27 de set de 2013

'Cidade Aberta'

'Puxadões'

Aumento de IPTU à vista! Não, eu não sou contra debater esse assunto. Eu não tenho dúvida de que é importantíssimo discutir, publicamente, como o poder público se financia. O problema é a forma: o aumento de IPTU, em Sete Lagoas, será, por certo, mais um projeto aprovado, silenciosamente, pela força da 'autoridade' do Executivo e da subserviência do Legislativo. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana, cuja versão digital pode ser lida AQUI.

24 de set de 2013

Tudo tem limite!

Com o tempo, toda discussão se esgota e chega ao seu caroço. Como diz Pellegrini, ao 'caroço da pedra'. Nesse assunto da falta de médicos em várias cidades brasileiras, até o Carlos Heitor Cony, o Arthur Xexéo e a Viviane Mosé, comentaristas de um programa diário na CBN, sempre bastantes críticos, já jogaram a toalha. Não interessa mais a origem do problema; não interessa se, estatisticamente, faltam ou não faltam médicos no Brasil; não interessa se o problema é de número ou de distribuição; não interessa se os médicos necessários devem ser brasileiros ou cubanos; não interessa se estão sendo contratados assim ou assado; não interessa se há ou não revalida; não interessa essa ou aquela visão partidária; não interessa se eu ou você somos a favor ou contra; a única questão que interessa, nesse momento, é o que se deve fazer, objetivamente, para prover médicos no interior do país, onde eles não existem, e ponto. E, nessa direção, o que os conselhos regionais de medicina estão fazendo, nesses dias, ao não fornecerem registros provisórios aos médicos já selecionados pelo programa Mais Médicos, é deplorável. Boa ou ruim, a solução dada pelo governo está em curso, está amparada legalmente e, sobretudo, não enfrenta nenhuma contraposição viável. Afinal, fora críticas, quais propostas alternativas emergiram, nesses três meses de debate?! Nenhuma! Essa queda de braços que as instituições médicas estão fazendo é um erro, até para a defesa de suas posições. Só reforça seu foco corporativista e seu desapreço pelo problema da saúde pública, de maneira ampla. Tudo tem limite!


[A propósito, do jeito que a coisa vai, para ficar sem atenção médica, não precisa estar no interior do Brasil. Mal comparando, aconselha-se que classe média que paga caro por planos de saúde não adoeça, especialmente, nessa primavera quente, com o ar irrespirável. Fotos nas redes sociais, nesses dias, estão aí mostrando como vários pacientes, crianças em particular, estão padecendo no Hospital da UNIMED de Sete Lagoas. Fotos incômodas, muito incômodas!]

20 de set de 2013

Tempos intolerantes

Eu não me lembro de ter vivido um momento político tão estranho. Como cidadão, eu gosto de política, eu gosto de ter uma posição política, eu gosto de ter uma opinião política e, sobretudo, eu gosto de conversar sobre política. Ou gostava. É que as melhores conversas políticas são aquelas em que há divergência, contraditório, contraposição. Mas em que há, também, genuína disposição para ouvir o outro, para dialogar e encontrar áreas, ainda que poucas, de consenso. E nada disso parece haver mais. 

No bar, um conhecido chegou transtornado e puxou conversa comigo. O motivo da sua revolta era a decisão do STF pela recepção dos tais embargos infringentes. Confesso que essa é uma discussão que não me interessa porque ela é apenas mais uma que já está inteiramente contaminada e previamente definida. Na prática, não há nada a discutir. Se eu disser que sou a favor dos tais embargos, o pacote vem pronto: então, eu sou petista, sou a favor de corrupção e impunidade, sou isso e sou aquilo. Melhor, portanto, falar de futebol. Mas como o meu interlocutor preferiu manter a conversa e a indignação, eu não disse o que achava e, apenas, fiz a única pergunta que me veio: - "como você deve entender de embargos infringentes, por favor, me explica o que é isso e por que isso é tão ruim e, se é tão ruim, por que que isso foi inventado lá no tal regimento do STF e, se esse demônio está lá há tanto tempo, por que nunca gerou nenhuma indignação". Ele não sabia o que eram os embargos infringentes. E, para ser honesto, depois de ouvir trechos do longo e complicado voto do ministro Celso de Mello, eu tampouco. Aliás, até o momento, não consigo entender como uma coisa tão insípida, como esses 'embargos infringentes', foi capaz de tornar-se tão popular e mover tantos corações e tantas mentes.

Na verdade, em nenhum dos últimos debates nacionais, não só nesse, eu vi boas discussões de mérito. Ou muito poucas. Sobre a redução da maioridade penal, sobre o plebiscito para a reforma política, sobre o Mais Médicos, sobre a PEC 37, sobre todos esses temas abriram-se, apenas e tão somente,  a meu ver, divergências polarizadas. Estigmatizadas. Ideológicas. Imediatas. Contra ou a favor. Pessoalmente, tive a sensação de que, nesse apaixonado mercado de lebres, havia gatos demais sendo contrabandeados; mas fazer o quê?!

Mas saindo das grandes discussões nacionais e entrando nas grandes discussões sete-lagoanas, eu diria que  também não me lembro de ter vivido um momento político tão estranho. Mas por razões opostas. É que aqui nunca houve tamanha unanimidade, se o nome do que está no ar é mesmo esse. Aqui, desde a mudança de governo, simplesmente, não há debate político algum, sobre tema político nenhum.

Na porta do meu escritório, outro conhecido, habitual frequentador da praça da Prefeitura, fã de carteirinha do atual prefeito, tomou-me pelo braço e, em tom amistoso, sentenciou: - "secretário, eu concordei com tudo o que o senhor fez na Secretaria, mas acho que o seu erro foi a suspensão de novos loteamentos; a cidade precisa crescer, secretário!; o Márcio Reinaldo acertou em acabar com isso!", concluiu ele. Eu reagi, também amistosamente: - "mas, meu amigo, está tudo trocado; eu não suspendi loteamentos; quem suspendeu foi o Márcio Reinaldo; eu..." Foi quando ele me interrompeu com um sorriso superior: - "que isso secretário?!; eu sei das coisas"; e me deu um tapinha nas costas. E, assim, sem discussão, recusou os meus embargos infringentes.

Foi aí que eu segui, pela calçada afora, pensando como anda a vida, ultimamente, nesta terra dos lagos encantados. Até outro dia, tudo, aqui, suscitava polêmica. Uma maravilha! Agora, não mais. Pensei: que coisa!; falar em loteamento, até outro dia, dava guerra; hoje, o problema está do mesmo tamanho e reina aí essa paz na terra. Foi quando me veio à mente as tais leis delegadas. O prefeito passado fez uma só, sem criar cargos, sem impacto orçamentário e a cidade veio abaixo e o governo teve que se desdobrar em explicações. O atual prefeito começou, de cara, com três, uma centena de cargos criados, impacto de mais de três milhões, nenhuma explicação, e a coisa fluiu tranquilamente. Em seguida, mandou mais catorze [isso mesmo: catorze!] e fluiu mais tranquilamente ainda; tão tranquilamente que sequer deu nos jornais. Agora, está tramitando uma correção de IPTU; se nem um aumento de imposto que vai bater no bolso dos sete-lagoanos é capaz de gerar algum debate, francamente, meus amigos, o que será capaz?!, eu me perguntei. Nada, eu mesmo me respondi.

Tempos intolerantes. De uma intolerância nacional marcada pelo extremismo das posições. De uma intolerância sete-lagoana marcada pelo extremismo do silêncio. Um silêncio amedrontado e amedrontador. Deus nos proteja!

'Cidade Aberta'

Polo ou ralo?

"Podemos dizer que não estamos crescendo, mas inchando". Esta frase do editorial do SETE DIAS, da semana passada, recomenda-nos um esforço de formulação de caminhos para o desenvolvimento de Sete Lagoas, em bases sustentáveis, para os próximos anos. Uma das hipóteses seria estendermos a nossa própria visão de desenvolvimento de uma dimensão local para outra, regional. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, da edição que está nas bancas. Sua versão digital pode ser lida AQUI.

17 de set de 2013

O SETE DIAS na rede

Dois leitores do jornal se manifestaram sobre o artigo Descrédito!, da coluna Cidade Aberta da semana anterior, sobre a falta de água em Sete Lagoas. O SETE DIAS publicou as duas opiniões, ambas muito pertinentes, na última edição. Eu gostaria de comentá-las.



Ilha do Milito

A Ilha do Milito está sendo reformada e o SETE DIAS fez uma reportagem sobre isso, na edição de duas semanas atrás. Lá pelas tantas, a matéria fez menção ao projeto original que eu e a Tiza, pela Ofício Projetos, elaboramos há mais de vinte anos. O jornalista Celsinho Martinelli foi fiel ao que conversamos ao telefone. Ele estava interessado em saber qual a minha opinião sobre a interferência da reforma no meu projeto e, de fato, eu lhe disse que, quanto a isso, eu era indiferente e que achava que o foco da avaliação deveria ser, na verdade, o seu impacto na ilha como um todo. Eu quero, aqui, falar mais um pouco sobre essa minha posição.


16 de set de 2013

Velho [e agitado] mundo

Mudanças no mapa da Europa do ano 1000 AC aos dias de hoje:

14 de set de 2013

Seminário de Desenvolvimento

A Prefeitura de Sete Lagoas, através da SMDET, realizou, em momento muito oportuno, o Seminário Regional de Desenvolvimento Econômico e Turismo, no auditório do UNIFEMM, na quinta, dia 12. Ainda que eu só tenha tido oportunidade de acompanhar a programação na parte da manhã, eu gostaria de destacar duas falas: a do reitor do UNIFEMM, Dr. Antônio Bahia, sobre a proposta de Centro de Desenvolvimento Regional - CDR, que eu assisti; e a do subsecretário da SEDE/MG Dr. Luiz Antônio Athayde, que eu não assisti, mas cujo conteúdo, em tese, eu conheço.


Entre o inútil e o útil

No Seminário Regional de Desenvolvimento Econômico e Turismo, realizado pela Prefeitura, no dia 12, o prefeito de Sete Lagoas confidenciou que aplicava em nossa cidade o método de administração VTP recomendado a ele pelo ex-prefeito da cidade gaúcha de Gramado, também presente ao evento. Segundo ele, o método VTP significava Vassoura, Tinta e Pincel e tinha a ver com a ideia de manter a cidade limpa com meios-fios pintados. Coincidentemente, esse comentário tinha relação direta com o artigo da coluna Cidade Aberta que eu já havia escrito e enviado ao SETE DIAS para a edição do dia 13. Pensei: eu seria, então, contra o tal VTP?! Nunca! Que bom que, enfim, se levava a sério o clamor dos sete-lagoanos por uma cidade bem cuidada, não é mesmo?! Mas, pensando bem, ainda assim, não tiraria uma vírgula do artigo. É que, no próprio seminário, vi que há VTPs e VTPs. Logo após a fala do nosso prefeito, na sua palestra, o ex-prefeito Pedro Bertolucci apresentou a sua cidade de Gramado e, quando falou do seu VTP, mostrou foto de uma avenida de 3 quilômetros, belíssima, urbanizadíssima, limpíssima em que o que de fato se destacava não era a pintura de meios-fios coisa nenhuma, mas a pintura de inúmeras faixas de pedestre. Ou seja, entre fazer e fazer melhor, vê-se que há VTPs e VTPs melhores. Concluindo: a boa manutenção de vias é sim muito bem-vinda, mas não muda nada se não se melhora o padrão geral de urbanização! Esse é o ponto. 

'Cidade Aberta'

Entre o inútil e o útil

“Por que, ao invés de pintar meios-fios, a Prefeitura não pinta faixas de pedestres?”

Essa pergunta de um amigo, surgida em meio a uma inesperada conversa, em um encontro ocasional, ali mesmo na calçada, é o mote da coluna Cidade Aberta, desta semana. Como o artigo ainda não está disponível no site do jornal SETE DIAS, excepcionalmente, ele pode ser lido a seguir.


6 de set de 2013

'Mentiras Verdadeiras' [Pedro Maciel]


Muito bonito isso! A melhor arte de dois sete-lagoanos: texto e voz de Pedro Maciel [fragmento de seu romance 'Retornar com os Pássaros', da Editora Leya], música de Erik Satie e piano de Juarez Maciel.

'Cidade Aberta'

Descrédito!

"Não é passada a hora, de o governo – o atual, ora, pois não há outro – vir a público e expor, de forma cristalina, o que se passa, quais foram os resultados do estudo hidrogeológico, quais os cenários que se tem à frente e o que a população pode esperar, ano a ano, até que seja salva, definitivamente, para além de quatro anos, se é que algo, nesse mundo político, dura tanto?"

O problema de falta de água vem castigando, há anos, a população de Sete Lagoas; mas para o governo municipal, um atrás de outro, é sempre um problema novo, que é abordado com o despreparo de quem lida com ele pela primeira vez. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana. Sua versão digital pode ser lida AQUI.