6 de abr de 2013

O caminho, a verdade e o poder

O evento político da semana, para mim, foi o ingresso de César Borges no ministério da presidente Dilma Rousseff. É mais um nome da direita de quatro costados, nesse caso com a particularidade de ser um carlista baiano da gema, que se alista nas fileiras do lulo-petismo. A direita profissional que ainda apita, aquela representada tanto por parte do condomínio de interesses reunidos no PMDB, quanto pelos caciquismos regionais, como o malufismo paulista e, agora, o carlismo baiano, é absolutamente pragmática e já entendeu que, hoje, Lula é o único caminho, a única verdade e o único poder. Sob a sombra de Lula, o PT é hegemônico. Não acredito nem mais nessa história de polaridade PT-PSDB. Já foi o tempo. Sob essa ótica, acho que temos que refazer a nossa leitura sobre a política partidária nacional.


Você é de opinião de que esse absolutismo lulo-petista e a falta de oposição é ruim para a democracia brasileira? Você tem ojeriza a Lula e ao PT? Compreendo, mas é bom que você saiba que o grupo de pessoas que pensa como você, estatisticamente, tornou-se irrelevante. Meus sentimentos, essa é a realidade!

Goste-se ou não, é inevitável reconhecer: Lula tem uma série de predicados implacáveis. Ele tem a história de vida ideal, fala e age de forma popular, fez um governo popular e estabeleceu um padrão inédito de relacionamento com o povo. Deram-lhe a oportunidade, ele pavimentou a estrada. Se ninguém fez antes, terá dificuldade de fazer, agora. A essa simbologia ele associou um instinto político animal. Ele ganha e deixa os outros ganharem. E é disso que os políticos precisam. Os da esquerda, da direita, de cima, de baixo, católicos, evangélicos; todos! 'Quer conquistar o poder? Fale comigo!', é mais ou menos por aí.

No final de março, em um ato de apoio a Aécio, FHC falou uma frase lapidar: "o PSDB precisa de um banho de povo". É uma frase lapidar porque é verdadeira e mortal. FHC reconheceu o elitismo tucano, seu distanciamento popular e, sem que o tenha dito literalmente, disse, na prática, que o PSDB precisa copiar seu adversário. No fundo, esse é o ponto: se não pode se filiar ao lulismo, os tucanos precisam replicar o lulismo. Vão ficar, como já estão ficando, à beira do caminho. É que para Lula comer uma buchada de bode é natural, já quando FHC [ou Aécio] come, a coisa não desce. Não é à toa que a desejada candidatura Aécio 2014 não decola.

'Quer conquistar o poder? Fale comigo!'. Lula pode falar isso; Marina, não. Você está certo: essa não é uma política de valores, mas uma política de poder. Fazer o que? A #rede da Marina pode ter boas intenções e vinte milhões de voto, mas dificilmente irá além por uma razão simples: não distribui poder. Quem se alinhar a Marina só terá perspectivas eleitorais depois que a Marina tiver. Até lá, morrerá. Não é por outra razão que os políticos com mandato batem palmas, mas não aderem à #rede nem que a vaca tussa. O risco de não se eleger é alto. Na via expressa lulo-petista, ao contrário, a chance é alta e em alta velocidade. Que o digam os enfants terribles Eduardo Paes, Gustavo Fruet e outros que, na hora H, saíram da trincheira e se renderam às benesses expressas...

E Eduardo Campos?! Nada me tira da cabeça que ele está jogando o jogo certo: está procurando se cacifar para ser o candidato mais viável, não para 2014, mas para 2018. Da oposição? Claro que não! Eduardo sabe bem que 2014 são favas contadas, mas que o PT não tem um candidato natural para 2018. Ao se lançar candidato, agora, presta o bom serviço à base aliada de tirar votos de Marina, enterrar Aécio e os tucanos e se tornar um nome respeitável a ser consagrado pelo lulismo em 2018. Nesse caso, acho que o governador Tarso Genro, do Rio Grande, erra feio ao dizer que Eduardo Campos comete um 'equívoco tático', ao concorrer, agora, e não enxergar a polaridade PT-PSDB. A meu ver, o governador pernambucano já viu que essa fase passou e está um passo a frente. Quem comete um 'equívoco tático' é o próprio governador gaúcho.

'Nunca antes na história desse país', a política foi tão irrestritamente determinada por um homem só! Goste-se ou não, essa é a verdade.

2 comentários:

Enio Eduardo disse...

Concordo em grau, número e gênero. Nem mais, nem menos Flávio. É o que eu penso e já tempo isso ... Parabéns pelo artigo e a clarividência em sua análise.

Abração, Enio.

Geraldo Donizete disse...

O que importa é o poder. Tá bravo.