30 de jul de 2013

'Metropolitanização'

O tema da ‘metropolitanização’ de Sete Lagoas, embora venha sendo olimpicamente ignorado por nossas lideranças políticas, a meu ver, precisa ser posto na ordem do dia. Nenhum dos argumentos que tenho ouvido, até agora, de pessoas refratárias à sua abordagem, convenceram-me. A história de que perderemos autonomia e poder ao nos integrarmos à Região Metropolitana de BH não se sustenta em analogia com Contagem ou Betim, por exemplo; afinal, desde quando essas cidades são mais dependentes do que a nossa e os seus prefeitos têm menos poder do que o nosso?

Para o bem e para o mal já estamos ‘metropolitanizados’ ou tendemos a isso, em curto espaço de tempo. Esse é o fato! Para o bem, nosso crescimento econômico, em grande parte, se deve à vantagem de termos um mercado de consumo de 4 milhões de pessoas e uma estrutura de serviços de porte metropolitano, a um palmo daqui. Para o mal, os nossos índices de crescimento populacional e de criminalidade só encontram paralelo nos de cidades da RMBH; ou seja, já estamos fortemente contaminados por problemas típicos de metrópole e de seu entorno.

Aliás, uma boa ilustração disso está na BR-040. Há dez anos, o deslocamento entre Sete Lagoas e BH era razoavelmente tranquilo; hoje, tornou-se um tormento diário para vários sete-lagoanos. E a razão disso não está apenas no aumento do volume de veículos que, de forma geral, acometeu todas as rodovias. Ai, há uma particularidade: a 040 tornou-se o eixo de avanço de uma conurbação, com tudo que isso significa – expansão intermunicipal periférica, precária, desigual, descontrolada e acelerada. E diga-se: uma conurbação que vem em nossa direção! Praticamente, a BR já se urbanizou e reduziu-se a uma avenida. Por ela, a metrópole que ficava distante, agora, bate à nossa porta!

E então?! Na prática, acredito que estamos diante de duas opções. Uma, é ignorarmos a realidade, quebrarmos a cabeça com problemas que são muito maiores do que nós, sem sucesso, até que a humildade nos convença de que, por aí, a luta pode ser inglória. E, ainda assim, continuarmos insistindo nesse curso.

A outra opção é debatermos os prós e os contras desse tema da ‘metropolitanização’ até encontrarmos a maneira mais favorável de termos assento e direito a voz e voto na mesa em que os grandes temas metropolitanos [que já nos afetam] estão sendo tratados, na sua origem. Na mesa onde se debatem tanto os duros problemas dos gargalos de circulação e de mobilidade interurbanas e os de segurança pública, quanto as boas perspectivas, por hipótese, do Vetor Norte da RMBH, com epicentro em Confins, na qualificação do desenvolvimento de toda a região ao longo da MG-424. Mesa essa, como se sabe, que não está na praça Barão do Rio Branco, mas na Cidade Administrativa, na outra ponta da linha.
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A primeira opção é a que temos preferido, desde sempre. A segunda é a única alternativa que vislumbro no horizonte. Posso estar errado, mas, a meu ver, saltar de uma a outra será apenas uma questão de tempo. Por interesse estratégico, hoje; ou por força da realidade, amanhã.

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