21 de jun de 2013

'Cidade Aberta'

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O assunto da coluna, no SETE DIAS, desta semana, não poderia ser outro: as manifestações populares que tomaram as ruas do país. Como toda tentativa de interpretar o movimento, é mais um artigo absolutamente perecível. Eu o escrevi na quarta para o jornal que está nas bancas nesta sexta. Ontem, quinta, fui às ruas junto com não sei quantas mil pessoas, em Sete Lagoas. Vi gente de todo tipo, mas, sobretudo, uma juventude muitíssimo bem humorada. Me convenci de que a história de que o movimento não se presta a ser massa de manobra e que se constitui numa forma legítima de protesto era verdadeira. Ao chegar em casa, no entanto, assustei-me com o que li na internet: a depredação dos vitrais recém reformados da Catedral de Brasília, a tentativa de invasão do belíssimo Itamaraty, o vandalismo no Rio e a morte do rapaz em Ribeirão Preto. Sobretudo, me calei ao ler a denúncia do Movimento pelo Passe Livre, o início de tudo, de que "a direita quer dar ares fascistas aos protestos". Aí deu um baita mal estar. Mentalmente, me propus a fazer retoques no artigo, batendo na tecla de que todo cuidado é pouco! Exatamente por estar voltando das ruas, esse sentimento de que todo cuidado é pouco me assolou. Lembrei-me de que, poucas horas antes, em meio ao ambiente mais pacífico do mundo, quando descíamos a rua Professor Teixeira da Costa, uma pequena e inofensiva bomba solta por um vândalo foi suficiente para fazer boa parte da multidão disparar em pânico. Ou seja, tudo é muito sensível. Lembrando dos velhos tempos, não que eu quisesse uma liderança, mas nunca senti tanta falta de um bom e velho megafone que levantasse as palavras de ordem e, sobretudo, orientasse a multidão nos momentos críticos. Todo cuidado é pouco! Com ou sem bolor, a coluna Cidade Aberta pode ser lida AQUI.

13 comentários:

Marcia Venuto disse...

Flávio, participei ontem do movimento e como você também senti falta de um megafone para direcionar as pessoas.Mas também me orgulhei dos Setelagoanos, em 47 anos nunca tinha visto a população dar uma demonstração tão bonita de cidadania!

Ramon Lamar disse...

Estamos avançando...
para recuperar a memória recente:
- Concentração pela Regularização da APA da Serra de Santa Helena com cerca de 400 pessoas em frente à Casa da Cultura (6/6/12).
- Passeatas conduzidas pelo ACORDA SETE LAGOAS!
- E agora essa movimentação seguindo uma onda nacional.

O problema são os vândalos. Os mesmos que nas nossas queixas sobre segurança pública ficam sempre impunes (a polícia olhando e nada fazendo para reprimi-los, desde o início da manifestação). E por reprimir, entenda-se: - pega no braço, chama no canto, dá um carão e fica de olho no sujeito! Não precisa espancar e nem dar tiro.

Ramon Lamar disse...

Atualmente nossa polícia só conhece os extremos: cruzar os braços ou partir para a ignorância. Capacidade de diálogo não tem, ou nunca teve!

Zeca Dias Amaral disse...

Olá

chamem o Lula de volta. Ele é bom de megafone. Seria esta a msg cifrada?

Abs

Zeca Dias Amaral disse...

Olá
Também li que "a esquerda quer dar ares maoístas aos protestos". Momentos de incerteza que geram ansiedade principalmente aos acostumados com cartilhas. Não senti mal estar algum.

Abs

Geraldo Donizete disse...

Esta procura por lideranças do movimento para estabelecer um diálogo é infrutífera.
Penso que os manifestantes não as querem.
Até porque se despontar alguma liderança nesse movimento espontâneo o Governo do PT o coaptará assim como fez com a UNE, Sindicatos, Centrais Sindicais, Sem terra, Sem Teto,Sem carro, Sem Mulher, etc. etc.
Então é preferível que não se identifique liderança nenhuma.

rogerpardal disse...

Geraldo Donizete,não devemos esquecer que hoje em dia os outros partidos e "lideranças", fazem isso com maestria..essa metralhadora e giratória....esta valendo para todos.

Geraldo Donizete disse...

Concordo com você rogerpardal.

Acho que a essência do movimento é o descrédito da população com todos os partidos e políticos em atuação no Brasil. Ninguém escapa.

Nem o PT que de estilingue virou vidraça.




Blog do Flávio de Castro disse...

Se entre três ou quatro, aqui, o entendimento já é difícil...

Zeca, esquece Lula. Não há mensagem cifrada alguma. Eu e o Pardal estávamos lá e sentimos a mesma coisa. Uma desorientação coletiva. Quando estouraram bombinhas, não havia ninguém para orientar. Quando se chegou à Praça da Prefeitura foi o anti-clímax: uma dispersão geral por falta de informação...

Donizete, veja: eu não estou querendo liderança alguma. Textualmente, eu disse: "não que eu quisesse uma liderança". Quando falei em megafone, eu estava me referindo a comunicação. Sem comunicação, o movimento perde muito. Quem estava lá sentiu isso claramente...

Blog do Flávio de Castro disse...

Marcia, concordo. Ramon, concordo e concordo...

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,

papo furado seu, Flávio. Essa conversa mansa não cola. Este papo de megafone é emblemática de uma época e de um modo de agir.

Para o caso presente, é preciso entender a arquitetura da coisa que está baseada em uma coordenação que não comporta megafones.

Quem tem saudade de megafone reza em cartilha de ideologia do século XIX (pelo amor de Deus, não me entendam mal: ideologia do século XIX = socialismo e congêneres).

Abs

Blog do Flávio de Castro disse...

Zeca, tenho certeza que você não participou das manifestações para falar isso. Tanto eu tinha razão que na passeata de hoje apareceu um megafone. E a arquitetura da coisa continuou a mesma...

Anônimo disse...

Vamos precisar de muitos megafones para que a Câmara de Sete Lagoas e o Ministério Público local escute a voz do povo. Vem aí outras leis delegadas... e mais cargos comissionados.