1 de mai de 2013

Barbárie no balcão da farmácia

Eu entendo bastante bem a explicação usual: a de que os custos de pesquisa e desenvolvimento de uma nova droga são altíssimos e, portanto, que o seu lançamento comercial, no balcão da farmácia, ocorre com preços justificadamente muito elevados para o consumidor; o que, com o passar do tempo, tende a se reduzir pela amortização do investimento inicial e pelo aumento da base de consumo. Mas eu não estou falando de drogas novas. Eu estou me referindo a remédios simples e de uso amplo, que não dependem mais de pesquisas, de campanhas publicitárias de lançamento, de nada disso, como a sinvastatina para redução de colesterol ou a loratadina para crises alérgicas. O que explica que esses medicamentos tenham não apenas preços muito altos, mas artificialmente tão altos a ponto de permitir descontos de 50%?! Que outra atividade comercial permite descontos tão expressivos?! É óbvio: o preço real é, se tanto, o preço minorado; o preço cheio é pura barbárie comercial.


A foto acima ilustra um caso típico. Não interessa a drogaria porque a prática é universal. O preço de lista do sinvastatina 10mg genérico é de R$ 55,88. Mas você consegue comprá-lo por R$ 27,94 apenas por ter cadastro no estabelecimento. Ora, o cadastro é só um mecanismo para fidelização e qualquer um pode fazê-lo, na hora; portanto são preços que valem para todos. Se você compra calado, paga 2x; se pede desconto, paga x. É isso. Uma arapuca para os incautos. A mais, no mesmo local, a loratadina também não custa R$24,57 como anotado, mas R$12,90, como corrigido depois da emissão do cupom. De novo, quase 50% de desconto.

Também não seria correto, mas se essa prática envolvesse produtos supérfluos, de consumo de luxo, seria menos criticável. Aí, paga quem quer. Mas ela se aplica a um produto essencial, responsável pela saúde do cidadão. Ou seja, é brincar com coisa séria! Se os remédios são tão controlados, não deveriam ter seus preços, não tabelados, porque vivemos num sistema capitalista, mas fiscalizados para combate a abusos?! Ah, sim: o cidadão é que deve exercer esse controle?! Mas qual a sua força para isso se ele tem dependência do medicamento - a maioria das pessoas não faz uso de remédios por esporte, não é mesmo?! - e se todas as farmácias agem da mesma maneira?! Ou seja, não se trata de comparar preços entre uma rede de farmácias e outra, mas de ficar leiloando o preço, numa mesma drogaria, numa condição de inferioridade. Por esse caminho, comprar remédios de uso diário vai virando uma operação de guerra. Isso é razoável?!

E vai virando uma operação tão complicada e tão corriqueira que já existem sites especializados em comparação de preços. E quando se consulta um deles, o consultaremedios, por exemplo, o sentimento de indignação só faz aumentar: vejam, o mesmo medicamento sinvastatina chega a ter variação de até 700%. Sinal de que a tal mão invisível do mercado, simplesmente, não funciona, não é mesmo?!

4 comentários:

Anônimo disse...

Isto é caso de prisão.

LEANDRO VIANA disse...

Flavio, existe controle nisso. No caso desse fármaco, já amplamente conhecido, a regulaçao de preço trabalha cm o conceito de PMC - Preço Maximo ao Consumidor.
Dê uma olhada na tabela que trata desse valor para o produto. Se estiver acima, posso encaminhar a denuncia com os dados, ou se preferir, vc mesmo poderá a fazer via SAC -Anvisa e Procon.
http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/anvisa/posuso/regulacaodemercado/!ut/p/c5/rY_LkqpAEES_hQ_QLpqXLFtpeQgNqCCwIZRQQARURhn4-iHiru5iZjaTuaysOpUoQZOb47vMjx9l2xxvKEKJnK50YoiKDeAaDMB0FWdjeRqAJ6MDikBMd9fhbo7VuL2OW5PtQ29v-72j0dHRLIvRGpi2Nj-qHjt70nfBgJlmDrBQ-XDtU2LjR3WouIkVyyl8IwK_fpL8lwB5uQJTl5gs-e60gP_Nf7gfo0RJQx0vjI3Ogys4GEyqLGCzoZgyjPZ_2PVnFv-nLAsl5ame91k9h7kkiAAClkVFkiaegA5WVn6uOrOnplaEUBs65l9KeXL9glJZiOvWP-4iWr7u7-h-i05KCqp3bh62RKjf2dFhxl86LbgQFicBiVixwoW1s08dIdBkQQOZqIaq62beU97pz8pcZssrCc4v-eG_jDV8Nq2dVqUxG2aGMLREYINaJLN3cIvbYhifTnTJtHqb58uc4xAz2vqM7vXblrcLfrKQE477AmkhAok!/?1dmy&urile=wcm%3apath%3a/anvisa+portal/anvisa/pos+-+comercializacao+-+pos+-+uso/regulacao+de+marcado/assunto+de+interesse/mercado+de+medicamentos/listas+de+precos+de+medicamentos+03

Blog do Flávio de Castro disse...

Leandro,

Exatamente aí é que reside o problema. A ANVISA só faz legitimar a barbárie. Os produtos são registrados pelos laboratórios e autorizados pela ANVISA com valores altíssimos. Veja o caso da sinvastatina 10: o seu PMC está autorizado com valor entre R$56 e R$69. Nessa farmácia em que fui, esse medicamento está com preço cheio de R$54 [portanto, abaixo do PMC] e é vendido por R$27. E eu acho o mesmo, da mesma marca, em qualquer outra farmácia nessa faixa reduzida. Isso é recorrente para todo medicamento. Isso não é controle.

Abs, Flávio

LEANDRO VIANA disse...

Flavio, seria interessante registrar essa sua crítica no visatende (SAC da Agencia). Esse controle social é importante e os critérios para o PMC podem ser revistos. Os valores podem estar sendo maquiados pelos laboratorios q jogam os custos para cima. abs