14 de out de 2013

Encerrando esse papo sobre Marina

Eu não estava de todo errado quando, contrariando a expectativa dos analistas políticos, disse que achava que a transferência de votos de Marina para Eduardo Campos poderia ser baixa; que, nessa história, Aécio poderia não ser, necessariamente, o grande perdedor; e que Dilma, também, poderia não se dar mal com um candidato a menos no páreo. Dito e feito! A primeira pesquisa - do Datafolha - saiu nesse final de semana e mostrou que, na verdade, não há muita mágica na política. Sem Marina, Dilma foi a 42%, Aécio a 21 e Campos a 15. Numa análise precária, comparando esses números com os de outra pesquisa, do mesmo Datafolha, de agosto, Dilma pulou de 35 para 42, portanto, subiu 7 pontos; Aécio, de 13 para 21, portanto, somou mais 8; e Campos foi de 8 para 15, 7 acima. Ou seja, sob essa ótica, os pontos de Marina se pulverizaram, de forma muito equilibrada [7 a 8 pontos, igualmente], entre os três nomes que restaram na cédula. Entretanto, como essa comparação não é apropriada, por várias razões, considerando-se, então, de forma mais prudente, as porcentagens de migração de votos de Marina calculadas pelo próprio Datafolha e divulgadas no dia seguinte à pesquisa, aí, a realidade é mais esclarecedora: Dilma capturou 42% dos votos marinistas, Aécio, 21, e Campos 15. Com precisão absoluta, 41, 21 e 15 são os mesmos números registrados nas intenções de voto para esses três candidatos, nessa ordem. Ou seja, o eleitor de Marina, não tendo mais a Marina como opção, parece tender a se comportar, exatamente, como a média dos brasileiros, o que permite uma infinidade de conclusões, mais ou menos polêmicas. Uma delas, um tanto pacífica, é que o voto em Marina está longe de constituir-se em um voto de indignação a tudo-isso-que-está-aí, em um voto de rebeldia, como muitos analistas políticos quiseram interpretar, especialmente, após as manifestações de junho.


Para encerrar esse assunto, vai aí um comentário adicional. Não, não vou analisar o desempenho de cada candidato. A bem da verdade, a essa altura, isso é inútil porque cada leitor/eleitor pode enxergar o que bem quiser nessa e em outras pesquisas e, por ora, todos os desdobramentos imaginados são, potencialmente, possíveis. Eu quero me ater ao papel de Marina nesse jogo. Só para afirmar que, de fato, ela tem tudo para ser uma 'vice problema'. Por uma razão simples: não será fácil manter como vice alguém com tamanha capacidade de mexer as peças no tabuleiro. Quem apostava em Serra, por exemplo, para cumprir esse papel instabilizador tem razão para desanimar: a diferença [4 pontos] que ele consegue impor sobre Aécio vale apenas para consumo interno do partido de ambos e em nada para a disputa global. Marina, sim: com quase o dobro de votos de Campos, mostra ser, ainda, a única candidata competitiva contra Dilma. Isso significa que ela tomará o lugar dele? Tenho cá minhas dúvidas: o partido é dele, ela foi pra lá porque quis e já sabendo disso, a preferência é toda dele, 2014 é a chance que ele tem para se tornar conhecido para uma disputa mais acirrada em 2018, pular fora agora pode significar, para ele, abdicar não apenas de 2014, mas também de 2018. Ou seja, continuo duvidando que Eduardo Campos pretenda sair da frente e se auto-implodir.

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