6 de ago de 2013

Babel

Todo mundo anda falando em reforma política como se estivesse falando sobre uma mesma e única coisa. O IBOPE acaba de revelar que 85% da população apóia a reforma política. Senadores prometem votar alguns temas da reforma política já na próxima semana. Essas são apenas duas manchetes de hoje. Mas tem uma Babel aí: a reforma política que está na boca da população tem pouco a ver com reforma política dos senadores, dos deputados, do Congresso Nacional. As manifestações de junho referiam-se a uma reforma que mudasse a prática política, o carreirismo, os privilégios e as regalias dos parlamentares, por exemplo; já a reforma política do Congresso tem dito respeito a mecanismos de aprimoramento do mesmo sistema que está aí, com coisas como financiamento público e lista fechada. Ainda que esses pontos sejam fundamentais, jamais se aproximarão dos apelos das ruas. O Congresso não colocará em pauta e não votará pontos que confrontem as regras que elegeram os seus atuais membros, ou seja, não dará, nunca, um tiro no pé. Aí eu volto à proposta da presidente Dilma, não exatamente a de plebiscito, mas a de 'constituinte exclusiva'. No calor da luta das manifestações juninas, todo mundo foi contra, mas, sinceramente, legal ou ilegal, viável ou inviável, eu ainda acho que esse era o único caminho capaz de nos levar a uma reforma política independente e transformadora. Nessa Babel, todos perdemos. Ou perderemos!

Um comentário:

rogerpardal disse...

Finaciamento púbico de campanhas,finaciamento púbico de campanhas,.....estou obsecado por isso1