15 de mai de 2013

Cidade Aberta de Teju Cole

Teju Cole esteve na FLIP 2012. Em Paraty, eu comprei o seu livro por uma razão um tanto prosaica, a de ter o mesmo nome da coluna que assino, semanalmente, no jornal SETE DIAS: Cidade Aberta. Mas só o li, agora, quase um ano depois. É um belíssimo romance. Surpreendente. Cole lega para o seu personagem Julius a sua cor negra e a sua origem nigeriana, mas o que me parece mais importante é ter transferido para ele, também, o seu olhar de fotógrafo. O livro é uma grande digressão, um monólogo. Sensibilíssimo! Mas uma digressão a partir da descrição detalhadíssima [fotográfica!], inteiramente pessoal, de tudo quanto cerca o personagem em suas caminhadas solitárias por New York, ou, acidentalmente, por Bruxelas. A cidade é o palco de suas reflexões. Mas sua capacidade descritiva transborda os lugares e alcança pessoas, situações ou um mero postal. E, embora pareça um diário, transborda também o tempo presente, tomado pelo passado. Aí, não é o preciosismo que impressiona, mas a atmosfera emocional que impregna cada relato. Ao terminá-lo, não estou seguro de que se trata, exatamente, de uma evocação à solidão [a partir das reflexões solitárias de um migrante africano na América] ou de uma evocação à identidade [de um migrante negro em meio à 'homogeneidade' branca], entre a diferença [destaque para o personagem Farouq] e a igualdade, ou às cicatrizes pessoais [Julius, psiquiatra] e urbanas [New York após o 11 de setembro] ou a tudo isso. Vale a pena conferir: Cidade Aberta, de Teju Cole [Companhia das Letras, 320 págs. R$49].

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