24 de abr de 2013

Bicicleta é utopia?!

A coincidência de duas conversas, em uma mesma semana - uma em BH, outra em Sete Lagoas - me colocou para pensar. Ambas as conversas falavam mais ou menos a mesma coisa: - "as ciclofaixas estão aí, mas o que menos se vê sobre elas são bicicletas!" Isso faz mesmo sentido? Pensar em bicicleta como meio de transporte é uma utopia? Ou estamos abordando o assunto de forma incorreta? Essas são as perguntas que passei a me fazer, desde então...


Há muita gente se desiludindo com as bicicletas. Acho uma desilusão precoce. Não é possível que estamos certos e o mundo está errado. E o mundo tem dado provas inequívocas de que, para ele, as bicicletas, como meio de transporte não motorizado, vieram para ficar.

Em primeiro lugar, diversas cidades já demonstraram que o transporte por bicicleta funciona. No mundo, Amsterdã, Portland, Copenhagen, Berlim e Barcelona são exemplos. No Brasil, Santos e Sorocaba; Rio e São Paulo. Outras cidades, como Londres, estão fazendo investimentos pesadíssimos em soluções que utilizam bikes.

Em segundo lugar, as estatísticas são enfáticas. No Brasil, em 2009, a maioria dos deslocamentos de ponta a ponta foram realizados por meios não motorizados. Em cidades do porte de Sete Lagoas, 45% das viagens foram feitas a pé e 8%, em bicicleta. Utilizou-se mais bicicletas do que motos [5%]. A mais: se tanta gente se desloca a pé, é sinal de que, potencialmente, há muito espaço para o crescimento do uso das bicicletas.

Eu prefiro crer que estamos abordando o problema de forma errada. Em BH, eu desconheço o projeto; em Sete Lagoas, eu tenho certeza de que o projeto é tímido demais para ser utilizado como base para avaliação. Aqui, as faixas pintadas são arremedos de solução, não oferecem segurança alguma e não estimulam o uso. Não há uma visão sistêmica, não há um conjunto de ciclovias que gere uma cobertura significativa, não há apoios como pontos de aluguel em áreas centrais ou bicicletários públicos [no espaço público] e privados [em empresas e instituições]. Uma solução precária como a adotada, em uma cidade 100% plana, se não foi capaz de demonstrar a eficácia da mobilidade por bicicleta não pode, jamais, ser usada, em sentido contrário, para desmontar o mérito da proposta.

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