17 de set de 2013

Ilha do Milito

A Ilha do Milito está sendo reformada e o SETE DIAS fez uma reportagem sobre isso, na edição de duas semanas atrás. Lá pelas tantas, a matéria fez menção ao projeto original que eu e a Tiza, pela Ofício Projetos, elaboramos há mais de vinte anos. O jornalista Celsinho Martinelli foi fiel ao que conversamos ao telefone. Ele estava interessado em saber qual a minha opinião sobre a interferência da reforma no meu projeto e, de fato, eu lhe disse que, quanto a isso, eu era indiferente e que achava que o foco da avaliação deveria ser, na verdade, o seu impacto na ilha como um todo. Eu quero, aqui, falar mais um pouco sobre essa minha posição.


O projeto original foi elaborado na gestão Múcio Reis, quando o concessionário da Ilha era o grupo, então, distribuidor da Antártica, em Sete Lagoas. Todas as bases de projeto foram amplamente discutidas com participação do próprio prefeito. O clima de trabalho era muito bom. O projeto aprovado não foi o primeiro proposto, mas o que melhor respondeu às condicionantes apresentadas. Durante a execução, a concessão foi vendida, o ambiente profissional degenerou-se e o projeto foi, unilateralmente, simplificado e descaracterizado. Isso valeu, à época, uma entrevista ao Chico Maia, no mesmo SETE DIAS. E mais: isso levou-nos à providenciar a baixa de ART, por destrato, declinado-nos da autoria do projeto como executado. Esses fatos explicam a razão de eu ser, hoje, de certa forma, indiferente às modificações que estão sendo realizadas naquele projeto original. 

Todavia, se, a meu ver, o projeto, como objeto em si, isoladamente, não deve mais ser o ponto central da discussão, penso que o contexto, a inserção do projeto no espaço urbano, o conjunto natural e edificado a que chamamos de 'ilha', Ilha do Milito, deveria ser. Nesse aspecto, quero lembrar que uma das condicionantes que tivemos que obedecer foi, justamente, a de limite de ocupação da área da ilha. Em resposta, um dos objetivos do projeto, jamais executado, foi a revitalização da sua área externa, tanto de seus caminhamentos quanto de seu paisagismo. A ideia era recuperar alguns elementos importantes, dentre eles, as partituras estampadas no calçamento, atribuídas a Wilson Tanure, salvo engano. Isso nunca foi posto em prática. E, depois, na administração Cecé, a situação acabou ficando ainda mais comprometida com a construção da casa de bombas da fonte, que desfez a continuidade do piso externo. Agora, ao que pude ver, está-se fazendo um deck de madeira ampliando o piso do restaurante sobre a lagoa. A somatória dessas intervenções é que me parece relevante e que deve ser motivo de avaliação, para o bem ou para o mal, conforme a matéria do Celsinho resumiu.

Nenhum comentário: