederico Dantas disse...

Flávio.

Alguma coisa de diferente nesse meio tão pomposo esse menino tem. Viu isso?

http://grandepremio.com.br/f1/noticias/antes-da-festa-vettel-ajuda-mecanicos-na-desmontagem-dos-boxes-da-red-bull-em-buddh

Blog do Flávio de Castro disse...

Fred,

Muito bacana isso!

“Infelizmente, não posso apertar sua mão, pois a minha está completamente suja”; mão suja, aí, ressalve-se, no melhor sentido.

Acho que é disso que sinto falta na F1: de quem suje as mãos.

Abs.