10 de abr de 2013

Entre o passado e o futuro

Todo governante tem o direito e o dever de construir, de acordo com a sua conveniência, a cada momento, a sua narrativa a respeito de seu governo. A narrativa é uma história em perspectiva: passado, presente e, sobretudo, futuro, numa ótica própria. Algo como: assumi a prefeitura assim, minha estratégia de abordagem está sendo tal, há possibilidades aqui, há riscos ali, e minhas metas para o curto, o médio e o longo prazo são essas. Ninguém está pedindo que as dificuldades iniciais - as 'heranças malditas', a dívida com o 13º, a dívida com o INSS, todas as dívidas e todas as dificuldades - sejam ignoradas, mas, apenas, que elas se restrinjam a ser o ponto de partida e não mais do que isso. Todo prefeito desejou ser prefeito; por mais errônea que fosse, tinha mínima noção de como encontraria a casa; e devia estar preparado para enfrentar os desafios. Em Sete Lagoas, entretanto, está se tornando uma tradição usar os desafios como escudo, como desculpa. Os prefeitos falam de suas 'heranças malditas' como se tivessem sido surpreendidos por elas e as exploram, politicamente, ao máximo. Ou seja, quanto maior a desgraça herdada, maior o desafio e maior o heroísmo. A meu ver, isso é irreal e  não leva a lugar nenhum...


Hoje foi o centésimo dia de todas a novas administrações municipais do país que tomaram posse em janeiro. Eu acho isso uma convenção sem nexo, mas aceito: por todo lado, tornou-se habitual se fazer uma avaliação dos resultados desses 100 primeiros dias. É gritante, no entanto, a diferença entre o enfoque que é dado em outras cidades brasileiras e o enfoque sete-lagoano. Comparem, por exemplo, a cobertura no G1 e a cobertura na imprensa local, sobre esse mesmíssimo tema: o dos 100 dias. As manchetes dizem por si. No G1, há uma noção de futuro: 'Após 100 dias de governo, veja como andam as propostas dos prefeitos'. O que se entende? De que o interesse está focado em como as propostas dos governos [que se voltam para o futuro!] reagiram quando postas à prova, frente à dura realidade, dura para todo mundo. Localmente, no SETELAGOAS.COM.BR, por exemplo, o mote é o passado que parece ter dominado a entrevista coletiva com o prefeito: "O quadro estava muito pior do que imaginávamos, afirma prefeito'. Em 99% de toda a cobertura da imprensa local a que eu tive acesso, tudo se resumiu a lamentações e acusações. Pergunto:- o que a cidade ganha com isso?! Respondo: - nada!

Em minha opinião, a rigor, o que se extrai nas entrelinhas desse comportamento tradicional de se escudar e  de se explorar ad nauseam o passado, ao contrário do que parece, não são evidências de heroísmo, mas de certa fragilidade. No fundo, é uma forma de pré-justificar a eventual não realização de mudanças desejadas pela cidade. Na verdade, evidências de força estão na relativização dos problemas passados e na reafirmação dos planos para o futuro. Espero, sinceramente, que findo esse período de indulgências plenas de 100 dias, o passado fique no passado e a nova administração passe a discutir, publicamente, seu plano de metas para os próximos quatro anos.

2 comentários:

Anônimo disse...

veja bem,a prefeitura contratou um engenheiro para avaliar o projeto do Hospital Regional no valor aproximadamente de $224.800,00,sendo que este mesmo engenheiro efetuou o mesmo serviço para a prefeitura de Uberlândia no valor de $78.000,00,aproximadamente.A diferença de valores são enormes..

Blog do Flávio de Castro disse...

Comentário recuperado de Anônimo:

O Maroca passou 04 anos culpando o governo anterior por sua desastrosa administração. Espero que o atual prefeito não cometa o mesmo erro. Pelo que já vi, estou com mais esperança e é só o que nós setelagoanos podemos ter afinal, depois de anos desatrosos. Ressaltando aqui as ações do ataul prefeito: a publicação dos salários dos funcionários públicos, a retirada dos camelôs, dos carros de pizza da praça na orla da lagoa, dos quiosques em frente ao Colégio Dom Silvério, dos taxista da Praça Alexandre Lanza. Vamos aplaudir, porque pode não durar, mas continuo esperançoso. Abraços