6 de jul de 2013

Cartas de Paraty [#7]

Paraty, 06.07.2013 ["Quebra-quebra não, poesia em construção"]

Tiza, Beco e Luca,

Como Paraty e a Fila Literária Internacional de Paraty só acordam às dez, pulei da cama cedo e fui correr. Foi uma maravilha! Eu descobri um circuito muito bonito, onde tenho treinado todo dia. Hoje, enquanto a cidade dormia, o céu iniciava sua jornada absolutamente azul e o ar, ainda muito frio, mostrava que havia atravessado a noite e tinha dificuldade em acostumar-se com a claridade e o sol, encontrei o clima ideal para correr até!

Se levantei cedo foi, obviamente, porque, ontem, dormi também cedo. E isso é verdade. Eu havia emendado duas mesas, uma muito leve, ao meio dia, outra muito densa, às três da tarde. Essa mesa, em especial, sobre kafka e Baudelaire, com o italiano Roberto Calasso e a suíça-brasileira Jeanne Marie Gagnebin, me exauriu. Eu consigo entender bastante bem que Kafka pode ter representado um 'tropeço no caminho reto e tranquilo da modernidade cartesiana', mas não consigo saber se Baudelaire foi um desvio nesse mesmo caminho da história simplesmente porque nunca li Baudelaire. Esse é um fato: preciso ler Baudelaire! Ademais, sem almoço, eu estava faminto. Aí, segui conselhos divinos: ao cair da tarde, procurei um bom bar, sentei-me em uma mesa na rua e pedi uma cerveja. Santo remédio! Foi quando me aproximei de escritores off FLIP, fiz amizade com um deles belorizontino e fiquei sabendo como funciona a rede de editores digitais. Pelo jeito, funciona como a rede de coletivos culturais, que anteciparam a tal horizontalidade e a tal descentralidade das manifestações de rua. Depois de umas tantas, nem tantas assim, acabei dando razão à Tiza de que talvez eu deva dar algum bom uso para o meu baú de ossos literários. Como iniciei os trabalhos muito cedo, encerrei-os também cedo e fui dormir.

Hoje, depois da corrida, peguei a fila das dez e assisti, na Tenda dos Autores, aquela que, por certo, ficará como a mesa mais divertida da FLIP: 'Maus hábitos'. Nunca ri tanto! O poeta brasiliense Nicolas Behr tranformou em poesia os cartazes das manifestações de rua ["Tarifa zero para a poesia", "Poesia lida jamais será vencida" etc.]. O ex-arquiteto Zuca Sardan interpretou seus poemas divinamente. Foi uma belíssima forma de por o pé no final de semana.

Cuidem-se! E, por favor, não façam protestos na cozinha pela ausência do chef predileto da casa.

[A mesa de ontem sobre 'A vida moderna em Kafka e Baudelaire']

[A fila das dez...]

[...que levou à mesa mais divertida da temporada]

Nenhum comentário: